A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (25) a Operação Disclosure, que apura eventuais irregularidades no rombo financeiro das Americanas.Em 11 de janeiro de 2023, a companhia varejista comunicou ao mercado ter detectado inconsistências em lançamentos contábeis estimadas em R$ 20 bilhões.Após realizar uma análise mais aprofundada em seus lançamentos contábeis, a empresa constatou que possuía uma dívida superior a R$ 40 bilhões. Leia Mais Alvo da PF, Americanas pediu saída da recuperação judicial em março BC eleva projeção do PIB em 2026 para 2% e cita medidas de estímulo Bolsas da Europa avançam com tecnologia após projeções de Micron e Qualcomm Poucos dias após comunicar o rombo, a empresa entrou com pedido de recuperação judicial. O pedido foi aceito pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro em janeiro de 2023.Na época, as Lojas Americanas e a Comissão de Valores Mobiliários encaminharam informações aos procuradores do Rio de Janeiro para esclarecer os fatos e auxiliar nas apurações da fraude financeira. Foram firmados acordos de delação para identificar os responsáveis e compreender a extensão da fraude.A empresa também verificou que os integrantes da sua diretoria tinham conhecimento da fraude contábil. Segundo a companhia, a diretoria atuou para ocultar do Conselho de Administração e do mercado em geral a real situação de resultado e patrimonial da empresa.O caso fez as ações da empresa despencarem. Uma vez deflagrada a crise, a varejista só voltaria a divulgar um balanço em novembro de 2023.O plano de recuperação judicial só foi aceito pela assembleia de credores em dezembro de 2023. A proposta incluía uma injeção de R$ 12 bilhões pelo trio de acionistas de referência da companhia — Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Beto Sicupira. O plano também estabelecia R$ 12 bilhões em conversão de dívida em ações da empresa.Depois do caso, a empresa disse ter adotado uma “estratégia de reestruturação e otimização de espaços da companhia, em linha com o seu plano de transformação que busca uma operação mais ágil, rentável e eficiente”.No quarto trimestre de 2025, a empresa registrou um prejuízo líquido de R$ 44 milhões, reduzindo o resultado negativo de R$ 586 milhões contabilizado no final de 2024.Em março deste ano, a Americanas ingressou com um pedido para sair da recuperação judicial. Na época, o CEO da empresa, Fernando Soares, disse à CNN que já havia cumprido 100% do plano previsto.De acordo com Fernando Soares, os números positivos e um bom fluxo de caixa fizeram com que o pedido de saída fosse adiantado. A solicitação foi entregue à 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro.Durante a divulgação dos resultados da empresa referentes ao 1° bimestre de 2026, a empresa disse que o Ministério Público e o administrador judicial já haviam emitido pareceres favoráveis à saída antecipada da empresa do regime recuperacional.Em fevereiro, o grupo recebeu aprovação de seus credores para vender uma série de imóveis, com valor total estimado entre R$ 346 milhões e R$ 468 milhões. Com isso, a empresa se comprometeu a destinar 60% do montante líquido que exceder R$ 200 milhões relativos à venda dos imóveis para amortização ou resgate antecipado das debêntures.A CNN Brasil procurou a Americanas e aguarda posicionamento. O espaço segue aberto.Operação da PFA Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (25) a Operação Disclosure. A operação é desdobramento de uma anterior, de 2024.Foram cumpridos nove mandados de busca e apreensão, com pedido de bloqueio de cerca de R$ 54 bilhões. Os mandados foram expedidos pela 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro.As buscas são realizadas nas cidades do Rio de Janeiro (RJ) e de São Paulo (SP). Entre os alvos estão os empresários Beto Sicupira e Jorge Paulo Lemann.A investigação apontou que os suspeitos teriam conhecimento de supostas fraudes contábeis praticadas ao longo de anos pela empresa. De acordo com os investigadores, as fraudes estariam relacionadas a operações de risco sacado e contratos de verba de propaganda cooperada (VPC) supostamente contabilizados sem lastro econômico.As apurações apontam indícios, em tese, dos crimes de manipulação de mercado e associação criminosa.