O Progressistas (PP) deve fechar apoio ao senador Flávio Bolsonaro (PL) em um eventual segundo turno da eleição presidencial. A coluna conversou com fontes do partido, que afirmaram que o presidente da sigla, senador Ciro Nogueira, já tem sinalizado a decisão nos bastidores.Pessoalmente, Flávio ainda não procurou Ciro para tratar do assunto. A expectativa é de que uma conversa entre os dois ocorra apenas depois da definição do primeiro turno. Internamente, no entanto, a possibilidade de apoio já vem sendo discutida entre filiados do partido. Uma reunião deve acontecer no dia 6 de outubro, junto ao União Brasil, que é federado ao PP.Segundo integrantes das siglas, a federação só não declarou apoio a Flávio no primeiro turno por causa de Ciro Nogueira, que se sentiu “abandonado” pelo senador após ser alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) que o relacionou a Daniel Vorcaro, do Banco Master. Na ocasião, União Brasil queria concretizar o acordo.Agora, auxiliares de Ciro afirmam, no entanto, que o cenário é diferente. Se, naquele momento, a campanha do filho 01 do ex-presidente Jair Bolsonaro era considerada turbulenta, hoje há otimismo dentro do PP em relação ao desempenho de Flávio, que vem crescendo nas pesquisas.Outro fator que pesa na mudança de posição de Ciro é a relação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Na época, o senador preferiu manter o PP neutro para preservar sua eleição no Piauí. A expectativa era de que a postura impedisse Lula de direcionar ataques ao partido. Recentemente, porém, o presidente esteve no Estado e chamou Ciro de “vira-lata”, o que, na avaliação do presidente do PP, prejudicou seu desempenho.A pressão do diretório paulista do Progressistas também deve influenciar a decisão. No âmbito estadual, a sigla declarou apoio à candidatura de Flávio e tem Guilherme Derrite (PP) na chapa formada com o senador.Para além do PP, aliados de Flávio avaliam que o chamado “fator São Paulo” deve entrar em jogo nas decisões de outras legendas em um eventual segundo turno. Um dos partidos observados é o MDB, do prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes. A avaliação entre os aliados é de que Nunes não deve medir esforços para tentar construir uma articulação em favor de Flávio. O assunto, no entanto, não deve ser pautado tão cedo dentro do partido.O Republicanos, legenda do governador Tarcísio de Freitas, também não pretende discutir o tema neste momento. Segundo aliados, porém, o governador deve auxiliar em uma eventual costura política na reta final da eleição – assim como fez até o último momento da decisão antes do início da corrida eleitoral.Pesos diferentesDirigentes da campanha de Flávio avaliam, no entanto, que o “peso” do apoio em segundo turno é diferente do primeiro turno. Aliados do senador não se esqueceram do isolamento do PL e da chapa no momento em que o partido buscava siglas. A avaliação é de que quem recusou apoio anteriormente não irá “sentar na janela” em um eventual governo.