O UBS BB retomou a cobertura para a Hapvida (HAPV3) com recomendação neutra e um preço-alvo de R$ 7,80. De acordo com o banco, a ação já tem embutida no preço grande parte do cenário adverso e mostra sinais de recuperação operacional.Para além disso, os analistas do banco destacaram que a companhia possui um retorno potencial ao qual o mercado ainda não atribiu nenhum valor. Em especial, se tratando do ativo fiscal de R$ 30,8 bilhões relacionado ao ágio fiscal (ou goodwill) gerado pela combinação de negócios de 2022.Leia tambémJuro pode despencar após as eleições? Veja ações que podem se beneficiarGoldman Sachs vê estrangeiros pouco expostos à Bolsa brasileira e ações ligadas à queda dos juros como o melhor veículo para capturar uma virada eleitoralAs três razões que fazem a XP recomendar compra para o S&P 500Para os analistas, o mercado americano oferece combinação atrativa de crescimento, rentabilidade e qualidadePara destravar esse valor, contudo, o UBS BB acredita que a Hapvida precisará demonstrar um negócio operacional capaz de gerar lucros o suficiente para absorvê-lo, algo que a companhia ainda não conseguiu fazer.Por não conseguir prever, com clareza, essa trajetória, as estimativas do banco não incorporam nenhum benefício fiscal decorrente desse goodwill. Por esse motivo, a recomendação segue neutra, ainda que a avaliação atual sugira que uma parcela relevante do cenário de queda já esteja aparentemente refletida no preço da ação.Cenário-baseO modelo atual do UBS BB assume um crescimento da receita de aproximadamente 4% nos anos fiscais de 2026 até 2028, impulsionado pelo ticket e não pelo volume.Já do ponto de vista estrutural, a expectativa do banco é de que o índice de sinistralidade médica (MLR, na sigla em inglês) continue subindo gradualmente, chegando perto de 76% no longo prazo, ou 77% incluindo provisões. Mesmo assim, de acordo com os analistas, o nível permanece abaixo do observado na SulAmérica, na casa dos 80% baixos, e na Bradsaúde, na casa dos 80% médios.Como resultado desse cenário, a estimativa de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado para os anos de 2026 e 2027 está mais alinhada ao consenso do mercado.Para 2028, o banco explica que o consenso pressupõe uma aceleração significativa que, de acordo com os analistas do UBS, reflete uma hipótese mais construtiva para o MLR do que a postura cautelosa do banco em relação ao setor.Na receita, o banco espera crescimento de aproximadamente 4% entre 2026 e 2028, sustentado principalmente pelo aumento do tíquete médio, e não pela expansão de volumes. Assim, melhorar rentabilidade e controlar os custos assistenciais tornam-se peças ainda mais importantes para a recuperação dos resultados.Copo está meio cheio ou meio vazio?O próprio título escolhido pelo UBS BB para a análise, “Half full or half empty?”, resume o dilema em torno da Hapvida.O lado do copo meio cheio está no valuation: segundo os analistas, uma parcela significativa do cenário negativo parece já ter sido descontada pelas ações. Além disso, uma estabilização mais clara da sinistralidade e a possibilidade futura de aproveitar o ativo fiscal poderiam acrescentar valor à tese.O copo meio vazio, por sua vez, está justamente na ausência de provas. A sinistralidade ainda deve aumentar, mesmo que em um ritmo menor, e o cenário-base do banco é mais conservador que o consenso para 2028. A utilização do benefício fiscal também depende de condições que ainda não foram atendidas.O preço-alvo de R$ 7,80 por ação é baseado em um modelo de fluxo de caixa descontado para o acionista, com custo de capital próprio de 17,1% e crescimento na perpetuidade de 5%. O valor corresponde ainda a um múltiplo de 3,1 vezes EV/Ebitda projetado para 2028.Leia também: Morgan Stanley eleva Dasa para compra; Hapvida segue sob pressãoAssim, a leitura do UBS BB é menos pessimista do que a recomendação neutra pode sugerir à primeira vista. O banco não vê evidências suficientes para apostar na recuperação, mas também avalia que o mercado já cobra pouco ou nada por ela.Para uma reavaliação mais positiva de HAPV3, o ponto decisivo passa a ser a execução: desacelerar de forma consistente a deterioração da sinistralidade, recuperar rentabilidade e voltar a gerar resultados suficientes para, no futuro, transformar inclusive o ativo fiscal bilionário em valor para os acionistas.The post Hapvida (HAPV3): pior já no preço? UBS BB vê sinais melhores, mas ainda pede “provas” appeared first on InfoMoney.