Dezenas de câmeras em pontos estratégicos e de diferentes bairros de Itatiba, município de 127 mil habitantes no interior de São Paulo, foram apreendidas durante a Operação Nexus, deflagrada no último dia 15 pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP) e o 1° Batalhão de Ações Especiais (Baep) da Polícia Militar. Segundo as investigações, os equipamentos eram usados por pessoas vinculadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC) para monitorar a presença de viaturas da PM e da Guarda Civil Municipal (GCM).Promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) descobriram que traficantes tinham dois grupos no Whatsapp para finalidades distintas.O primeiro, denominado “30° Encontro dos Cavaleiros da Estrada”, tratava exclusivamente sobre a presença e movimentação de viaturas da PM e GCM de Itatiba. Já o segundo, intutulado “Família Real”, contava com uma centena de pessoas e versava sobre transações ligadas ao tráfico, como a rotatividade de drogas, etc. (veja abaixo)4 imagensFechar modal.1 de 42 de 43 de 44 de 4Mensagens interceptadas pelo MPSP mostram que o primeiro grupo funcionava basicamente por 24 horas diariamente. Há, por exemplo, a troca de informações em períodos matutinos e vespertinos.Relatórios da investigação relacionam que as câmeras utilizadas pelos grupos investigados pertencem a uma associação ligada ao vereador Carlos Eduardo de Oliveira Franco (MDB), o Duguaca, um dos alvo das ordens judiciais de busca e apreensão no âmbito da Operação Nexus.A residência e o gabinete de Duguaca foram alvo da operação. Documentos mostram que a presidência da associação variava entre o parlamentar e a esposa dele. Leia também Mirelle PinheiroLíder do PCC citado na denúncia do caso Milton Leite é preso na Bolívia São PauloEscritório furtado de Milton Leite não foi alvo de operação contra o PCC São PauloSobreviventes de queda de helicóptero têm ligações com o PCC, diz polícia Demétrio VecchioliMais um vereador de São Paulo é investigado por vínculo com o PCC Nas redes sociais, contudo, o vereador negou qualquer tipo de elo com o crime organizado, argumentou que os dispositivos têm como premissa o monitoramento de espaços públicos e eventual forma de intimidar vândalos a cometerem crimes e afirmou ainda que não foi encontrado nenhum tipo de documento comprometedor durante as diligências realizadas.Em nota, a Câmara de Itatiba confirmou que o mandado de busca e apreensão foi cumprido no gabinete do parlamentar emedebista. O texto diz que, até o momento, a apuração não está “relacionada ao exercício da função parlamentar”, à atuação institucional ou a atos em nome da Casa de Leis.Um policial militar, cuja identidade não foi divulgada, também foi alvo da ação. A Corregedoria da PM cumpriu o mandado de busca e apreensão contra ele — que tinha conversas com o traficante chamado Tim.O promotor Rafael Salzedas, responsável pela investigação, afirmou ao Metrópoles que novos elementos são analisados relativos ao caso.Comando, luxo e carrõesSeis pessoas, entre elas Reginaldo Pereira da Silva, o Tim, e a esposa dele, Roseli de Souza Figueiredo, estão presas. As investigações apontam que o principal alvo da Operação Nexus chegou a negociar, pelo menos, 20 carros de luxo de marcas como Lamborghini, Ferrari e Porshe.Tim foi preso em um condomínio de luxo de Itatiba. Com ele, foram apreendidos um carro modelo Porshe e uma Ferrari (veja abaixo), além de farta quantia em dinheiro. A reportagem apurou que este foi o único alvo a tentar escapar de promotores e policiais. Os indícios indicam que ele foi beneficiado com informações oriundas do sistema de monitoramento para tentar escapar por área de mata.Documentos, aos quais foram obtidos pelo Metrópoles, mostram que o empresário do ramo de carros de luxo, que ostenta mais de 1 milhão de seguidores nas redes sociais, Leandro Gabioneta, é investigado por agir, segundo o MPSP, em conluio com Tim, como uma espécie de “banco particular”. Relatórios apontam para movimentações financeiras entre o empresário e o traficante superiores a R$ 2 milhões.3 imagensFechar modal.1 de 3Leandro GabionetaReprodução/ Instagram2 de 3Nas redes sociais, Gabioneta tem mais de 1 milhão de seguidoresReprodução/ Instagram3 de 3Empresário tem loja nas proximidades de um shopping de luxo de CampinasReprodução/ InstagramEm nota, o empresário negou envolvimento com o traficante e diz atuar há 22 anos no mercado. E, somente recentemente, inaugurou sua primeira e única loja própria no segmento automotivo, localizada em Campinas. Todos os negócios realizados por ele foram conduzidos de forma lícita e regular, disse.A rede criminosa que tinha como comando final o traficante Tim começou a ser descoberta a partir da prisão d0 traficante Rodrigo Pereira Malta, o Malta, durante Operação Onça Preta. A investigação começou há quatro meses e segue em andamento.O Gaeco diz que Tim é um dos chefes regionais do PCC, com histórico criminal remetendo a 2008. A Operação Nexus é desdobramento de relatórios obtidos durante a Operação Onça Preta, deflagrada em dezembro de 2022, em Jaguariúna, interior paulista, a qual teve como um dos principais alvo um traficante conhecido como “Fantasma”.O celular do traficante preso, à época, foi ponto inicial para promotores descobrirem toda rede ilegal comandada por Tim. As mensagens extraídas confirmaram que Fantasma era subordinado a Tim.A Operação Nexus prendeu, em caráter temporário, cinco pessoas, entre elas Tim e a esposa, um suspeito de tráfico em flagrante e apreendeu R$ 200 mil em dinheiro, 10 quilos de drogas e carros avaliados em mais de R$ 5 milhões. A Justiça também determinou o bloqueio de contas bancárias e de bens imóveis dos investigados.