A avaliação ASG ganhou uma nova ferramenta para o setor de Transportes Terrestres. A Associação Soluções Inclusivas Sustentáveis (SIS) lançou um questionário voltado à análise de desempenho climático e socioambiental, com foco em apoiar instituições financeiras, empresas e organizações que buscam fazer autoavaliação.A apresentação ocorreu na última quinta-feira (17), em evento online que reuniu especialistas para discutir desafios e oportunidades da análise ASG em empresas do setor. Segundo a SIS, a ferramenta reúne indicadores específicos e pode subsidiar decisões sobre crédito, investimento, seguros e parcerias comerciais.Ferramenta reúne indicadores para a avaliação ASG no setorO questionário permite analisar temas como eficiência no uso de recursos, emissões de gases poluentes e de efeito estufa, adaptação às mudanças climáticas, impactos sobre a biodiversidade, saúde e segurança de trabalhadores e comunidades, além de outras dimensões ligadas ao desempenho socioambiental.De acordo com a diretora executiva e técnica da SIS, Luciane Moessa, o uso do material pode influenciar diretamente as condições de financiamento.“No caso do setor financeiro, a aplicação do questionário pode ajudar na decisão de conceder ou não crédito, realizar ou não investimentos, mas, sobretudo, definir as condições do fluxo de capitais. A avaliação pode influenciar nos prazos das operações, nas taxas de juros, no prazo de carência, na exigência de garantias, nos limites de crédito ou no valor do investimento que vai ser realizado”, explica.A metodologia do material combina referências nacionais e globais em sustentabilidade, como TNFD, GRI, SBTi, CBI, IFRS S1 e S2, IFC e ODS, além de critérios de taxonomias sustentáveis e indicadores complementares desenvolvidos pela equipe técnica da SIS. A ferramenta também diferencia indicadores conforme a relevância da localização da atividade.Luciane Moessa afirma que o objetivo não é apenas classificar empresas, mas estimular melhorias. “A ideia é que as empresas mais sustentáveis sejam reconhecidas. Mas também que as empresas com desempenho a desejar tenham um incentivo financeiro para melhorar. Nosso propósito maior é contribuir para um diagnóstico mais preciso e assim propiciar avanços nessa agenda.”Setor de transportes reúne desafios para a transição climáticaNo recorte de Transportes Terrestres, o questionário abrange transporte ferroviário de cargas, transporte rodoviário de cargas e transporte coletivo de passageiros, incluindo viagens dentro e entre cidades. Entram no escopo caminhões, trens de carga, ônibus, metrô, trens metropolitanos e VLTs.Entre os temas avaliados estão emissões atmosféricas, gestão de resíduos e efluentes, recursos hídricos, biodiversidade, adaptação às mudanças climáticas, matriz energética, eficiência no uso de combustíveis e da frota, além de emissões de gases de efeito estufa.No transporte coletivo, a ferramenta incorpora ainda indicadores sobre segurança dos passageiros, acidentes envolvendo usuários, prevenção de crimes sexuais, atendimento a populações de baixa renda e integração entre modais.O setor aparece entre os principais desafios da transição brasileira para uma economia de baixo carbono. Em 2024, os transportes emitiram cerca de 221 milhões de toneladas de CO₂e, sendo 118,7 milhões no transporte de cargas e 102,7 milhões no de passageiros, segundo o Sistema de Estimativas de Emissões e Remoções de Gases de Efeito Estufa (SEEG).Durante o lançamento, Sofia Zanella Carra, diretora de Transição Climática do Climate Finance Hub (CFH), apresentou resultados preliminares de um estudo sobre a maturidade da transição climática em diferentes modais de transporte. No primeiro ciclo, a equipe avaliou três empresas do transporte rodoviário e três do ferroviário. Em uma escala de 0 a 20, a média foi de 1,4 ponto entre as companhias rodoviárias e de 3,8 entre as ferroviárias.Segundo Sofia, os principais desafios identificados incluem ausência de metas estruturadas de descarbonização, de planos de transição e de estratégias de investimento voltadas à agenda climática, além de lacunas na governança e na transparência das informações. Ela também ressaltou que a amostra é limitada e não representa necessariamente todo o setor.Para a especialista, os indicadores da SIS ajudam a ampliar a análise socioambiental das empresas. “Os indicadores da SIS olham para um universo mais abrangente, enquanto a análise do Climate Finance Hub hoje prioriza a transição climática. São visões diferentes que se comunicam e se complementam”, afirma.Além do setor de Transportes Terrestres, a SIS também lançou questionários para Pesca e Aquicultura. Todos os materiais estão disponíveis gratuitamente no site da entidade.O post SIS lança questionário de avaliação ASG para Transportes Terrestres apareceu primeiro em Mobilidade Sampa.