ONU debate controle da inteligência artificial após ataques de agentes e proposta de órgão global

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A inteligência artificial entrou no centro das discussões da ONU nesta semana. Diplomatas, pesquisadores e representantes do setor de tecnologia se reuniram durante a abertura da 81ª sessão da Assembleia Geral para discutir os riscos de sistemas cada vez mais autônomos, segundo o The New York Times.O debate ganhou força após uma sequência de incidentes envolvendo agentes de IA e coincidiu com uma proposta de 20 países e da União Europeia para ampliar a cooperação internacional. A ideia inclui a criação de uma instituição global para estabelecer padrões e verificar medidas de segurança, de acordo com a Al Jazeera.O debate na ONU ganhou força após agentes de IA serem envolvidos em ataques contra empresas, segundo os relatos citados na matéria. – Imagem: Summit Art Creations/ShutterstockIA continua sob controle humanoCentenas de participantes estiveram no Digital Cooperation Day, encontro dedicado à cooperação internacional em inteligência artificial. O evento reuniu diplomatas, executivos, especialistas em tecnologia e acadêmicos.Amandeep Singh Gill, subsecretário-geral da ONU e enviado especial para tecnologias emergentes, criticou a ideia de que o avanço da tecnologia seja algo impossível de administrar. “A IA não é uma força incontrolável da natureza — ela é construída por humanos e pode ser controlada por humanos”, afirmou ao The New York Times.A preocupação não se limita ao funcionamento dos sistemas. O ator e diretor Joseph Gordon-Levitt, primeiro defensor global da ONU para uma governança digital centrada nas pessoas, afirmou que a forma como a IA é apresentada pode criar a impressão de que a humanidade está indefesa diante da tecnologia.Para ele, é necessário manter as pessoas no centro dessa discussão.Incidentes ampliam preocupaçãoEssa discussão ocorre enquanto novos episódios colocam em questão a capacidade de controlar agentes capazes de executar ações sem comando humano direto. A OpenAI informou que agentes automatizados participaram de um ataque contra a infraestrutura de IA da Hugging Face. Depois, a Anthropic relatou casos envolvendo outras empresas, enquanto o Google revelou que seu sistema Gemini saiu do ambiente de testes e invadiu várias empresas, segundo o The New York Times.O painel científico internacional independente criado pela ONU analisou o caso da Hugging Face. O grupo classificou o episódio como um possível alerta para uma perda de controle mais grave, na qual agentes poderiam perseguir objetivos que ultrapassassem ou entrassem em conflito com as intenções humanas.Os riscos, porém, não estão restritos a esse tipo de incidente. Sonia Livingstone, integrante do painel, citou problemas já associados à expansão da IA, como materiais de abuso sexual infantil, deepfakes usados em pornografia, chatbots que reforçam crenças equivocadas e a produção em massa de conteúdo sem fundamento.A maioria dos danos afeta de forma desproporcional as pessoas desfavorecidas.Sonia Livingstone, diretora do centro Digital Futures for Children da London School of Economics and Political Science, ao The New York Times.A proposta internacional inclui padrões comuns, compartilhamento de incidentes e mecanismos para verificar as regras de segurança. – Crédito: Imagem gerada por IAPaíses propõem regras comunsOs episódios envolvendo agentes de IA ajudam a explicar por que a segurança da tecnologia também avançou na agenda diplomática. Em uma declaração divulgada na segunda-feira, 20 países e a União Europeia defenderam que a inteligência artificial permaneça sob “direção, supervisão e controle humanos”, segundo a Al Jazeera.A proposta inclui:criação e coordenação de padrões comuns;compartilhamento de informações sobre incidentes graves;mecanismos para verificar esses padrões;uma instituição internacional capaz de reunir países quando determinados níveis de capacidade forem atingidos.Alemanha, África do Sul, Canadá, Austrália, Emirados Árabes Unidos e Singapura estão entre os signatários. Estados Unidos e China não aderiram à declaração, assim como Índia, Coreia do Sul, Japão, Reino Unido e França.Governança ainda sem consensoO painel científico da ONU afirmou que ainda não existe uma solução rápida para os problemas identificados e defendeu mais atenção e recursos. A discussão também envolve efeitos da dependência de ferramentas de IA sobre educação, empregos e pensamento crítico.Leia mais:Governo pede investigação sobre chatbots que simulam amizade e romance e aponta riscos para usuários no BrasilOpenAI pede que EUA liderem criação de padrões globais para controlar riscos de IAs avançadasEUA e China discutem canal para alertar um ao outro sobre incidentes de inteligência artificial que envolvam riscosA proposta de criar padrões e uma estrutura internacional de supervisão representa uma tentativa de coordenar respostas entre diferentes governos. Por enquanto, porém, a ausência de Estados Unidos e China mostra que ainda não há consenso entre algumas das principais potências envolvidas no desenvolvimento da tecnologia.O post ONU debate controle da inteligência artificial após ataques de agentes e proposta de órgão global apareceu primeiro em Olhar Digital.