Ata do Copom reforça necessidade de cautela e riscos elevados; entendaA ata do Copom (Comitê de Política Monetária), divulgada nesta terça-feira (22), reafirmou que o cenário atual é marcado por significativo aumento da incerteza, desancoragem das expectativas e riscos elevados em torno do cenário base. Por isso, demanda serenidade e cautela na condução da política monetária.“O Comitê seguirá incorporando novas informações e acompanhando a evolução do cenário de forma a manter a restrição adequada para assegurar a convergência da inflação à meta”, emendou.As mensagens constam na ata da reunião de setembro do colegiado, publicada nesta terça. No encontro, encerrado na última quarta-feira, 16, o Copom cortou a Selic em 0,25 ponto porcentual, de 14,00% para 13,75% ao ano. Foi o quinto corte consecutivo.Os juros já caíram 1,25 ponto porcentual desde março, quando o BC começou um “ciclo de calibração” cauteloso da política monetária, em meio às incertezas sobre os impactos da guerra do Irã na cadeia global de suprimentos, os preços de commodities e a própria inflação.Antes, o Copom manteve a Selic em 15% – o maior nível em quase duas décadas – por dez meses seguidos, de junho de 2025 até março de 2026.Ata do Copom destaca pressões inflacionáriasO colegiado também reafirmou nesta terça-feira que a decisão de reduzir a Selic é compatível com a estratégia de convergência da inflação para o redor da meta ao longo do horizonte relevante. “Sem prejuízo de seu objetivo fundamental de assegurar a estabilidade de preços, essa decisão também implica suavização das flutuações do nível de atividade econômica e fomento do pleno emprego.”O Copom repetiu as projeções para a inflação já apresentadas no comunicado. O colegiado prevê alta de 5,2% para o IPCA em 2026, acima do teto da meta de inflação, de 4,5%, e de 3,9% em 2027. Para a inflação acumulada em 12 meses no 1º trimestre de 2028, atual horizonte relevante da política monetária, projeta alta de 3,2%.Para os preços livres, prevê altas de 5,2%, 4,1% e 3,2%, respectivamente, nos períodos. Já para os preços administrados, projeta altas de 5,3%, 3,5% e 3,2%.Todas as projeções partem do cenário de referência, com trajetória de juros do Relatório Focus (publicado em 14 de setembro) e bandeira amarela de energia elétrica em dezembro de 2026 e 2027. A taxa de câmbio começa em R$ 5,15 e evolui conforme a paridade do poder de compra (PPC). Os preços do petróleo seguem aproximadamente a curva futura por seis meses e, depois, sobem 2% ao ano.Incertezas externas seguem elevadasO Comitê de Política Monetária (Copom) afirmou em ata divulgada nesta terça-feira (22) que a incerteza em relação ao cenário externo segue em níveis elevados. Com a continuidade das indefinições de conflitos geopolíticos e os desdobramentos disso nos preços de commodities têm alterado as expectativas de condução da política monetária de países avançados.A ata reafirma que o atual contexto geopolítico internacional exige cautela de países emergentes “em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”.No cenário doméstico, o conjunto de indicadores analisados mostra moderação gradual da atividade econômica, principalmente em setores mais cíclicos, embora ainda em patamar resiliente e mercado de trabalho aquecido.“Nas divulgações mais recentes, a inflação cheia e a média de medidas subjacentes desaceleraram, situando-se abaixo do limite superior do intervalo de tolerância, porém ainda acima da meta”, destaca a ata do Copom.Com Estadão Conteúdo