Na reta final do primeiro turno, o candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, passou a explorar o endividamento provocado pelas apostas on-line para atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A campanha tenta atribuir ao petista parte da responsabilidade pela expansão das bets, em uma ofensiva que também mira o eleitorado feminino.Aliados de Flávio avaliam que os prejuízos causados pelos jogos chegam com força às mulheres, principalmente quando o dinheiro perdido nas apostas compromete as contas da família. O entorno do senador espera usar o tema para diminuir a resistência a Flávio entre as eleitoras, uma das dificuldades identificadas na disputa.Nesta quarta-feira (23/9), o candidato chamou Lula de “pai do tigrinho” durante uma transmissão ao vivo. Flávio Bolsonaro afirmou que pretende acabar com os cassinos virtuais caso seja eleito, incluindo jogos como o “tigrinho”.O filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) indicou, por outro lado, que as apostas esportivas podem continuar permitidas. Segundo ele, esse tipo de jogo tem “alguma forma de controle”.“Lula trouxe dois males para o Brasil que são filhos dele: um é o Lulinha; o outro, o tigrinho. É o tigrinho que está acabando com a vida das pessoas e deixando todo mundo endividado”, disse.A investida de Flávio coincide com a discussão, pelo governo, de uma medida provisória para barrar a jogatina on-line. Lula ainda avalia até onde a proposta deve ir. Uma das possibilidades alcança também as apostas esportivas; outra concentra as restrições nos cassinos e demais jogos virtuais. Aliados do presidente dizem que o anúncio pode ocorrer perto da votação de 4 de outubro. Leia também Matheus LeitãoAliados cobram que Lula leve ofensiva contra bets às ruas BrasilLula reúne ministros para discutir MP sobre bets Milena TeixeiraFlávio é aconselhado a passar longe do debate das bets Flávio tem procurado ligar o aumento das apostas à gestão petista e acusado o governo de não fiscalizar o setor de forma suficiente.“Lula fica fingindo que não tem responsabilidade, mas o cassino on-line foi regulamentado no governo dele. Se compararmos a quantidade de apostadores no fim do governo Bolsonaro com a de agora, veremos que esse número quase dobrou”, afirmou.A autorização para as apostas de quota fixa, porém, é anterior ao atual governo. A legalização dessa modalidade foi sancionada em 2018, durante a gestão de Michel Temer (MDB). A norma deixou para depois a definição das regras de funcionamento do mercado.Em 2023, Congresso e governo avançaram na regulamentação. Lula sancionou a lei que passou a regular e tributar as apostas on-line e incluiu os cassinos virtuais entre as modalidades permitidas. A fiscalização ficou sob responsabilidade do Ministério da Fazenda.4 imagensFechar modal.1 de 4Flávio Bolsonaro no Recife (PE)Sam Pancher/Metrópoles2 de 4Flávio BolsonaroCharles Vieira/Campanha Flávio Bolsonaro3 de 4Flávio BolsonaroVittor Sales/ Divulgação Campanha Flávio Bolsonaro4 de 4O candidato do PL à Presidência da República, Flávio BolsonaroPedro Moro/MetrópolesTema popularO tema chega à campanha com ampla rejeição entre os eleitores. Na pesquisa Atlas/Bloomberg divulgada nesta quarta, três em cada quatro entrevistados disseram ser favoráveis à proibição das bets. Outros 60% afirmaram enxergar apenas efeitos negativos da atividade para a sociedade.Flávio tenta aproveitar essa insatisfação quando faltam menos de duas semanas para a eleição. Para aliados, ultrapassar Lula até o primeiro turno teria efeito também sobre a montagem de apoios para uma eventual segunda etapa da disputa, especialmente entre partidos do Centrão e grupos que ficarem fora da corrida presidencial.Pesquisa Quaest sobre o cenário do primeiro turno, divulgada na segunda-feira (21/9), registrou Lula com 37% das intenções de voto e Flávio com 33%. No levantamento da semana anterior, os percentuais eram de 36% para o petista e 31% para o senador.Na simulação de segundo turno, Flávio Bolsonaro aparece com 42% e Lula, 41%. A diferença está dentro da margem de erro, que é de dois pontos percentuais.Nos próximos dias, o candidato do PL deve concentrar boa parte da agenda no Sudeste, que concentra cerca de 42% do eleitorado do país. Estão previstos compromissos em Minas Gerais nesta quinta-feira (24/9) e passagens por São Paulo e Rio de Janeiro entre sexta (25/9) e sábado (26/9). No domingo, Flávio deve ir a Sergipe pela manhã e a Goiânia à tarde.Por que o Sudeste é estratégico para FlávioRegião concentra 66,6 milhões de eleitores, cerca de 42% do eleitorado brasileiro.São Paulo é o maior colégio eleitoral do país; Minas ocupa a segunda posição e o Rio, a terceira.Campanha avalia que ainda precisa ampliar a vantagem na região para compensar dificuldades em outras áreas do país.Entorno de Flávio avaliar que há problemas de mobilização de eleitorado nesses estados.São Paulo deve voltar ao roteiro na segunda-feira (28/9). A campanha também trabalha com a previsão de uma motociata na capital paulista em 3 de outubro, véspera da votação e último dia em que a legislação eleitoral permite esse tipo de ato. O trajeto ainda está em definição.