Reeleição de Lula já está no preço da bolsa brasileira, avalia gestora americana

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A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já está amplamente precificada na bolsa brasileira e pode ser menos prejudicial ao mercado do que parte dos investidores teme, segundo a gestora americana de ETFs Global X. Em relatório publicado na segunda-feira (21) assinado por Paul Dmitriev, a casa afirma que as ações brasileiras apresentam “assimetria positiva” antes da eleição, com potencial de alta maior do que o de queda.A avaliação foi feita com base em uma visita recente ao Brasil e em conversas com investidores locais. Segundo a gestora, como a coalizão de Lula nunca teve maioria consistente na Câmara dos Deputados, um Congresso controlado pelo Centrão tem limitado repetidamente as ambições fiscais e de reformas do PT e provavelmente voltaria a fazê-lo em um novo mandato.O relatório descreve a disputa como próxima de um “cara ou coroa”, citando pesquisa divulgada em agosto que mostrava Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL) em empate técnico em simulação de segundo turno. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, e eventual segundo turno, para 25 de outubro.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa cai e tenta sustentar os 185 mil pontosBolsas dos EUA avançam em meio à nova queda do petróleoA alta renda quase não investe em ETFs no Brasil: o que afugenta o mais rico?Fundos de índice foram a categoria que mais cresceu no semestre, mas seguem ínfimos nas carteiras do private; especialistas apontam pontos cegos nos números e defendem uso maior do produtoPara a Global X, uma vitória da oposição representa a maior fonte de ganho potencial, embora a intensidade de uma eventual alta dependa de quão decisivo e quão precificado for o resultado. A gestora observa que Flávio Bolsonaro vem reduzindo a diferença nas pesquisas e aproveita o avanço de candidatos de centro-direita na América Latina, com vitórias recentes no Chile, na Colômbia, no Peru e na Argentina.Como referência, a casa cita a eleição de 2018, quando o índice MSCI Brazil subiu 7,8% no dia seguinte ao resultado do primeiro turno de Jair Bolsonaro, antes de qualquer medida ser adotada. Também menciona o índice Merval, da Argentina, que avançou 26,6% após a vitória do presidente Javier Milei nas eleições legislativas de outubro de 2025.Saída de estrangeirosOs investidores estrangeiros retiraram R$ 18,1 bilhões da bolsa brasileira em agosto, a maior saída mensal dos últimos 12 meses, depois de resgates de R$ 14,9 bilhões em maio e de R$ 7,8 bilhões em junho. Em setembro, o fluxo voltou ao terreno positivo, com entrada líquida de R$ 5,6 bilhões até o dia 19, embora a semana encerrada em 19 de setembro tenha registrado saída de R$ 1,8 bilhão. No acumulado de 2026, o saldo estrangeiro segue positivo em R$ 23,9 bilhões.Para a Global X, a onda de vendas de agosto foi uma reação técnica e exagerada ao cenário eleitoral, e não uma reprecificação justificada pelos fundamentos. A gestora afirma que nada nos indicadores atuais do país, como crescimento, qualidade do crédito ou lucros das empresas, se assemelha a um choque como o de 2020, e que movimentos dessa magnitude historicamente representaram pontos de entrada, e não o início de uma redução estrutural dos múltiplos.Para a gestora, o múltiplo descontado da bolsa já pressupõe uma vitória da esquerda, e a combinação de ações baratas com dividendos elevados tende a não se sustentar após a eleição.A Global X destaca ainda que o Brasil oferece um dos maiores juros reais entre as principais economias, de cerca de 9,3%, o que ajudaria a sustentar o real mesmo em períodos de saída de capital da bolsa. Em análise dos sete ciclos completos de queda de juros desde 2000, a casa verificou que as ações brasileiras subiram em quatro deles, com alta média de cerca de 96,7%, enquanto nos outros três recuaram em média 14,5%.A gestora defende que a oportunidade seja explorada por meio de gestão ativa, e não de fundos passivos. O argumento é que as dez maiores empresas concentram mais de 64% do MSCI Brazil, o que deixa o investidor passivo permanentemente exposto a commodities e estatais, além de haver grande diferença de qualidade de governança entre as companhias listadas.The post Reeleição de Lula já está no preço da bolsa brasileira, avalia gestora americana appeared first on InfoMoney.