Saúde mental ganhou espaço no debate sobre segurança no trânsito em setembro, quando o Setembro Amarelo e a Semana Nacional de Trânsito passaram a destacar o impacto do bem-estar físico e emocional de motoristas na prevenção de acidentes.Estresse, ansiedade, irritabilidade, cansaço e problemas de sono podem comprometer a concentração, a percepção de riscos e a tomada de decisões ao volante. No caso de motoristas de aplicativo e de mobilidade corporativa, a rotina intensa de trânsito, prazos e passageiros amplia esse desafio.“Quando pensamos no motorista de aplicativo, precisamos lembrar que o veículo é o local onde ele passa boa parte do dia, tomando decisões e lidando com trânsito, prazos e outras questões. Cuidar da saúde mental dessa pessoa é cuidar também da segurança dos passageiros e de quem compartilha as ruas e estradas”, afirma Ariane Monaro, diretora executiva da Autonomoz.Saúde mental e estresse também interferem na direçãoDirigir exige atenção constante e uma sequência contínua de decisões. O motorista precisa acompanhar o movimento de veículos, motociclistas, ciclistas e pedestres, interpretar a sinalização e reagir a imprevistos. Nesse cenário, reconhecer sinais de cansaço, estresse ou dificuldade de concentração também faz parte do cuidado com a segurança.Uma pesquisa publicada na revista Psicologia: Ciência e Profissão, do Conselho Federal de Psicologia, avaliou a qualidade do sono, o estresse e a qualidade de vida de motoristas profissionais brasileiros. O estudo encontrou associação entre sono ruim e presença de estresse, além de apontar impacto dessas variáveis sobre a atividade laboral dos condutores.Outro estudo, publicado no Eastern Mediterranean Health Journal, periódico científico da Organização Mundial da Saúde (OMS), analisou fatores de estresse entre motoristas profissionais. Mais de 50% dos participantes relataram acelerações ou desacelerações bruscas relacionadas ao estresse, enquanto mais de um quarto relatou falhas cognitivas associadas ao estresse durante a condução.“Um motorista sob pressão emocional pode ficar mais irritado, ter dificuldade para manter o foco ou tomar decisões de maneira mais impulsiva. O primeiro passo é reconhecer que isso também faz parte da sua saúde. O motorista precisa perceber os próprios limites e procurar ajuda quando alguma coisa não está bem”, afirma Ariane.Saúde mental e sono influenciam a segurança ao volanteSaúde mental e qualidade do sono caminham juntas. Uma revisão sistemática publicada em 2022 no Eastern Mediterranean Health Journal, da OMS, reuniu 17 estudos sobre sonolência e sinistros de trânsito. A análise concluiu que tanto a sonolência quanto a privação de sono estão relacionadas à ocorrência de acidentes. A revisão também indicou que dormir seis horas por dia esteve associado a um risco 33% maior de acidentes em comparação com sete ou oito horas de sono.Na prática, os dados reforçam que a prevenção não depende apenas do comportamento do motorista. Ela também envolve condições que favoreçam atenção, descanso e percepção dos próprios limites.Na Autonomoz, a prevenção faz parte da rotina dos motoristas parceiros, com suporte das viagens em tempo real por videotelemetria e orientações periódicas sobre direção defensiva, condução segura e fadiga. A empresa também acompanha indicadores da operação e reforça práticas que ajudam a reduzir comportamentos de risco.“Segurança também é cuidar de quem está ao volante. Além de orientar sobre os sinais de cansaço e fadiga, a Autonomoz reforça a importância de manter o veículo com a manutenção em dia e em condições seguras para a operação. A prevenção faz parte de uma mobilidade mais responsável e deve estar presente na rotina de motoristas e empresas durante todo o ano”, afirma Ariane.O cuidado com o bem-estar não precisa começar apenas diante de um quadro grave. Mudanças persistentes de humor, irritabilidade acima do habitual, dificuldade para dormir, perda de concentração, cansaço constante e sensação de sobrecarga são sinais que merecem atenção e, quando necessário, avaliação de um profissional de saúde.Cuidados cotidianos também ajudam a manter uma rotina mais saudável e segura, como respeitar períodos de descanso, evitar dirigir com sono, realizar pausas, manter uma alimentação adequada e reconhecer quando não existem condições físicas ou emocionais para continuar ao volante.“Entre profissionais autônomos, ainda existe uma forte cultura de seguir trabalhando mesmo diante do cansaço, do estresse ou de sinais de desgaste emocional. Mas reconhecer que não está bem não significa perder produtividade. Um motorista descansado, atento e emocionalmente equilibrado tem mais condições de exercer sua atividade com segurança. Precisamos falar sobre saúde mental também como parte da valorização desses trabalhadores”, acrescenta Ariane.A Autonomoz é uma empresa brasileira especializada em mobilidade corporativa e transporte de colaboradores. Por meio de uma plataforma tecnológica, ela conecta motoristas parceiros a empresas que precisam organizar o transporte corporativo de funcionários em trajetos urbanos e intermunicipais.Presente em mais de 175 cidades brasileiras e com cerca de 900 motoristas parceiros, a empresa atende organizações que buscam reduzir custos com transporte de funcionários, otimizar a gestão da mobilidade empresarial e eliminar a necessidade de manutenção de frota própria.O post Saúde mental ao volante entra no debate sobre segurança no trânsito apareceu primeiro em Mobilidade Sampa.