O CEO da OpenAI, Sam Altman, e o CEO da Anthropic, Dario Amodei, fizeram um apelo incomum por cooperação internacional em inteligência artificial durante uma sessão do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), marcada por preocupações crescentes sobre os potenciais riscos existenciais da tecnologia para a humanidade.Durante suas intervenções, Altman e Amodei destacaram a importância de governos e empresas trabalharem juntos para criar padrões globais capazes de lidar com cenários em que sistemas de IA possam adquirir a capacidade de se aperfeiçoar autonomamente e superar a capacidade humana de controle. Os executivos, cujas empresas desenvolvem alguns dos modelos de IA mais avançados do mundo, afirmaram que governos devem participar das decisões críticas sobre o futuro da tecnologia.“Houve momentos em que países que competem entre si e nem sempre se gostam conseguiram se unir em torno de interesses compartilhados e do bem coletivo diante de uma poderosa nova tecnologia”, disse Altman. “Acreditamos que este deve ser um desses momentos.”A reunião do Conselho de Segurança ocorreu paralelamente à Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, onde os debates sobre inteligência artificial e seus riscos ocuparam lugar central nos discursos de chefes de Estado e diplomatas.Em sua fala de abertura, o secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu coordenação internacional para regular os chamados modelos de IA de fronteira e apontou a própria ONU como uma plataforma para apoiar esses esforços. Já o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, rejeitou apelos por regulação internacional da tecnologia, classificando-os como um “esquema globalista”.Leia tambémAnthropic diz que IA identificou sistema genético inédito semelhante ao CRISPREmpresa afirma que o modelo Claude analisou bases de DNA e ajudou a detectar um sistema enzimático com características próximas às da tecnologia de edição genética; descoberta ocorre após expansão da companhia em pesquisa biológicaNvidia, Rockefeller e até a OTAN investiram US$ 140 mi em startup; entendaBasecamp, empresa de medicamentos baseada em IA, é avaliada em US$800 mi após rodada de financiamento de US$140 miPara Altman e Amodei, a participação conjunta representou uma aparição incomum, já que OpenAI e Anthropic são concorrentes na corrida pela liderança em uma tecnologia que promete transformar a economia global. As duas empresas também planejam realizar ofertas públicas iniciais de ações (IPOs) nos próximos meses, em operações que podem avaliá-las em quase US$ 1 trilhão cada.Em participação por vídeo, Amodei afirmou que a inteligência artificial pode gerar avanços significativos para a ciência e a saúde, mas também carrega riscos potencialmente catastróficos. Entre eles, citou a possibilidade de terroristas utilizarem IA para desenvolver armas biológicas e o risco de sistemas se tornarem poderosos demais para serem controlados por seus criadores.“Apesar de todas as diferenças entre as pessoas nesta sala, precisamos deixá-las de lado para enfrentar essa oportunidade global e essa ameaça global que se apresentam ao mesmo tempo”, afirmou Amodei. “Nenhum líder, nenhuma empresa e nenhuma nação pode lidar com isso sozinho.”O debate sobre riscos existenciais da IA ganhou força neste mês após a publicação de um ensaio de 3.800 palavras escrito por Amodei, no qual o executivo defendeu uma desaceleração no desenvolvimento dos sistemas mais avançados para permitir uma melhor compreensão de seus riscos potenciais. O texto recebeu apoio de Altman e de Elon Musk, além de ser citado por parlamentares americanos que defendem medidas de segurança para IA.Também participou da sessão o CEO da Hugging Face, Clement Delangue. Sua empresa foi alvo de um ataque realizado por um conjunto de agentes de IA que atuaram em conjunto para tentar invadir sistemas da companhia. O episódio ajudou a ampliar o debate internacional sobre o risco de sistemas de inteligência artificial escaparem ao controle humano.Embora tenha reconhecido a gravidade do incidente, Delangue alertou contra reações exageradas. “Acreditamos que narrativas baseadas no medo não são a melhor forma de tomar decisões sobre uma tecnologia tão fundamental e transformadora”, afirmou. “Fomos atacados por IA, mas, mais importante, nos defendemos com IA.”A sessão ocorreu poucas horas antes do encontro entre Trump e o presidente chinês Xi Jinping, em Washington. A inteligência artificial figura entre os principais temas da cúpula, enquanto Estados Unidos e China negociam a criação de um canal formal de diálogo sobre IA, em meio à disputa pela liderança global na tecnologia.Em discurso realizado na terça-feira na ONU, Trump voltou a minimizar os alertas sobre riscos existenciais da inteligência artificial, classificando-os como uma “farsa” e rejeitando a necessidade de coordenação internacional mais ampla. Suas declarações contrastaram com os apelos de outros líderes mundiais por cooperação na mitigação dos riscos de segurança e dos impactos econômicos da tecnologia.Diante desse cenário, Altman buscou uma posição intermediária entre os defensores de uma desaceleração radical e aqueles que minimizam os riscos. O executivo defendeu um caminho “pragmático”, baseado em padrões globais de segurança, supervisão e compartilhamento rápido de informações sobre incidentes.“Todos estaremos em situação melhor se conseguirmos concordar sobre o que constitui uma boa evidência, boas salvaguardas e boa supervisão em escala global”, afirmou Altman. “Não temos todas as respostas e estamos abertos a ideias melhores. Estamos prontos para trabalhar com todos para encontrar o melhor caminho adiante.”© 2026 Bloomberg L.P.The post Altman e Amodei pedem coordenação global para IA em raro discurso conjunto na ONU appeared first on InfoMoney.