A recuperação de margens da Hapvida (HAPV3) ganhou força no primeiro trimestre de 2026, mas ainda não foi suficiente para convencer o Itaú BBA a adotar uma visão mais otimista sobre a companhia. Em relatório divulgado nesta segunda-feira (22), o banco manteve recomendação equivalente à neutra (market perform) e reduziu o preço-alvo para R$ 13 por ação, ante R$ 15 anteriormente.Segundo os analistas, o principal ponto de atenção segue sendo a capacidade da operadora de estabilizar — e eventualmente voltar a crescer — sua base de beneficiários, especialmente no estado de São Paulo, onde a empresa continua perdendo participação de mercado.“O trimestre ajudou a aliviar parte das preocupações com margens, mas a principal questão continua sendo se a companhia conseguirá recuperar o crescimento sem comprometer a rentabilidade”, afirmam os analistas, liderados por Vinicius Figueiredo.São Paulo segue como principal problemaO BBA destaca que a Hapvida perdeu cerca de 146 mil beneficiários em São Paulo nos últimos 12 meses encerrados em março de 2026, sendo que a região metropolitana da capital respondeu pela maior parte dessa queda, com redução de aproximadamente 116 mil usuários.A análise do banco sugere que o problema vai além do preço dos planos. Em São Paulo, os produtos de entrada da companhia continuam atraindo clientes, mas os planos intermediários e mais completos seguem perdendo espaço para concorrentes como a Amil.Na avaliação do BBA, a oferta da Hapvida apresenta uma proposta menos competitiva em termos de rede credenciada, capilaridade e percepção de qualidade quando comparada a rivais que atuam em faixas de preço semelhantes.“O desafio parece estar na dificuldade de sustentar uma escada de produtos equilibrada além das opções de entrada”, dizem os analistas.Recuperar clientes pode pressionar margensO relatório aponta que a solução para o problema comercial provavelmente exigirá investimentos adicionais na rede credenciada e ajustes na estratégia de preços e produtos.Na prática, isso significa ampliar a cobertura de hospitais e prestadores em determinadas regiões e tornar os planos mais competitivos. O problema é que ambas as medidas podem afetar a rentabilidade da operação.Segundo o Itaú BBA, expandir a rede tende a elevar a sinistralidade médica (MLR), enquanto descontos e ajustes de preços podem reduzir o tíquete médio dos planos.Por isso, o banco vê um dilema para a companhia: recuperar crescimento comercial sem devolver parte dos ganhos recentes de margem.Margens melhoram, mas ações judiciais preocupamDo lado positivo, os analistas reconhecem que os números do primeiro trimestre de 2026 mostraram uma melhora relevante nos custos assistenciais.O Itaú BBA revisou para cima suas projeções de Ebitda para os próximos anos, incorporando parte da melhora observada na sinistralidade. Para 2026, a expectativa passou para R$ 2,8 bilhões, alta de cerca de 11% em relação à estimativa anterior.Por outro lado, o banco chama atenção para o avanço dos depósitos relacionados a processos judiciais cíveis, que continuam crescendo e elevando as despesas administrativas da companhia. Segundo o relatório, esse fator reduz parte dos benefícios trazidos pela melhora operacional observada nos custos médicos.O que faria o Itaú BBA ficar mais otimista?Para o banco, uma mudança de visão sobre a ação dependeria de três fatores principais: a manutenção da melhora da sinistralidade, uma estabilização dos processos judiciais e sinais mais claros de recuperação comercial em São Paulo sem prejuízo à rentabilidade.“Estamos vendo a companhia caminhar na direção correta, mas ainda não enxergamos uma relação risco-retorno suficientemente atrativa para adotar uma postura mais construtiva”, concluem os analistas.Apesar da melhora operacional e das revisões positivas para os resultados, o Itaú BBA avalia que boa parte desse avanço já está refletida no preço das ações, mantendo uma postura cautelosa em relação ao papel.