Demanda nos EUA por remédios da Novo leva Dinamarca a dobrar projeção de crescimento

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Os medicamentos para perda de peso estão mudando o cenário econômico sob diversos ângulos. Além de remodelarem os setores de saúde, varejo e lazer, empregadores, incluindo o Bank of America, passaram a oferecer acesso a esses medicamentos como parte de seus benefícios de saúde.Na verdade, o impacto dos medicamentos da classe GLP-1 se tornou tão grande que já influencia as projeções para toda a economia da Dinamarca, país que abriga a gigante farmacêutica Novo Nordisk, fabricante do Ozempic e do Wegovy.Em um relatório especial, o Danmarks Nationalbank (o banco central da Dinamarca) destacou que a indústria farmacêutica do país registrou crescimento “extraordinário” no primeiro semestre de 2026, com uma parcela cada vez maior da produção ocorrendo no exterior sob propriedade de empresas dinamarquesas.O relatório, divulgado hoje, acrescenta: “O crescimento se deve principalmente às vendas e à produção da Novo no mercado americano no início deste ano. Isso reflete o acordo da Novo com o governo dos Estados Unidos, que, desde o início do ano, entre outras medidas, ampliou o acesso a uma base maior de pacientes por meio de programas públicos de seguro-saúde.”A Novo é mais conhecida por seus medicamentos para obesidade e diabetes, mas também desenvolve tratamentos para hemofilia e terapias de reposição hormonal.No entanto, o relatório esclarece que o acordo com o governo americano é focado nos medicamentos para perda de peso e diabetes. A Casa Branca anunciou no ano passado que havia garantido da Novo uma política de preços baseada no modelo de “nação mais favorecida avançada”, o que significa preços mais baixos para pacientes do Medicare e clientes do programa TrumpRx. Um mês depois, a Food and Drug Administration (FDA) aprovou a versão em comprimido do Wegovy, a primeira desse tipo a receber autorização da agência reguladora.A dimensão do crescimento da Novo se tornou tão grande que permitiu ao banco central revisar suas estimativas para toda a economia dinamarquesa. Em março, a instituição projetava crescimento de 1,8% em 2026 e 2027 e de 2% em 2028. O setor farmacêutico não era mencionado naquela atualização.Na revisão divulgada nesta semana, o Danmarks Nationalbank passou a projetar crescimento de 4% neste ano, 2,3% em 2027 e 2% em 2028.O relatório explica: “A revisão para cima de 2,2 pontos percentuais reflete principalmente dois fatores que já ocorreram. Primeiro, o crescimento no primeiro semestre de 2026 foi mais forte do que o esperado em março. Isso se deve tanto ao crescimento real da indústria farmacêutica acima do previsto quanto ao desempenho da economia dinamarquesa como um todo, que também superou as expectativas. Em segundo lugar, as revisões das estimativas do PIB fornecem uma base mais sólida para o crescimento em 2026.”Entre os fatores de risco para a economia, o banco cita o aumento das expectativas de inflação e as incertezas relacionadas ao conflito no Oriente Médio e aos preços elevados do petróleo.Vítima do próprio sucessoNo entanto, o fato de a demanda pelos produtos da Novo e a produção no exterior serem tão expressivas significa que a economia doméstica dinamarquesa não está capturando todos os benefícios desse avanço.Como destacou o presidente do banco central, Christian Kettel Thomsen: “A economia dinamarquesa tem resistido até agora às turbulências globais. Esperamos forte crescimento do PIB neste ano, mas sem sinais de pressões adicionais sobre salários ou preços. Isso ocorre porque grande parte desse crescimento vem da produção realizada no exterior, que utiliza mão de obra e capital dinamarqueses apenas de forma limitada.”O relatório acrescenta que, ao garantir acesso a milhões de consumidores americanos por meio do governo dos Estados Unidos, a redução negociada dos preços deverá prejudicar os termos de troca da economia nos próximos anos.Segundo o documento: “As exportações reais de bens aumentaram ao mesmo tempo em que os preços dos produtos exportados pelas empresas dinamarquesas caíram. Desde o início do ano, essa queda decorre em grande parte do acordo da Novo com o governo americano, que incluiu uma redução de até 30% no preço de venda de determinados medicamentos para perda de peso e diabetes. Em contrapartida, os preços do restante das exportações de bens permaneceram mais estáveis no começo do ano.”© 2026 Fortune Media IP LimitedThe post Demanda nos EUA por remédios da Novo leva Dinamarca a dobrar projeção de crescimento appeared first on InfoMoney.