O deputado europeu Francisco Assis denunciou a tentativa de transformar uma carta de três parlamentares europeus em suposta posição da União Europeia contra o Brasil. O documento, repercutido por Eduardo Bolsonaro e Paulo Figueiredo, questiona instituições brasileiras e pede a avaliação de possíveis sanções contra autoridades do país.“A propósito das eleições presidenciais brasileiras, vejam como se fabrica uma mentira”, escreveu Assis. Sua crítica é dirigida à construção de uma aparência de respaldo institucional europeu para acusações contra a democracia brasileira: uma carta de parlamentares passa a ser apresentada como sinal de que o bloco se prepara para agir.Encaminhada a Kaja Kallas, alta representante da União Europeia para os Negócios Estrangeiros e a Política de Segurança e vice-presidente da Comissão Europeia, a carta é assinada por Carlo Fidanza, Adam Bielan e Mariusz Kamiński. Ao repercuti-la, Eduardo afirmou que autoridades brasileiras entravam “na mira das autoridades europeias”. Figueiredo divulgou o pedido de análise de sanções. A iniciativa dos signatários, por si só, não constitui uma decisão da União Europeia.Assis, que criticou Eduardo nominalmente em sua publicação, classificou a carta como “um panfleto de combate contra a democracia”. Questionado sobre sua avaliação das eleições brasileiras, o deputado afirmou à coluna confiar nas garantias institucionais do país e destacou uma preocupação com a atuação externa durante a disputa. “O modelo institucional garante a fiabilidade do processo eleitoral, como se verificou em todas as eleições ocorridas após a restauração da democracia. O que me preocupa neste momento é outra coisa: o risco de interferência externa no período que precede as eleições.”O deputado também ressaltou sua confiança na sociedade e nas instituições brasileiras: “Confio, de qualquer modo, na capacidade crítica da sociedade brasileira e na actuação das instâncias judiciais a quem compete o acompanhamento do processo eleitoral.”Sobre a repercussão da situação brasileira na Europa, Assis destacou que o Parlamento Europeu reúne famílias políticas diversas, com avaliações diferentes sobre o Brasil. Ao falar de seu próprio grupo, o S&D, afirmou: “No caso do S&D, o grupo da social-democracia europeia em que me integro, olhamos com confiança para o futuro da democracia brasileira.”