Dupla síria deixa campo de refugiados em busca de sonho no taekwondo

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Viver exilado no campo de refugiados de Azraq, na Jordânia, nunca foi a vida que Mahmoud Jasem Muhammad ou Tala Hasan Hunaidi escolheram para si.Por isso, quando o taekwondo ofereceu uma fuga do trauma de deixar uma Síria devastada pela guerra — e a oportunidade de competir ao lado da elite de lutadores do continente nos Jogos Asiáticos —, os dois agarraram a chance. Leia mais UFC: Birmânes vence brasileiro em revanche e mantém cinturão do peso-mosca Quem é Joanna Wietrzyk, atleta que teve incontinência fecal durante prova CBV repudia racismo contra o Evandro nos Jogos Sul-Americanos, na Argentina Pela primeira vez na história de seu principal evento, o Conselho Olímpico da Ásia (OCA) está levando aos Jogos uma equipe formada especificamente por refugiados, composta pelos dois atletas sírios de taekwondo.“Estar aqui hoje não se trata apenas de competir em mais um torneio”, disse Muhammad, que disputará a categoria kyorugui masculina até 80 kg, a jornalistas nesta segunda-feira (21).“Estou carregando uma história comigo — uma história que, se Deus quiser, se tornará uma história de sucesso. Levo essa história comigo para cada luta. Não deixamos nosso país por escolha. Foi por causa das difíceis condições de vida e das guerras que aconteceram, então fomos obrigados a partir e nos mudar para outro país para construir uma vida lá”, relembrou.O atleta de 24 anos disse que não está nos Jogos apenas para participar.“A preparação foi realmente intensa, e nosso objetivo não é apenas participar — esperamos conquistar algo, se Deus quiser.”Ver esse post no InstagramUm post compartilhado por Olympic Council of Asia (@asiangamesoca)Agradecimento ao COIHunaidi também expressou gratidão ao Comitê Olímpico Internacional (COI), ao OCA e à Federação Mundial de Taekwondo por ajudá-la a realizar esse sonho.“O esporte me transformou para melhor. Tornei-me uma pessoa diferente. Agora tenho esperança, além de sonhos e ambições para o futuro”, disse a jovem de 18 anos.“Conhecemos um lado diferente da vida e agora temos esperança. Aprendemos que nada é impossível. Às vezes, as coisas podem ser difíceis, mas, com o tempo, você consegue superá-las e seguir em frente”, completou.Shiva Kesavan, vice-presidente do Comitê de Atletas do OCA, elogiou os dois atletas como exemplos a serem seguidos, destacando que eles foram integrados à comunidade mais ampla dos Jogos Asiáticos.“Pode ser difícil para eles chegarem diretamente aos Jogos Asiáticos e verem aqui os principais talentos do continente. Eles têm seus objetivos pessoais, mas, mais importante, agora fazem parte de uma comunidade. Eles farão amigos que os apoiarão, e essa é a conexão humana que o esporte proporciona”, disse Kesavan à Reuters.“Então eu digo a eles: ‘Sem pressão, vocês já são exemplos para todos nós. Todos nós admiramos vocês. Então, apenas entrem lá, aproveitem o momento e expressem-se por meio do esporte’”, acrescentou.Conheça a campeã de taekwondo afegã que desafia o Talibã entre ameaças