O Flamengo divulgou uma nota oficial nesta sexta-feira (25/9) para criticar a intenção do governo federal de editar uma medida provisória (MP) com o objetivo de proibir as apostas esportivas, as chamadas bets, no Brasil.Veja a nota na íntegra: View this post on Instagram A post shared by Flamengo (@flamengo) Leia também Fábia OliveiraTiago Leifert reage ao “fim do futebol” com proibição de bets: “Acaba logo” Rodrigo FrançaO futebol brasileiro não precisa das bets. As bets precisam do futebol São Paulo“Vou acabar com as bets”, diz Lula em meio a polêmica com times de futebol EsportesAvanço de bets ilegais pode prejudicar times de futebol, diz estudo No comunicado, o Flamengo afirmou que uma eventual mudança no marco regulatório representa uma questão de “segurança jurídica” e pode afetar diretamente o esporte brasileiro.“Não se pode criar uma regra, levar empresas e instituições a assumir compromissos com base nela e, de um dia para o outro, mudar todo o marco regulatório”, afirmou o Flamengo, em trecho da nota.O clube também avaliou que a possível proibição das bets “atinge em cheio o esporte brasileiro”.A manifestação ocorre diante da possibilidade de o governo federal adotar novas medidas para restringir o funcionamento das empresas de apostas no país.Leia a nota na íntegra:“O Brasil levou anos discutindo como regulamentar as apostas esportivas. O Congresso aprovou, o governo regulamentou, empresas pagaram para operar legalmente no país, fizeram investimentos e passaram a cumprir regras de fiscalização, tributação e proteção ao consumidor.Não se pode criar uma regra, levar empresas e instituições a assumir compromissos com base nela e, de um dia para o outro, mudar todo o marco regulatório.Nenhuma regulamentação é intocável. Se existem problemas, as regras precisam ser aperfeiçoadas. Se precisam ser mais duras, que sejam. Quem descumpre a lei deve ser punido. Mas existe uma diferença fundamental entre aperfeiçoar uma regulamentação e simplesmente desmontá-la.Isso é uma questão de segurança jurídica.E segurança jurídica não interessa apenas às empresas de apostas. Interessa a qualquer pessoa, empresa ou instituição que invista, contrate e faça planos de longo prazo no Brasil confiando nas regras estabelecidas pelo próprio Estado.A mudança atinge em cheio o esporte brasileiro.Uma decisão dessa dimensão afeta o futebol profissional, as categorias de base, o futebol feminino, os esportes olímpicos e os campeonatos.O esporte brasileiro não pode ser analisado apenas a partir da realidade financeira dos clubes de maior receita. E não são atingidos apenas os clubes, é uma cadeia que recebe um impacto imediato: empregos diretos e indiretos, empresas de comunicação, marketing e tecnologia, fornecedores, arenas, prestadores de serviços e toda uma cadeia econômica.Atinge também a arrecadação pública. O mercado regulado gera recursos por meio de impostos e das destinações previstas em lei, que chegam aos cofres públicos e são destinados a áreas de interesse da sociedade.Enfraquecer o mercado legal pode produzir uma combinação especialmente ruim: menos recursos para o esporte e menos arrecadação para o país.E o brasileiro ficará mais protegido? Essa talvez seja uma das perguntas centrais dessa discussão.Proibir as empresas que operam legalmente não significa acabar com as apostas. O jogo não desaparece e o mercado clandestino, que representa parcela expressiva da atividade, vai crescer e ocupar esse espaço.Pesquisa do Instituto Locomotiva, realizada em maio de 2026 em todo o país com 2.291 apostadores, aponta a presença relevante de práticas associadas ao mercado ilegal. Estudo da LCA Consultores, baseado nessa pesquisa, estima que entre 38% e 44% do valor apostado online no Brasil ocorra atualmente em plataformas clandestinas.Há um dado particularmente importante: a participação estimada do mercado ilegal caiu depois da regulamentação, passando daquela faixa de 41% a 51% em 2025 para 38% a 44% no primeiro semestre de 2026.O jogo não vai acabar com uma canetada. O que acaba é a parte que o Brasil consegue regular, fiscalizar, tributar e responsabilizar.E o resultado pode ser menos segurança para quem investe, menos recursos para o esporte e para o país e menos capacidade de fiscalização sobre a atividade.O Brasil precisa combater o jogo ilegal.Precisa proteger sua população.Mas também precisa preservar a segurança jurídica, a capacidade de investimento e a sustentabilidade de suas instituições esportivas.O esporte brasileiro não pode ser enfraquecido por uma decisão que não elimina o jogo, não elimina o mercado ilegal e ainda coloca em risco os investimentos, os empregos e os compromissos construídos dentro das regras que o próprio país estabeleceu.”