Juro pode despencar após as eleições? Veja ações que podem se beneficiar

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O mercado enxerga a eleição presidencial como binária e vem preferindo ganhar exposição à Bolsa por meio do mercado de opções de EWZ, ETF de ações brasileiras negociado em Nova York. No entanto, o Goldman Sachs está recomendando outro caminho: investir em uma cesta específica de ações que enxerga ter mais espaço para crescer em um pós-eleição com possível queda forte dos juros de curto prazo.A recomendação vem em meio a um baixo nível de exposição de investidores globais a ações brasileiras. Pesquisa do Goldman com cerca de 70 investidores estrangeiros mostra que as ações são a classe de ativo brasileira menos presente nas carteiras, embora seja nela que esses gestores enxergam o maior potencial de valorização. Do total, 60% se dizem com posição leve ou muito leve na Bolsa local, e cerca de metade espera alta de pelo menos 20% do EWZ até o fim do ano caso o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) vença a eleição.“O posicionamento em ações está baixo, mas a assimetria é alta”, diz Nelson Armbrust, head de intermediação de ações para a América Latina do banco americano, em teleconferência para clientes.Ele sugere a cesta GSBZRATE, que reúne as 30 ações brasileiras mais sensíveis à taxa de 5 anos e que, segundo ele, rendeu o triplo do Ibovespa em ciclos anteriores de corte de juros. A justificativa se baseia no ainda muito alto nível de juros brasileiro“Ter que pagar juros tão altos por um período tão prolongado tem um impacto enorme no balanço e nos lucros dessas empresas”, ressalta, em referência a empresas intensivas em capital, como utilities, companhias do setor imobiliário e industriais.O executivo diz ter conversado com investidores que esperam queda de 200 a 300 pontos-base nos juros de 2 anos até o fim do ano, com risco de recuo ainda maior. A comparação com o Ibovespa considera as janelas em que o mercado passou a precificar cortes, excluídos os motivados por recessão, períodos em que o índice também teve bom desempenho.Bancos lideram a carteiraCriada em outubro de 2024, a GSBZRATE reúne ações líquidas com forte correlação inversa à taxa do título brasileiro de 5 anos, ou seja, papéis que tendem a subir quando o juro cai. A cesta gira cerca de US$ 750 milhões por dia, segundo Armbrust.O setor financeiro é o de maior peso, com cerca de 38% da carteira no fechamento de 24 de setembro. As maiores posições são XP (XPBR31), BTG Pactual (BPAC11) e Itaúsa (ITSA4), e a lista inclui ainda B3 (B3SA3), Bradesco (BBDC4), Itaú Unibanco (ITUB4), Inter (INBR32) e ABC Brasil (ABCB4).Industriais e o setor imobiliário vêm em seguida. No primeiro grupo aparecem Localiza (RENT3), Ecorodovias (ECOR3), Movida (MOVI3) e Simpar (SIMH3), entre outras. No segundo estão as administradoras de shoppings Allos (ALOS3), Multiplan (MULT3) e Iguatemi (IGTI11), além de JHSF (JHSF3) e Moura Dubeux (MDNE3).Entre as utilities estão Energisa (ENGI11), Equatorial (EQTL3) e Auren (AURE3). Completam a lista Cosan (CSAN3), as incorporadoras Direcional (DIRR3) e EZTec (EZTC3), CSN (CSNA3), CSN Mineração (CMIN3) e Dexco (DXCO3). Os pesos foram definidos para limitar a concentração, e a última revisão da carteira ocorreu em maio.O Ibovespa anda de lado em setembro, mesmo com entrada líquida de R$ 9,6 bilhões de estrangeiros na B3 no mês até o dia 21. Na quinta-feira, o índice caiu 0,99% e fechou aos 183.965 pontos. “Temos uma confiança muito alta nessa operação, e é o veículo em que achamos que investidores que realmente querem ter alto beta [em relação] à eleição devem se posicionar”, afirma Armbrust.The post Juro pode despencar após as eleições? Veja ações que podem se beneficiar appeared first on InfoMoney.