O ex-deputado distrital Carlos Pereira Xavier foi condenado a 14 anos e 3 meses de prisão em regime fechado pelo homicídio do jovem Ewerton da Rocha Ferreira, 16 anos, em março de 2004. A sentença do juiz Valter André de Lima Bueno Araújo foi proferida nesta quinta-feira (24/9) pela Vara Criminal e do Tribunal do Júri do Recanto das Emas, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT).O Conselho de Sentença reconheceu a materialidade do crime e a autoria ou participação do réu, afastando a possibilidade de absolvição e reconheceu a qualificadora sustentada pela acusação, em virtude da vítima ser um adolescente. O reú foi condenado por homicídio qualificado. Leia também Grande AngularEx-deputado Carlos Xavier é condenado a 14 anos por homicídio de jovem Distrito FederalPai de jovem morto diz que ex-deputado Carlos Xavier ameaçou filho Distrito Federal“Teria que ter matado muita gente”, diz Xavier sobre supostos amantes da ex “A vítima era adolescente. A pouca idade justifica o desvalor das consequências Por fim, não há provas seguras de que o comportamento da vítima concorreu para o fato”, diz a sentença.5 imagensFechar modal.1 de 5Carlos Xavier foi julgado na quarta-feira (23/9) no Tribunal do Júri, no Recanto das EmasLUIS NOVA / METRÓPOLES@LuisGustavoNova2 de 5Durante o julgamento, foram ouvidas oito testemunhas, entre familiares e autoridades policiais da épocaLUIS NOVA / METRÓPOLES@LuisGustavoNova3 de 5A sentença proferida pelo juiz condenou Carlos Xavier por homicídio qualificadoLUIS NOVA / METRÓPOLES@LuisGustavoNova4 de 5A condenação prevê 14 anos e 3 meses de prisãoLUIS NOVA / METRÓPOLES@LuisGustavoNova5 de 5Apesar da condenação, Carlos Xavier só poderá ser preso após as eleições, já que ele concorre como a um cargo de deputado distritalLUIS NOVA / METRÓPOLES@LuisGustavoNovaXavier foi julgado pelo Tribunal do Júri nessa quarta-feira (23/9). O julgamento contou com oito testemunhas, entre elas, os pais de Ewerton, a ex-esposa do condenado, delegados da época e o ex-diretor da Polícia Civil do DF, Laerte Bessa. O ex-deputado foi o último a ser ouvido no Fórum do Recanto das Emas.Segundo a acusação, o ex-deputado acreditava que o jovem mantinha um relacionamento com a esposa dele e decidiu encomendar o crime. O ex-parlamentar teria pagado R$ 15 mil pela execução do adolescente.O corpo de Ewerton foi encontrado com marcas de tiros de revólver atrás de uma parada de ônibus no Recanto das Emas. Na época do crime, Xavier era casado havia 14 anos e, segundo os autos, suspeitava de que a esposa mantinha relacionamentos extraconjugais com adolescentes, entre eles Ewerton.Execução da penaNa sentença, o magistrado determinou a execução provisória da pena. A decisão cita entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF), segundo o qual a soberania dos veredictos do Tribunal do Júri permite a execução imediata da condenação imposta pelos jurados, independentemente do tamanho da pena.Embora tenha determinado a execução provisória da pena, o juiz decidiu adiar a prisão de Carlos Pereira Xavier. A sentença destaca que o condenado é candidato à deputado distrital nas próximas eleições, que serão realizadas em 4 de outubro. O magistrado determinou que o mandado de prisão seja expedido somente no dia seguinte ao pleito.Relembre o casoCarlos Xavier chegou a ser condenado a 15 anos de prisão pelo homicídio de Ewerton. Em 2024, porém, o julgamento que resultou na condenação foi anulado pela Justiça.A anulação ocorreu após a defesa apresentar novos elementos ao processo, entre eles um relatório policial e depoimentos dos policiais civis Adamastor Castro e Lino de Andrade Júnior. Os dois participaram da investigação do caso quando estavam lotados na antiga Coordenação de Investigação de Crimes Contra a Vida (Corvida), atual Delegacia de Homicídios.A condenação anterior também levou à cassação do mandato de Carlos Xavier. Ele foi o primeiro parlamentar da história da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) a perder o mandato em decorrência de uma condenação criminal.Trajetória políticaCarlos Xavier exerceu três mandatos como deputado distrital. Foi eleito em 1994, 1998 e 2002, pelo PPB e pelo PSD.Durante a atuação na Câmara Legislativa, foi autor da Lei nº 893, de 1995, que instituiu o Dia do Evangélico no calendário oficial do Distrito Federal. A data é celebrada em 30 de novembro.Nas eleições de 2026, Carlos Xavier disputa novamente uma vaga de deputado distrital, desta vez pelo partido Democracia Cristã.