O Google lançará na próxima semana um satélite equipado com chips de IA para colocar o Projeto Suncatcher à prova. A missão investiga se o espaço poderá abrigar, no futuro, estruturas de computação abastecidas pela luz solar.Segundo o The New York Times, o teste também servirá para descobrir como os componentes se comportam diante da radiação, das temperaturas extremas e do vácuo. Outro ponto central será o sistema criado para retirar o calor dos chips sem depender de circulação de ar.O Google quer descobrir como seus chips de IA se comportam diante da radiação e das temperaturas extremas do espaço. – Imagem: Rawpixel.com/ShutterstockO primeiro teste em órbitaO lançamento será feito em parceria com a Planet Labs, no voo compartilhado Transporter-18, da SpaceX. Em órbita baixa da Terra, o satélite levará quatro unidades de processamento de tensor (TPUs) do Google para verificar se conseguem executar tarefas de IA com precisão.A ideia surgiu diante do aumento da demanda por energia para alimentar sistemas de inteligência artificial. Em órbita, futuros centros de dados poderiam receber luz solar por períodos muito mais longos e escapar de algumas das limitações enfrentadas pela infraestrutura terrestre.Por enquanto, a missão está bem distante disso. O satélite é um protótipo. A prioridade é obter dados em órbita e descobrir onde o projeto pode falhar.Os principais pontos de atenção são:Resistência dos chips à radiação;Comportamento do hardware em temperaturas extremas;Remoção do calor no vácuo;Custo dos lançamentos;Fabricação de satélites em grande escala.Como o Google pretende resfriar a IAOs chips produzem calor enquanto processam informações. Em computadores convencionais, ventiladores ajudam a dissipá-lo. No espaço, porém, não há ar para fazer esse trabalho.O Google recorreu a outra solução: tubos de calor e radiadores. O sistema transporta o calor dos componentes até estruturas que conseguem liberá-lo para o espaço.A radiação é outro problema. Ela pode provocar alterações nos dados processados pelos componentes, conhecidas como “bit flips”. O Google já submeteu suas TPUs a testes na Universidade da Califórnia em Davis, mas a experiência em órbita será necessária para saber como o hardware reage nas condições reais.O Google planeja lançar dois satélites em 2027 para testar conexões a laser entre futuros grupos de computadores em órbita. – Imagem: Bendix M/ShutterstockPróximos passos do SuncatcherO Google planeja lançar dois satélites em 2027 para testar conexões a laser de alta largura de banda. Esse tipo de comunicação será necessário para interligar futuros grupos de computadores em órbita.SpaceX e Starcloud também estudam estruturas de computação no espaço. A tecnologia, contudo, ainda está a anos de uma possível operação comercial, segundo especialistas, devido aos custos de lançamento, às dificuldades de engenharia e aos gargalos na fabricação dos satélites.Leia mais:AMD chega a US$ 1 trilhão em valor de mercado enquanto avança na disputa com a Nvidia pelo mercado de inteligência artificialQualcomm apresenta Snapdragon 8 Elite Gen 6 e versão Extreme com IA local, gráficos mais avançados e vídeo em 8KNvidia sob pressão? Samsung banca startup que quer mudar arquitetura dos chips de IAJames Manyika, vice-presidente sênior de pesquisa do Google, afirmou que as expectativas para o projeto são moderadas. “Não esperamos, para ser perfeitamente francos, que tenhamos nada operacionalmente útil nos próximos anos”, disse, comparando o trabalho ao longo período de pesquisa que antecedeu os carros autônomos da empresa.O primeiro voo do Suncatcher, portanto, não pretende entregar um centro de dados orbital pronto. O Google quer descobrir se os componentes básicos conseguem sobreviver e trabalhar no ambiente espacial antes de transformar a ideia em algo muito maior.O post Google leva chips de IA para o espaço em teste que pode mudar o futuro dos centros de dados apareceu primeiro em Olhar Digital.