Quanto mais cavalos, mais rápido o carro? A resposta, segundo o especialista em performance automotiva Juninho Racetech, vai muito além da potência do motor. Embora muitos entusiastas associem velocidade apenas ao número de cavalos, ele afirma que a tração, a suspensão, os pneus e os freios também definem o desempenho real de um veículo.Juninho, identificado como José Francisco dos Santos Júnior, atua há mais de 20 anos com preparação de motores e drag racing. Ele explica que, quando a potência aumenta sem o devido acerto do conjunto, o carro pode até ficar mais lento por causa do destracionamento, situação em que os pneus perdem aderência e patinam.Potência do motor não basta sem tração e segurançaPara o especialista, o principal erro é concentrar todo o investimento apenas no motor. “Um carro com muita potência e pouca tração tende a ser mais lento do que um carro com menos potência e um maior aproveitamento da tração. Sem dúvida, um dos maiores mitos é acreditar que um carro com muita potência sempre será mais rápido”, explica.Ele também destaca a diferença entre potência e torque. Na visão de Juninho, os dois costumam caminhar juntos em uma preparação, mas o torque ajuda a traduzir a sensação de resposta do carro. “O torque é aquela sensação de algo te empurrando. A montanha-russa provoca essa sensação não simplesmente porque tem velocidade, mas porque atinge essa velocidade rapidamente”, afirma.Além disso, o especialista ressalta que suspensão, rodas, pneus e freios precisam entrar no planejamento desde o início. Segundo ele, essa distribuição ajuda a aproveitar melhor o ganho mecânico e aumenta a segurança do projeto. Como referência, Juninho cita uma divisão aproximada de investimento: 60% no motor, 20% na suspensão e 20% nos freios.Exemplos de preparação mostram o limite da performanceAo falar sobre até onde é possível aumentar a potência, Juninho menciona que uma preparação mais básica pode dobrar a força de um carro de uso normal. Assim, um veículo com 100 hp poderia chegar a 200 hp, desde que o conjunto suporte essa evolução. Mesmo nesses casos, ele reforça que a suspensão precisa acompanhar a nova configuração.O especialista também alerta para outro risco comum: elevar a potência sem trocar peças internas do motor que suportem a nova exigência. Nesse cenário, a chance de quebra aumenta. “Preparar carros é realizar o sonho do cliente e, se não tomarmos certas providências, isso pode se tornar um pesadelo”, diz.Entre os projetos mais marcantes de sua trajetória, Juninho cita uma BMW que recebeu motor 2JZ, câmbio americano e componentes de diferentes mercados automotivos. O carro saiu de cerca de 120 whp para 750 whp após a preparação. Ainda assim, ele reforça que números altos não devem ser o único objetivo. “Temos que ser muito conscientes e responsáveis pelo que estamos fazendo, porque, se não for bem calculado e principalmente bem executado, pode se tornar algo perigoso. Nunca pense apenas na preparação, mas também na segurança que esse projeto precisa ter”, finaliza.O post Quanto mais cavalos, mais rápido o carro? Especialista explica por que a resposta depende de outros fatores apareceu primeiro em Mobilidade Sampa.