As maiores quedas da Bolsa podem esconder oportunidades para quem busca ações descontadas. Mas, por trás de uma cotação em baixa, também podem existir armadilhas capazes de aprofundar os prejuízos dos investidores.Nos últimos meses, algumas empresas viram suas ações despencarem e perderam a confiança do mercado. Enquanto umas cortam custos, vendem ativos e reduzem dívidas, outras ainda lutam para recuperar os resultados.Afinal, comprar uma ação depois de uma queda expressiva é uma oportunidade de recuperação ou uma armadilha para o investidor? No Money Picks desta semana, descubra se hora de comprar, ou de vender.Hapvida (HAPV3)A Hapvida acumula queda de 92% desde o IPO, em 2018, e de mais de 50% em 2026. Apesar do desempenho negativo, o BB Investimentos calcula preço-alvo de R$ 12, com potencial de valorização de quase 63%. A recomendação, porém, permanece neutra, já que a companhia ainda precisa demonstrar capacidade de gerar caixa e reduzir o endividamento.Entre os avanços, a empresa anunciou, em agosto, uma redução de mais de R$ 322 milhões na dívida bruta, por meio da recompra de debêntures e da liquidação antecipada de um contrato de swap, ambos com desconto. Para o BB, a medida pode reduzir a alavancagem e as despesas financeiras futuras, mas a recuperação ainda depende de resultados consistentes.CSN (CSNA3)O BTG Pactual voltou a enxergar uma oportunidade de compra nas ações da CSN, com preço-alvo de R$ 10 e potencial de valorização superior a 57%. A mudança de percepção está relacionada à chegada de Fabio Schvartsman à presidência, que traz como prioridade a redução do endividamento. Segundo o banco, a nova gestão pode acelerar a venda de ativos, melhorar a alocação de capital e destravar valor para os acionistas.A possível venda da CSN Cimentos é um dos principais gatilhos, enquanto a companhia também avalia desinvestimentos em infraestrutura, energia e operações internacionais. Apesar do potencial de recuperação, a recomendação do BTG permanece neutra, devido aos desafios na geração de caixa e à necessidade de executar o plano de desalavancagem.Smart Fit (SMFT3)O Santander mantém recomendação de compra para a Smart Fit, com preço-alvo de R$ 35 e potencial de alta de 98%, mesmo diante da desaceleração na abertura de novas academias. Para o banco, o mercado pode estar dando peso excessivo ao ritmo de expansão física e deixando em segundo plano outros motores de crescimento, como a TotalPass e a alavancagem operacional, que contribui para a expansão das margens.Uma expansão mais disciplinada pode favorecer a geração de caixa, reduzir a necessidade de investimentos e ampliar a flexibilidade financeira da companhia. O Santander estima crescimento médio de aproximadamente 30% ao ano no lucro por ação entre 2025 e 2028 e vê oportunidades na expansão da TotalPass para servidores públicos.Direcional (DIRR3)A Direcional integra as recomendações da Empiricus Research por sua exposição ao mercado de habitação popular e pela eficiência operacional. A construtora utiliza um modelo de construção industrializado, que ajuda a reduzir desperdícios e controlar custos, resultando em margens entre as mais altas do setor. A demanda também é favorecida por mudanças no Minha Casa Minha Vida, como aumento dos tetos dos imóveis e prazos maiores de financiamento.A companhia vem registrando recordes de lançamentos, vendas e lucro, além de contar com um dos maiores bancos de terrenos do segmento. Para a Empiricus, o mercado ainda subestima o potencial de resultados da empresa.O Money Picks vai ar toda segunda-feira, às 8h, no canal do YouTube do Money Times.*Com supervisão de Renan Sousa