Nesta entrevista, explica como estas diferentes vertentes se articulam perante os desafios regulatórios, económicos e geopolíticos que hoje condicionam a atividade das empresas e dos investidores. O seu percurso cruza advocacia, investimento, sustentabilidade e estratégia. Como se complementam as suas funções e a que necessidades distintas procura responder? Sou sócia fundadora da ASA Lawyers, onde trabalho sobretudo com investidores, empresas e instituições em operações cross-border, investimento, corporate, governance e estratégia regulatória, numa sociedade que acompanha transversalmente várias áreas do Direito. O objetivo é dar segurança jurídica à decisão, mas também compreender o negócio, antecipar risco e construir soluções executáveis. A ESG ACCESS responde a uma necessidade diferente: integrar Environmental, Social and Governance (ESG), governance e sustentabilidade na estratégia e na criação de valor. É um projeto empresarial que queremos sólido e lucrativo, mas nasce também de uma convicção pessoal: acredito que é possível fazer bons negócios e ter impacto positivo. Não por grandes declarações, mas porque cada decisão e cada pequeno movimento podem fazer diferença. E acredito que os melhores projetos se constroem com boas pessoas. Quais são as maiores necessidades dos clientes num mercado jurídico cada vez mais competitivo e internacional? Os clientes procuram cada vez menos respostas isoladas e mais quem perceba o quadro completo. Uma operação pode cruzar várias áreas do Direito, fiscalidade, financiamento, regulação, culturas e formas diferentes de negociar. O rigor técnico é indispensável, mas já não chega. É preciso conhecer o negócio, perceber o que está em causa e dizer ao cliente, com clareza, onde estão os riscos e como avançar. Gosto de uma advocacia próxima da decisão e pouco burocrática na forma de comunicar. Competência é a base, mas confiança e uma boa relação entre quem constrói o projeto fazem diferença. Como podem as organizações integrar verdadeiramente parâmetros ESG e transformá-los numa oportunidade de criação de valor, em vez de os encararem apenas como uma obrigação? Para mim, ESG já não pode ser discutido apenas como sustentabilidade ou compliance. É uma forma de ler o negócio. Regulação, acesso a capital, cadeias de valor, energia, reputação, tecnologia ou risco geopolítico influenciam decisões concretas. Na ESG ACCESS falamos em transformar ESG em Strategic Intelligence: perceber que informação é material, como afeta o risco e onde pode revelar oportunidades, e levá-la para a governance e para a decisão. Um banco pode incorporá-la na avaliação de risco, um investidor na alocação de capital e uma empresa nas escolhas sobre mercados, fornecedores, inovação ou crescimento. E há uma dimensão em que acredito particularmente: ESG também nos obriga a pensar que empresas queremos construir.Não vejo incompatibilidade entre rentabilidade e impacto positivo. Gosto da ideia de criar negócios competitivos, com boas pessoas, sabendo que pequenas decisões tomadas melhor acabam por ter um efeito real. Ao longo do seu percurso, tem desenvolvido uma forte ligação a câmaras de comércio e a redes institucionais internacionais. Que papel desempenham estas estruturas na diplomacia económica? Acredito muito no valor destas pontes institucionais. Um negócio internacional raramente nasce apenas de uma boa oportunidade; nasce também da confiança, credibilidade e capacidade de aproximar pessoas que talvez nunca se encontrassem. Vejo isso na Portugal-Hong Kong Chamber of Commerce and Industry, onde integro o board, no Africa GCC Council e noutras redes em que participo. É também a lógica da House of Business Portugal–Uzbekistan: apresentada em Portugal a oito de abril, inicia os trabalhos em setembro e será lançada no Uzbequistão em outubro. O objetivo é criar continuidade e transformar contactos em investimento, negócios e projetos reais. A sua atividade tem uma forte dimensão internacional, incluindo uma ligação crescente a Cabo Verde. Que oportunidades e desafios identifica no país e que fatores considera decisivos para construir uma presença em novos mercados? Cabo Verde reúne estabilidade, proximidade a Portugal, posição atlântica estratégica e oportunidades no turismo, economia azul, renováveis, digitalização e logística. É um mercado com escala própria, que exige leitura local, parceiros certos e capacidade de execução. Não acredito numa internacionalização feita à distância. É preciso estar, ouvir, perceber a cultura, conhecer as pessoas e criar confiança. Essa é uma das partes de que mais gosto no meu trabalho: entrar num contexto novo, aprender e encontrar pontos de ligação. Os melhores projetos internacionais são aqueles em que a oportunidade económica faz sentido e existe vontade genuína de construir alguma coisa em conjunto. Este artigo foi publicado na edição nº 34 da revista Líder, cujo tema é ‘Depois do Amanhã’. Subscreva a Revista Líder aqui.Este artigo integra o espaço branded content da Líder e foi produzido em parceria com a ASA Lawyers e ESG ACCESS.O conteúdo «Um negócio internacional raramente nasce apenas de uma boa oportunidade», diz Teresa do Brito Apolónia aparece primeiro em Revista Líder.