Um júri em Santa Fé, Novo México, decidiu nesta sexta-feira (25) que a Meta enganou os residentes do estado, em um caso decorrente de alegações de que a empresa de consultoria política Cambridge Analytica, que trabalhou na campanha presidencial de Donald Trump em 2016, obteve dados de milhões de usuários do Facebook sem o consentimento deles.O veredicto foi proferido após um julgamento de duas semanas referente a um processo movido pelo procurador-geral do Novo México em 2021, três anos depois de reportagens revelarem que dados pessoais de até 87 milhões de usuários do Facebook haviam sido coletados por meio de um aplicativo de terceiros e usados em tentativas de traçar perfis de eleitores.O processo acusava a empresa de fazer declarações enganosas aos moradores do Novo México sobre como suas informações pessoais seriam compartilhadas com terceiros; como lidava com discursos de ódio e desinformação na plataforma; e se dava preferência a alguns usuários na aplicação de suas políticas. Leia Mais Meta é processada em US$1,4 trilhão por vício em redes sociais nos EUA Meta volta ao tribunal para enfrentar maior julgamento sobre vício em redes Advogado acusa Meta de ter crianças como alvo em julgamento sobre vício O Facebook não informou aos consumidores que estava vendendo seus dados a terceiros e permitiu que discursos de ódio ou desinformação de usuários fossem compartilhados na plataforma quando isso beneficiava os resultados financeiros da empresa, disseram os advogados do estado.Após o veredicto, o juiz Francis Mathew determinará o valor das multas que a Meta deverá pagar pelas violações constatadas pelo júri.O processo movido pelo estado focou em declarações específicas, incluindo comentários feitos pelo CEO da Meta, Mark Zuckerberg, ou em postagens no blog da empresa, que, segundo o Novo México, faziam as pessoas acreditarem que tinham controle sobre as informações pessoais que compartilhavam no site, ou que o site possuía políticas abrangentes sobre como lidar com discurso de ódio ou desinformação.Na realidade, a Meta vendia os dados para aplicativos de terceiros, como aquele usado pela Cambridge Analytica, e tinha exceções em suas políticas para certos usuários, afirmou o estado.Os advogados da Meta argumentaram no julgamento que as declarações supostamente enganosas eram trechos selecionados a dedo que ignoravam o contexto crítico das mesmas declarações, nas quais a empresa reconheceu repetidamente que seu gerenciamento de desinformação ou questões de privacidade não era perfeito.A empresa está em constante aprimoramento e não se beneficia do compartilhamento de conteúdo prejudicial em sua plataforma, afirmaram.A Meta também negou que venda informações dos usuários.A Reuters acompanhou o julgamento pela Courtroom View Network.O veredicto marca a segunda vez em seis meses que um júri em Santa Fé analisou um processo movido pelo estado do Novo México contra a Meta.No primeiro julgamento, que terminou em março, um júri de Santa Fé considerou que a Meta enganou os usuários sobre a segurança dos jovens em suas plataformas Facebook, Instagram e WhatsApp e ordenou que a empresa pagasse US$ 375 milhões em multas civis.Após a segunda fase desse julgamento, um juiz determinou que a empresa pagasse US$ 567 milhões a um fundo do Novo México para a saúde mental de adolescentes e ordenou que a Meta implementasse medidas para proteger os adolescentes usuários do Facebook e do Instagram no Novo México.Poucas semanas após a decisão do juiz, a Meta chegou a um amplo acordo com 47 estados americanos, Washington, D.C. e territórios dos EUA, concordando em pagar um máximo de cerca de US$ 16,7 bilhões para resolver as alegações de que projetou o Facebook e o Instagram para viciar crianças pequenas.Como parte desse acordo, concordou em pagar US$ 459 milhões a alguns estados que a processaram por violações de privacidade relacionadas à Cambridge Analytica para resolver esses casos.Meta lança IA que faz compra pelo usuário | ABERTURA DE MERCADOO Novo México não fez parte do acordo, portanto seu caso referente à Cambridge Analytica prosseguiu para julgamento.A Meta e outras empresas de redes sociais têm enfrentado um escrutínio crescente por parte dos legisladores e dos tribunais devido ao impacto que suas plataformas têm sobre os usuários.As empresas enfrentam milhares de processos judiciais em tribunais federais e estaduais movidos por indivíduos, distritos escolares, municípios e outras entidades governamentais, que alegam que elas tentaram viciar crianças e causaram uma crise de saúde mental, incluindo danos como ansiedade, depressão e suicídio.Os julgamentos estão marcados para outubro e fevereiro nos casos relacionados a danos causados a adolescentes.