Países europeus têm intensificado as restrições relacionadas a vestimentas e práticas associadas à cultura islâmica no continente. Nesta semana, além de Portugal, a Itália decretou, na quinta-feira (24/9), a proibição do uso de burcas e niqabs nas escolas. Já a cidade de Lérida, no interior da Espanha, proibiu, na sexta-feira (25/9), o uso de vestimentas que cubram o rosto em locais públicos. Nos dois casos, o principal argumento apresentado pelas autoridades está relacionado à segurança da população. No entanto, comunidades islâmicas e grupos aliados afirmam que essas medidas configuram casos de xenofobia e islamofobia.Vem comigo entender esse caso!Itália e cidades da Espanha aprovaram leis que restringem o uso de burcas e niqabs em público Itália proíbe burca nas escolasNa quinta-feira (24/9), o governo italiano aprovou uma nova lei que proíbe o uso de burcas e niqabs por meninas nas escolas. Segundo Giorgia Meloni, primeira-ministra do país, a medida não tem o objetivo de promover a separação, mas, sim, a integração entre os estudantes. Leia também Ilca Maria Estevão“Lei das burcas” entra em vigor em Portugal com multas de até 3 mil euros Ilca Maria EstevãoDas burcas aos hijabs: entenda as principais vestes islâmicas Ilca Maria EstevãoMarca palestina chama a atenção no Ocidente sob tensões políticas Giorgia Meloni, primeira-ministra da Itália, defende que nova lei é forma de inclusão, não de exclusão Giorgia Meloni escreveu sobre nova lei nas redes sociais A medida já havia entrado em vigor, mas precisava ser referendada pelo Parlamento em até 60 dias. Além disso, a nova regra também impõe um limite de 30% de alunos por sala de aula com conhecimento limitado da língua italiana, o que pode afetar diretamente estudantes muçulmanos e imigrantes. Após o anúncio de Meloni nas redes sociais, políticos da oposição se manifestaram contra a medida.Elly Schlein, secretária do Partido Democrático da Itália, afirmou que “é um decreto vergonhoso, que tenta esconder a incapacidade do governo de resolver os problemas concretos das escolas públicas por trás de uma nova bandeira ideológica”.Políticos da oposição criticaram a nova medida do governo italiano Espanha e os véus em locais públicosNo dia seguinte à medida italiana, a cidade de Lérida, no interior da Catalunha, na Espanha, decretou a proibição do uso de vestimentas e outros elementos que cubram totalmente o rosto em espaços públicos. A lei não menciona explicitamente burcas e niqabs, mas impacta diretamente a comunidade islâmica, uma vez que essas peças são caracterizadas pela cobertura quase total do rosto. De acordo com a prefeitura da cidade, a multa para quem infringir a legislação varia entre 400 e 750 euros, o equivalente a cerca de R$ 2,3 mil a R$ 4,4 mil.Lérida, cidade no interior da Espanha, proibiu o uso de peças e objetos que possam cobrir o rosto em locais públicos De acordo com a legislação aprovada nessa sexta-feira (25/9), a nova lei tem como objetivo garantir a civilidade e a convivência. Além disso, a medida estabelece algumas exceções. Dessa forma, a proibição do uso das vestimentas não se aplica a locais de culto, espaços em que cobrir o rosto seja habitual por costumes sociais ou situações em que a cobertura seja necessária para o exercício de direitos fundamentais.Niqabs e burcas não são proibidos em locais de culto, espaços em que cobrir o rosto é socialmente aceito ou para o exercício de direitos fundamentais Tendência no continente europeuNos últimos anos, os países europeus têm tornado pautas relacionadas à imigração e à cultura islâmica cada vez mais frequentes nos debates políticos. Nesse contexto, as vestes muçulmanas têm ocupado lugar central nessas discussões, já que são um aspecto importante do exercício da fé.Véus são uma parte importante da religião muçulmana Desde 2004, a legislação francesa proíbe o uso de símbolos ou vestimentas religiosas ostensivas nas escolas públicas, incluindo alguns tipos de véus islâmicos. A partir dos anos 2010, leis que restringem a ocultação do rosto em locais públicos passaram a ser adotadas em diferentes países europeus. Atualmente, Bélgica, Bulgária, Áustria, Dinamarca, Suíça, Países Baixos, Alemanha e Itália, além de Lérida, na Espanha, têm leis que impactam, de forma total ou parcial, o uso de véus islâmicos por mulheres adeptas do Islã.De forma geral, essas nações defendem que as restrições têm como objetivos garantir a segurança dos cidadãos e preservar a laicidade do Estado.3 imagensFechar modal.1 de 3Mulheres com burcasGetty Images2 de 3Governo português defende que a Lei das burcas serve como uma medida de segurançaGetty Images3 de 3Burca azulGetty Images