As conversas de Daniel Vorcaro com políticos e autoridades expostas nos últimos dias mostram um banqueiro que cultivava relações próximas em Brasília. Em uma troca de mensagens à qual a Jovem Pan teve acesso, porém, ele apresentou a Augusto Lima, então seu sócio no Banco Master, uma visão bem mais amarga sobre as próprias amizades. “Na minha vida só sobrou você mesmo”, escreveu Vorcaro em 29 de janeiro de 2025. Na sequência, disse que não queria “saber de mais ninguém” e resumiu o motivo em duas palavras: “Só decepção”.Augusto respondeu no mesmo tom. Disse que o sentimento era recíproco e afirmou: “Não é quanto, é com quem”. Prometeu que estariam “sempre juntos”, encerrou com “te amo” e escreveu: “Vamos vencer”. A conversa integra o material reunido pela Polícia Federal. Augusto não era apenas um confidente: foi sócio e diretor do Master e, segundo Vorcaro relatou em depoimento, comandou a área de originação de crédito consignado do banco. Mais tarde, deixou a sociedade e assumiu a presidência do Banco Voiter, posteriormente chamado Pleno.O desabafo ganha outra dimensão diante das mensagens divulgadas recentemente, que expuseram a familiaridade de Vorcaro com figuras da política e de outros espaços de poder. Questionado pela PF sobre essas relações e sobre quem frequentava sua casa, o banqueiro afirmou ter “amigos de todos os poderes”, mas disse não ver ligação entre as amizades e os fatos investigados.Vorcaro não identificou, na conversa com Augusto, quem o teria decepcionado. As mensagens revelam a confiança depositada no ex-sócio naquele momento, mas não permitem associar o desabafo a qualquer político ou autoridade específica.