Da tribuna do direito ao voto de mudança: a trajetória de Fábio Trad

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Quando o advogado e professor universitário Fábio Ricardo Trad ingressou na vida pública eletiva, já carregava no sobrenome o peso de uma das famílias políticas mais tradicionais de Mato Grosso do Sul. Filho do jurista e ex-deputado federal Nelson Trad (1930–2011), construiu o caminho inicial nos tribunais e na academia, associando sua imagem ao debate jurídico e à defesa das instituições.Agora, ao disputar pela primeira vez o comando do Executivo estadual, nas eleições de 2026, sua trajetória ganha um novo capítulo. Depois de mais de uma década no centro do espectro partidário, Trad deixou o PSD em 2025, filiou-se ao PT e, no ano seguinte, foi confirmado candidato ao governo pela Federação Brasil da Esperança.Nascido em Campo Grande em 18 de agosto de 1969, Fábio Trad formou-se em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e atuou como professor universitário, inclusive na Universidade Católica Dom Bosco (UCDB). Antes da política eletiva, projetou-se no meio jurídico estadual.Entre 2007 e 2009, presidiu a Ordem dos Advogados do Brasil, seccional de Mato Grosso do Sul (OAB-MS). À frente da entidade, adotou postura ativa em pautas institucionais, defesa das prerrogativas da advocacia e discussões sobre acesso à Justiça e segurança pública. O cargo antecipou sua entrada na disputa partidária: em 2010, elegeu-se deputado federal pelo então PMDB, atual MDB.CongressoTrad exerceu o mandato de deputado federal por Mato Grosso do Sul em três períodos, entre 2011 e 2023, mas a trajetória não foi contínua.Eleito em 2010, cumpriu o primeiro mandato de 2011 a 2015. Na Câmara, integrou a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) e presidiu, a partir de 2011, a comissão especial da reforma do Código de Processo Civil. O novo texto foi sancionado em 2015.Em 2014, tentou a reeleição e obteve votação expressiva — 67.508 votos —, mas ficou como suplente porque o PMDB não atingiu o quociente eleitoral no estado. Só reassumiu em dezembro de 2017, com a licença do deputado Carlos Marun para o Ministério da Casa Civil.Em 2018, já filiado ao PSD, foi o segundo deputado federal mais votado de Mato Grosso do Sul, com 89.385 votos, e exerceu o terceiro mandato de 2019 a 2023. Nesse período, manteve atuação legislativa de perfil técnico. Além da CCJ, foi relator de matérias jurídicas e de direitos — incluindo consumidores, idosos, mulheres e pessoas com deficiência —, presidiu comissão especial ligada ao Código de Processo Penal e relatou a PEC 199/19, sobre prisão após condenação em segunda instância.O reconhecimento institucional acompanhou essa fase. Trad integrou por seis edições a lista dos “100 Cabeças do Congresso”, do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP). Em 2020, o júri especializado do Prêmio Congresso em Foco o elegeu o melhor deputado federal do Brasil.Os revéses eleitorais, no entanto, também marcaram a carreira. Depois da suplência de 2014, tentou o quarto mandato em 2022 e não se reelegeu, apesar de nova votação relevante. Encerrou a passagem pela Câmara em janeiro de 2023.Embratur, filiação ao PT e a disputa de 2026Em 2023, Trad assumiu a gerência de controle e integridade da Embratur, na gestão de Marcelo Freixo. Permaneceu no cargo até março de 2026, quando deixou a função para se desincompatibilizar e se dedicar à campanha estadual.A mudança partidária veio antes. Em agosto de 2025, após cerca de uma década no PSD, filiou-se ao PT. Na ocasião, apresentou o gesto como reencontro com sua “identidade política” e compromisso com justiça social e defesa da democracia. À época, ainda afirmava preferir disputar uma vaga de deputado federal e se colocava à disposição do partido. A candidatura ao governo foi consolidada depois e oficializada na convenção da Federação Brasil da Esperança, em julho de 2026.A mudança também evidenciou o pluralismo da família Trad. Enquanto o irmão Nelsinho Trad permanece no PSD e no Senado, Marquinhos Trad — ex-prefeito de Campo Grande e vereador eleito em 2024 pelo PDT — filiou-se ao PV em 2026 para disputar uma cadeira na Câmara. Fábio assumiu o papel de candidato a governador da federação PT-PV-PCdoB. A vice da chapa é Dona Gilda (PT).A plataforma apresentada para 2026 enfatiza redução das desigualdades regionais, investimentos em ciência e inovação, fortalecimento dos serviços públicos e a combinação entre desenvolvimento econômico e justiça social.Ao deixar o Congresso, passar pelo governo federal e agora tentar o Palácio do Parque dos Poderes, Fábio Trad coloca à prova, pela primeira vez, a tese de que a experiência parlamentar e jurídica pode se converter em alternativa competitiva ao comando do estado.