Refino de petróleo ganha técnica que reduz consumo de energia

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Uma nova tecnologia desenvolvida por cientistas chineses pode reduzir significativamente a quantidade de energia usada para transformar petróleo bruto em produtos como gasolina, diesel e plásticos. Chamada de “refino molecular”, a técnica separa os diferentes componentes presentes no petróleo em temperatura ambiente, sem a necessidade de fervê-los repetidamente. Em testes de laboratório, o método consumiu 91% menos energia. O resultado ainda precisa ser validado em escala industrial, mas aponta para uma possível redução dos custos e das emissões associadas ao refino. Para entender a novidade, é preciso considerar que o petróleo bruto não é uma substância única. Ele é formado por uma mistura de diferentes moléculas, que precisam ser separadas para que possam dar origem a produtos distintos. Atualmente, a principal forma de fazer isso é por meio da destilação, um processo que aproveita as diferenças entre os pontos de ebulição dessas substâncias. Na prática, o petróleo é aquecido e fervido diversas vezes para que seus diferentes componentes se separem, o que exige grandes quantidades de calor e, consequentemente, de energia. Foto: Orkhan Farmanli | UnsplashOs pesquisadores do Instituto de Física Química de Dalian, no norte da China, desenvolveram uma alternativa para essa separação. Em vez de aquecer a mistura, eles utilizam membranas químicas que funcionam como peneiras em escala molecular. Cada uma delas é projetada para deixar passar determinadas moléculas e reter outras, direcionando os diferentes componentes para recipientes distintos. Alcanos de cadeia linear e com uma única ramificação, utilizados na produção de etileno, por exemplo, conseguem atravessar uma das membranas por terem tamanho diferente dos alcanos com múltiplas ramificações e dos cicloalcanos, empregados na fabricação de gasolina. A diferença de tamanho entre esses grupos de moléculas, no entanto, é de apenas um centésimo de nanômetro. Por isso, as duas membranas precisaram passar por ajustes contínuos até alcançar a precisão necessária. Depois de aperfeiçoá-las, os pesquisadores fizeram testes com uma mistura leve e adocicada de petróleo bruto contendo 15 substâncias químicas diferentes. Em laboratório, a amostra foi separada em três grupos de produtos de alto valor agregado, com taxa de recuperação entre 85% e 90%, segundo os autores de um estudo publicado na revista National Science Review.  Leia também: 1.Vermont aprova lei para cobrar petroleiras por danos climáticos 2.Pescadores de Pernambuco têm exposição dupla e prolongada ao petróleo O ganho energético ocorre porque a nova técnica dispensa três etapas que exigem muito calor: ferver, vaporizar e condensar o material. A descoberta ainda está restrita ao ambiente de laboratório, portanto não é possível afirmar que seja escalável para a indústria global de derivados de petróleo. O petróleo bruto e seus produtos refinados são insumos para a fabricação de milhares de bens, de diferentes níveis de complexidade, algo que ganhou visibilidade após o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde passa um quinto do combustível fóssil bruto mundial. A redução do consumo energético pode ter impacto relevante nas emissões do setor. Uma estimativa publicada em 2021 apontou o refino de petróleo como o terceiro maior contribuinte estacionário para as emissões globais de CO2, com cerca de 1,3 gigatoneladas por ano. No auge, o setor chegou a responder por aproximadamente 4% das emissões globais de CO2 relacionadas à atividade humana. O volume é superior ao gerado por grandes meios de transporte, como o marítimo e a aviação, o que ajuda a dimensionar o impacto que o refino molecular poderia ter caso a tecnologia venha a ser implementada em larga escala. The post Refino de petróleo ganha técnica que reduz consumo de energia appeared first on CicloVivo.