Paulo Guedes assessorou empresa cripto alvo da CVM e processada por investidores

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O ex-ministro da Economia Paulo Guedes prestou consultoria, participou de reuniões estratégicas e teve sua imagem utilizada pela OnilX, empresa de criptomoedas que atualmente enfrenta mais de uma centena de ações judiciais de investidores que alegam dificuldades para resgatar recursos. A companhia também foi alvo de uma ordem da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no início deste ano por indícios de oferta irregular de valores mobiliários.Segundo reportagem do Metrópoles, Guedes não aparece no quadro societário da companhia, mas participava de palestras, recebia investidores e esteve em encontros com parceiros comerciais. Em uma publicação da própria OnilX em dezembro de 2025, o ex-ministro aparece ao lado do controlador da empresa, Fábio Lino, e de executivos da Visa em uma reunião descrita pela companhia como estratégica para discutir o uso de stablecoins.Em outra ocasião, Guedes participou de uma palestra para cerca de 500 pessoas, entre investidores e assessores, na qual elogiou o posicionamento da companhia diante do avanço da tecnologia financeira. O Metrópoles também encontrou mensagens anexadas a um processo judicial nas quais uma assessora da OnilX citava a presença do ex-ministro no escritório da empresa na Faria Lima, em São Paulo, ao apresentar o negócio a um potencial investidor.A relação com Guedes aparece, inclusive, em ações movidas contra a empresa. Em um dos casos, um casal que busca recuperar R$ 876,5 mil afirmou à Justiça que decidiu manter e aumentar seus aportes depois de participar, em abril, de uma reunião com o ex-ministro na sede da OnilX. Segundo os autores da ação, a presença de Guedes aumentou a confiança na companhia. Quatro meses depois, eles dizem ter tentado sacar os recursos sem sucesso.Outro processo citado pela reportagem envolve uma empresa que cobra R$ 632,2 mil aplicados por meio da plataforma. Os relatos fazem parte de um conjunto maior de disputas judiciais: o Metrópoles identificou 108 ações contra empresas do grupo entre 12 de junho e 10 de setembro, distribuídas em estados como Paraná, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Sergipe, Alagoas e Pará. Os investidores alegam, entre outros pontos, dificuldades para receber os valores investidos.Paulo Guedes, que comandou o Ministério da Economia durante o governo Jair Bolsonaro, foi procurado pelo Metrópoles e não comentou sua relação com a empresa. Fábio Lino também não respondeu aos questionamentos da publicação sobre os termos da contratação do ex-ministro e os processos movidos por investidores.CVM mandou suspender ofertas de valores mobiliáriosOs problemas regulatórios da OnilX ganharam força em janeiro. Em 12 de janeiro de 2026, a Superintendência de Relações com o Mercado e Intermediários da CVM publicou o Ato Declaratório 24.680 após identificar indícios de que empresas ligadas ao grupo buscavam captar clientes brasileiros para operações que poderiam ser enquadradas como valores mobiliários sem a autorização necessária.A autarquia determinou a suspensão imediata de ofertas públicas de serviços de intermediação de valores mobiliários pelo grupo e alertou que as empresas envolvidas não tinham autorização da CVM para intermediar valores mobiliários, atuar como assessoras de investimentos ou captar recursos para aplicação nesse tipo de ativo. O descumprimento poderia resultar em multa diária de R$ 1 mil.O caso, no entanto, ganhou uma ressalva importante alguns meses depois.A OnilX recorreu da decisão e, em 1º de abril, o colegiado da CVM decidiu por maioria manter a ordem, mas acolheu um pedido para deixar claro que a restrição não alcançava a simples intermediação de criptoativos que não fossem enquadrados como valores mobiliários. Na prática, operações envolvendo ativos como Bitcoin, Ethereum ou USDT podem ficar fora do alcance da CVM quando não estiverem associadas, por exemplo, a contratos de investimento ou promessas de rendimento.A própria CVM explicou posteriormente que a OnilX poderia continuar exercendo atividades legítimas de intermediação de criptoativos, mas reiterou que o grupo não possui autorização para distribuir ou intermediar valores mobiliários, atuar como assessor de investimentos ou gerir carteiras.Uma ex-assessora especial de Paulo Guedes, a advogada Anne Caroline Marciquevik, representou a OnilX nas tratativas com a CVM para tentar reverter a medida. Segundo levantamento citado pelo Metrópoles, ela participou de seis reuniões com representantes da autarquia após a publicação da ordem.Investidores relatam dificuldades para recuperar dinheiroA disputa regulatória ocorreu paralelamente ao surgimento de reclamações de clientes sobre resgates.Segundo o Metrópoles, investidores afirmam ter colocado milhões de reais em produtos relacionados a criptomoedas e stablecoins que eram apresentados com promessa de rendimentos de até 2,8% ao mês e alta liquidez. Depois, parte deles teria encontrado dificuldades para recuperar o dinheiro e passou a recorrer à Justiça.Há também registros públicos recentes de reclamações sobre demora em resgates. Em um caso publicado no Reclame Aqui em agosto, um cliente relatou atraso no recebimento de recursos. A OnilX respondeu atribuindo o problema a “intercorrências operacionais” e afirmou que aquela situação específica havia sido posteriormente regularizada.A empresa nega que a decisão da CVM represente uma proibição geral de suas atividades. Em posicionamento publicado em seu site e reproduzido pelo Metrópoles, a OnilX afirma estar regularmente constituída, atuar há cerca de cinco anos no mercado de ativos virtuais e oferecer compra, venda, troca, intermediação e custódia de criptomoedas.A companhia também sustenta que não atua como gestora de investimentos, não promete rentabilidade fixa e não oferece contratos de investimento coletivo. Segundo sua versão, a discussão com a CVM diz respeito exclusivamente a operações que possam ser consideradas valores mobiliários, e não à atividade comum de compra e venda de criptomoedas.A existência das mais de cem ações, portanto, representa alegações feitas por investidores que ainda precisam ser analisadas individualmente pela Justiça. Da mesma forma, a própria CVM informou, ao analisar o recurso da companhia, que o processo administrativo continuaria em andamento para avaliar se havia elementos para eventual medida sancionadora.Quer fazer uma denúncia? Envie um e-mail para denuncia@portaldobitcoin.comO post Paulo Guedes assessorou empresa cripto alvo da CVM e processada por investidores apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.