O Irã afirma estar aguardando uma resposta “definitiva” à sua mais recente proposta de reabertura do Estreito de Ormuz, apesar de o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ter rejeitado publicamente a oferta.Segundo o plano, o Irã abriria a importante via navegável em uma semana e retomaria as negociações nucleares se os EUA cumprissem certas condições, incluindo o levantamento do bloqueio naval e a suspensão das sanções ao petróleo.“Vimos a primeira reação do presidente dos EUA, mas ainda não recebemos nenhuma informação dos mediadores”, disse o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi.Ele acrescentou: “É claro que o presidente dos EUA também disse muitas coisas boas e muitas coisas contraditórias, o que infelizmente ouvimos com frequência. Estamos aguardando os pareceres definitivos dos mediadores e tomaremos uma decisão com base nisso.” Leia Mais Trump rejeita proposta do Irã de cessar-fogo e reabertura de Ormuz Autoridade diz que Irã não fará concessões em programa nuclear Trump diz que ele e Xi Jinping discutiram sobre guerra no Irã No sábado (26), Trump rejeitou a mais recente proposta do Irã para reabrir o Estreito de Ormuz, classificando-a como “inaceitável”.Após uma semana em que altos funcionários iranianos visitaram Nova York para participar da Assembleia Geral da ONU e se reunir com autoridades americanas, os comentários de Trump sugeriram que não houve progresso diplomático concreto.“Eles querem fechar um acordo para abrir o estreito imediatamente porque estão perdendo feio”, acrescentou. “Eles querem fechar um acordo, e eu acho isso ótimo. Eu também gosto de fechar acordos, mas esse acordo não seria aceitável.”O ministro das Relações Exteriores iraniano não deu detalhes sobre as condições exatas, mas disse que elas “não eram nada além” do que estava incluído no Memorando de Entendimento EUA-Irã , assinado em junho, mas que foi rompido pouco depois em meio à retomada dos confrontos.‘Não temos pressa’“Se as condições necessárias forem atendidas, o estreito poderá ser reaberto e a passagem marítima normal restabelecida em sete dias. A decisão agora cabe aos Estados Unidos”, disse Araghchi a jornalistas durante uma visita a Nova York para a Assembleia Geral das Nações Unidas desta semana.“Não se pode bombardear um país, ameaçar sua aniquilação, impor um bloqueio marítimo e medidas coercitivas e esperar a restauração automática da segurança e da navegação”, acrescentou Araghchi.Em resposta aos comentários de Araghchi, um funcionário da Casa Branca disse anteriormente à CNN que estavam tendo “discussões positivas e construtivas por meio dos mediadores”.“Os Estados Unidos estão em uma posição muito forte com o controle do Estreito de Ormuz, então não temos pressa”, disse o oficial.O secretário de Estado americano, Marco Rubio, adotou um tom semelhante no início desta semana, dizendo: “Se houver um acordo com o Irã… isso envolverá muito trabalho árduo ao longo de um período de tempo.”O Wall Street Journal, citando autoridades americanas, noticiou na sexta-feira (25) que Trump disse a sua equipe que uma nova campanha de bombardeios é provável após as eleições de meio de mandato. As autoridades teriam afirmado que a opinião de Trump pode mudar nas próximas semanas.A CNN entrou em contato com a Casa Branca para obter um comentário sobre a reportagem.Em seu discurso na Assembleia Geral da ONU, Trump disse: “Tenho uma grande decisão a tomar: será feito um acordo com o Irã que lhes permita reconstruir e criar um país muito maior do que jamais foi?”“Ou devo aniquilar a República Islâmica rapidamente, sem nunca mais lhes dar a oportunidade de matar e destruir pessoas e países?”O porta-voz do exército iraniano, Mohammad Akraminia, disse no domingo que os EUA poderiam lançar um novo ataque contra o Irã devido à sua “situação regional desfavorável”, informou a Reuters. Ele acrescentou que Teerã está preparada para qualquer confronto.Confrontos mortais no IêmenEntretanto, novos ataques foram relatados no Iêmen no domingo, enquanto os confrontos entre o grupo militante Houthi, apoiado pelo Irã, e facções apoiadas pela Arábia Saudita se intensificam no país.Um ataque a um mercado na província de Taiz, no Iêmen, matou pelo menos sete pessoas e feriu dezenas, incluindo crianças, segundo o Ministério da Saúde do grupo Houthi.O governo do Iêmen, reconhecido internacionalmente e apoiado pelas forças sauditas, afirmou que estava atacando um acampamento militar houthi, informou a Reuters.No último mês, os militantes houthis capturaram uma longa faixa do litoral iemenita do Mar Vermelho, além de lançar mísseis e drones contra a infraestrutura energética saudita, numa dramática expansão do conflito no Oriente Médio.O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, negou no início desta semana que o grupo iemenita esteja recebendo ordens de Teerã. “Os houthis são responsáveis por seus próprios atos”, afirmou.Análise: Trump prometeu esmagar a economia do Irã. O que ele pode fazer?