Transformar dados sobre sinistros em ações capazes de evitar novas ocorrências foi um dos principais pontos defendidos pela Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) durante o 5º Seminário Internacional de Segurança no Trânsito: Investigação Preventiva de Sinistros de Trânsito, realizado em 17 de setembro de 2026, em Brasília.Mais dados, melhores decisões nas rodoviasO superintendente de Infraestrutura Rodoviária da ANTT, Fernando Bezerra, participou do painel “Visão Sistêmica e Segurança Viária: da Investigação à Ação na Infraestrutura”. O debate reuniu representantes do poder público e do setor de concessões para discutir como a investigação dos sinistros pode contribuir para decisões mais precisas e para a prevenção de novas ocorrências. Bezerra destacou que a investigação não busca apenas identificar culpados, mas encontrar soluções para evitar que acidentes semelhantes aconteçam novamente.Organizado pelo Centro Nacional de Estudos de Sinistros de Trânsito (CNEST), o encontro contou com especialistas brasileiros e estrangeiros, incluindo instituições como CENIPA, Guarda Civil Espanhola, CEI-RAT da Argentina e Comissão Econômica das Nações Unidas para a Europa (UNECE).Nos últimos anos, a ANTT ampliou a quantidade de informações disponíveis sobre as rodovias concedidas. Sistemas de monitoramento, câmeras, conectividade nas estradas e novas tecnologias permitem conhecer melhor a operação das vias e o comportamento dos usuários. Um dos principais instrumentos é o Sistema de Informações Rodoviárias (SIR), alimentado pelas concessionárias com dados sobre tráfego, infraestrutura, operação e sinistros. Essas informações subsidiam o acompanhamento operacional da Agência e estão disponíveis, em parte, na plataforma de dados abertos.Bezerra ressaltou que o avanço tecnológico traz o desafio de melhorar o tratamento dos dados para direcionar melhor os investimentos, evitar retrabalho e salvar vidas. A criação do CNEST representa uma oportunidade para aproximar a investigação detalhada dos sinistros da gestão das rodovias.A ANTT pretende atualizar o Programa Vias Seguras, criado em 2022, e discutir formas de incorporar o trabalho de investigação ao ambiente das concessões. A proposta é que as conclusões obtidas a partir das ocorrências ajudem a responder qual é a intervenção mais adequada para reduzir o risco naquele ponto da rodovia.Rodovias como organismo vivoBezerra destacou que os contratos de concessão são de longo prazo, mas as condições das rodovias mudam continuamente. O crescimento das cidades, alterações no tráfego, novos acessos e mudanças no perfil dos usuários podem criar necessidades que não existiam quando o contrato foi assinado. “A rodovia é um organismo vivo. Ela vai se modificando ao longo dos anos, seja por questões de fluidez, seja por questões de segurança.”Embora os contratos passem por revisões estruturadas ao longo de sua duração, a regulamentação permite incorporar intervenções de segurança sem aguardar esses ciclos. Obras como áreas de escape, passarelas e outras melhorias podem ser incluídas por meio de revisões extraordinárias e termos aditivos quando a necessidade é identificada.A investigação dos sinistros, associada aos dados de tráfego, às condições da infraestrutura e à análise técnica, passa a ser uma das ferramentas para definir onde e como agir.São Paulo lidera investimentos em infraestrutura no Brasil, com R$ 493,7 bilhões em transporte e logística Pesquisas brasileiras vencem prêmio de mobilidade sustentável Letícia Queiroz participa de episódio sobre segurança das mulheres nas rodovias ARTESP orienta motoristas para dirigir com segurança no período de chuvas Duplicação da Rodovia Lívio Tagliassachi chega a 92% e terá novas intervenções nesta semanaPalestra magna marca seminário sobre regulação rodoviária IA aplicada à engenharia ganha espaço na pavimentação e infraestrutura Paving Expo 2026 reúne especialistas para debater pavimentação e futuro das rodoviasPaving Expo 2026 reúne tecnologias e debate soluções para a infraestrutura viária brasileira Segurança além das obrasO trabalho de prevenção não se limita à infraestrutura. O Programa Vias Seguras levou a ANTT a criar a Coordenação de Segurança Viária e Educação no Trânsito, responsável pelo acompanhamento de estatísticas, programas e ações educativas nas concessões. Parte dos contratos prevê recursos específicos para segurança e educação no trânsito, utilizados inclusive em parcerias com instituições como a Polícia Rodoviária Federal (PRF).Durante o painel, Bezerra citou uma experiência na rodovia administrada pela EcoAraguaia, onde câmeras registram condutores que realizam ultrapassagens proibidas. A PRF aborda os motoristas e utiliza as imagens em uma ação educativa, mostrando o risco do comportamento flagrado. Para o superintendente, iniciativas desse tipo mostram como tecnologia, fiscalização e educação podem atuar de forma conjunta.A ANTT também promove o EDUCAVias, iniciativa voltada à educação e à segurança no trânsito. A próxima edição será realizada em 24 de setembro, durante a Paving Expo, em São Paulo. O programa integra ações para aproximar concessionárias, órgãos públicos e entidades do setor em torno da prevenção de sinistros.Investigação para prevenirBezerra reforçou que a expansão da malha concedida e o aumento da quantidade de informações disponíveis tornam ainda mais importante integrar investigação, dados e tomada de decisão. A ANTT conta atualmente com 35 contratos de concessão rodoviária, em uma malha superior a 17 mil quilômetros.Nesse cenário, ampliar a qualidade das análises passa a ser tão importante quanto ampliar a quantidade de informações coletadas. “A gente precisa colocar a investigação dos acidentes no contexto das concessionárias para direcionar melhor os investimentos. Com estudos mais detalhados, conseguimos otimizar recursos, evitar retrabalho e, principalmente, salvar mais vidas”, concluiu.O post ANTT reforça uso de dados para ampliar segurança nas rodovias apareceu primeiro em Mobilidade Sampa.