Devemos mesmo ficar chocados com o PISA?

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Então vamos ao que aqui nos conduziu, naturalmente sem ensejo de exaustividade. Em primeiro lugar a destruição de uma cultura de rigor em nome de uma suposta preferência por formas mais envolventes de aprendizagem. A educação é por vezes vista como edutainment: os alunos têm de estar divertidos. Concordo que uma aula não deve ser uma chatice mas é trabalho, deve dar trabalho e exigir trabalho.Em segundo lugar, as avaliações são vistas como uma forma de pressão sobre os alunos. Mas é necessário que essa pressão exista. Em terceiro lugar, a ideia de que a escola e os graus perdem valor com a IA. Vejo a coisa ao contrário: a escola vai ser mais importante para nos preparar para um futuro com novas e desafiantes tecnologias. Por fim, a ideia de que nada se pode proibir. A escola precisa de disciplina para ser um lugar seguro. Não a disciplina do meu velho e querido professor Vieira e dos seus “bolos de coco”, servidos com uma régua, mas um espaço com regras claras e respeitadas.Se a escola é um lugar de aprendizagem e não de transmissão de conhecimento, comecemos pelo óbvio: tratemos os professores com a importância que têm, dando-lhes espaço e condições para fazerem o seu trabalho, com estabilidade e condições decentes. Avaliemo-los pelos resultados dos seus alunos e recompensemos os melhores. Não confundamos política e educação e, se o resultado do aluno é mau, caros pais, não corram a acusar o professor antes de considerar ao aluno. Não sendo ciência de foguetões, não vai ser nada fácil de recuperar o tempo perdido.O conteúdo Devemos mesmo ficar chocados com o PISA? aparece primeiro em Revista Líder.