Os primeiros dias da Semana do Clima em Nova York deixaram uma impressão muito clara: já não basta concordar com o diagnóstico. É preciso encarar, com seriedade, a necessidade de mudar a forma como empresas, governos e instituições multilaterais atuam diante dos desafios do nosso tempo.No SDG in Brazil, realizado pelo Pacto Global da ONU, ouvi uma mensagem particularmente relevante para nós: empresas e governos precisam estar no mesmo lado da mesa. Sr. Ole Lund Hansen, chefe de operações do Pacto Global da ONU destacou a criatividade das empresas brasileiras e o potencial que temos para liderar as transformações necessárias ao alcance dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável.O Brasil convive, ao mesmo tempo, com uma das maiores biodiversidades do planeta, grandes desigualdades sociais, desafios de infraestrutura e um setor produtivo capaz de criar soluções em escala. Essa combinação pode nos tornar um laboratório de respostas para o mundo quando a criatividade se transformar em execução, políticas públicas consistentes e colaboração de longo prazo.Também foi importante ouvir do embaixador do Brasil na ONU, Sérgio Danese, um lembrete sobre as conquistas históricas da instituição. Ao longo de décadas, a ONU ajudou a ampliar avanços humanitários, ambientais e de paz como resultado de cooperação internacional, pactos e persistência. Leia também: 1.Ultrapassar 1,5°C será inevitável, aponta novo relatório da ONU 2.ONU propõe novo modelo para medir progresso além do PIB Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) foram adotados pelos 193 Estados-membros da ONU em 2015 como um plano de ação global para erradicar a pobreza e construir um mundo mais próspero, sustentável e justo até 2030. Foto: © ONU.Ao mesmo tempo, a instituição precisa evoluir para responder aos problemas modernos. A crise climática, as novas tensões geopolíticas, a desigualdade e a velocidade das transformações tecnológicas exigem uma revisão crítica de estruturas, métodos de trabalho e compromissos. A discussão sobre a relevância da ONU diante de uma nova configuração geopolítica já está em curso — e ela é necessária para que o multilateralismo continue sendo parte da solução.Os painéis com Motiva, Nestlé e Bradesco trouxeram experiências concretas que ajudam a tirar a sustentabilidade do campo abstrato. Cada uma, a seu modo, mostrou que a transição acontece quando o tema entra na estratégia, na operação e na cultura das organizações. Não se trata de criar uma agenda paralela, mas de redesenhar a forma de decidir, investir e medir resultados.O debate sobre financiamento também avançou. A experiencia do banco Itaú sobre o Eco Invest Brasil evidenciou como mecanismos financeiros podem ajudar a direcionar capital para iniciativas que combinem impacto, competitividade e desenvolvimento. Sem recursos bem alocados, metas climáticas continuam sendo boas intenções. Com instrumentos adequados, elas passam a disputar espaço real no orçamento, nas decisões de investimento e nos planos de crescimento.Foto: Michele Henderson | Unsplash Leia também: 1.Financiamento de adaptação equivale a um dia de subsídios a fósseis 2.“Atraso no financiamento climático pode levar a um futuro devastador” No dia 21, participei da reunião de conselho da plataforma Inovação e Sustentabilidade do Fórum Econômico Mundial. Ali, a mensagem foi semelhante: o mundo mudou, e as nossas ações também precisam se adaptar. Ajustar a rota não significa reduzir a ambição climática, significa buscar mais efetividade.Precisamos de um pragmatismo consciente do nosso papel na sustentabilidade, mas igualmente seguro de que os negócios precisam se perpetuar para financiar a própria transição. Empresas financeiramente saudáveis têm mais capacidade de inovar, investir, contratar, medir impacto e escalar soluções. Sustentabilidade e resultado não são forças opostas: quando bem integrados, tornam-se condição para a resiliência de longo prazo.Nesse contexto, a tecnologia pode automatizar processos repetitivos, qualificar dados, reduzir assimetrias de informação e liberar tempo para o que realmente importa: estratégias capazes de unir resultado econômico e equilíbrio socioambiental.Economia Circular. Fonte: Fundação Ellen MacArthurNa economia circular e na logística reversa, isso é especialmente visível. A tecnologia precisa simplificar a vida de quem opera na ponta, tornar a rastreabilidade mais confiável, valorizar o trabalho das pessoas que recuperam materiais e oferecer dados transparentes para empresas e governos. Inovação não pode ser um fim em si mesma; precisa resolver a complexidade real do Brasil. Leia também: 1.Reciclagem avança rumo ao mercado de créditos de carbono 2.O que é economia circular? Esta primeira etapa da Semana do Clima deixa, portanto, um convite à maturidade. As instituições precisam se renovar. Governos e empresas precisam cooperar. O capital precisa alcançar as soluções certas. E nós precisamos ter coragem para mudar modelos que já não respondem à urgência do presente.O desafio é enorme, mas a oportunidade também. A pergunta não é mais se a mudança será necessária. Ela já é. A pergunta é se conseguiremos conduzi-la com velocidade, responsabilidade e a inteligência necessária para transformar ambição em resultado.Conteúdo enviado por Rodrigo Oliveira é CEO e cofundador da Green MiningColunistas CicloVivo: Neste espaço, especialistas de diversas áreas compartilham opiniões e pontos de vista, que não necessariamente refletem o posicionamento do CicloVivo. The post Semana do Clima: é hora de encarar a necessidade de mudanças appeared first on CicloVivo.