O ex-deputado distrital Carlos Pereira Xavier, conhecido como Adão Xavier, será julgado nesta quarta-feira (23/9) pelo Tribunal do Júri do Recanto das Emas. Ele é acusado de mandar matar o adolescente Ewerton da Rocha Ferreira, de 16 anos, em março de 2004. O ex-parlamentar responde ao processo em liberdade. Leia também Distrito FederalEx-deputado Carlos Xavier, acusado de mandar matar jovem, tem júri adiado A última vez que o julgamento esteve marcado foi para 9 de setembro, mas a sessão acabou adiada pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT) por “questões de saúde do magistrado”. Este é o quarto adiamento do julgamento e o segundo relacionado a problemas de saúde. A primeira previsão era que o júri ocorresse em fevereiro, mas a sessão foi remarcada após a rescisão unilateral do contrato com a empresa responsável pelo fornecimento de refeições aos tribunais. Em maio, houve um novo adiamento por trâmites judiciais relacionados à defesa.Relembre o casoXavier foi condenado em duas instâncias por mandar matar um adolescente de 16 anos, em 2004;Segundo a acusação, o ex-deputado acreditava que o jovem mantinha um relacionamento com a esposa dele e decidiu encomendar o crime;O ex-parlamentar teria pagado R$ 15 mil pela execução do adolescente;O corpo de Ewerton foi encontrado com marcas de tiros de revólver atrás de uma parada de ônibus no Recanto das Emas;Na época do crime, Adão Xavier era casado havia 14 anos e, segundo os autos, suspeitava que a esposa mantinha relacionamentos extraconjugais com adolescentes, entre eles Ewerton;Ainda conforme o processo, mesmo após ameaças levarem ao fim do relacionamento entre a mulher e o jovem, o ex-parlamentar teria decidido mandar matar o adolescente.Carlos Xavier chegou a ser condenado a 15 anos de prisão pelo homicídio de Ewerton. Em 2024, porém, o julgamento que resultou na condenação foi anulado pela Justiça.A anulação ocorreu após a defesa apresentar novos elementos ao processo, entre eles um relatório policial e depoimentos dos policiais civis Adamastor Castro e Lino de Andrade Júnior. Os dois participaram da investigação do caso quando estavam lotados na antiga Coordenação de Investigação de Crimes Contra a Vida (Corvida), atual Delegacia de Homicídios.A condenação anterior também levou à cassação do mandato de Carlos Xavier. Ele foi o primeiro parlamentar da história da Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) a perder o mandato em decorrência de uma condenação criminal.SaúdeApesar das questões de saúde citadas para o adiamento do julgamento, Carlos Xavier apareceu em vídeo publicado em sua conta pessoal no Instagram no dia 8/9 caminhando durante uma feira.Em outras duas publicações feitas em agosto, o ex-parlamentar aparece internado e aparenta ter passado por um procedimento médico. Nas redes sociais, ele também publicou registros de agendas públicas.Trajetória políticaCarlos Xavier exerceu três mandatos como deputado distrital. Foi eleito em 1994, 1998 e 2002, pelo PPB e pelo PSD.Durante a atuação na Câmara Legislativa, foi autor da Lei nº 893, de 1995, que instituiu o Dia do Evangélico no calendário oficial do Distrito Federal. A data é celebrada em 30 de novembro.Nas eleições de 2026, Carlos Xavier pretende disputar novamente uma vaga de deputado distrital, desta vez pelo partido Democracia Cristã.