A possibilidade de a semaglutida, princípio ativo das canetas emagrecedoras Ozempic e Wegovy, passar a integrar o Sistema Único de Saúde (SUS) voltou à discussão após a Novo Nordisk apresentar uma nova proposta à Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec).Em nota, a empresa informou que o pedido prevê um desconto de 59% para o governo e foi estruturado para atender aos critérios de custo-efetividade exigidos pelo Ministério da Saúde. Segundo a farmacêutica, a iniciativa busca tornar sustentável a oferta do tratamento para obesidade na rede pública.A companhia apresentou os seguintes valores ao governo:0,25 mg a 1,0 mg: R$ 396,88 por dose;1,7 mg: R$ 594,49 por dose;2,4 mg: R$ 764,64 por dose.Leia tambémProfessora diz ser inventora do Pix e processa BC por violação de direito autoralNa petição, Anette Vernaschi Toppan alega que, em 2014, registrou na Biblioteca Nacional o projeto “Tá Pago”, que consiste em uma metodologia que permite a transferência eletrônica e instantânea como forma substitutiva de dinheiroAnvisa aprova primeiro medicamento não hormonal para menopausaO fezolinetanto é indicado para o tratamento de ondas de calor e suores noturnos associados à condiçãoUma tentativa anterior de incorporar a semaglutida ao SUS foi rejeitada pela Conitec em agosto de 2025, devido ao elevado impacto financeiro estimado, que poderia chegar a R$ 3,7 bilhões em cinco anos, segundo apuração do g1.Agora, a proposta da Novo Nordisk chega em um cenário diferente, marcado pelo fim da exclusividade da patente e pela entrada de novos fabricantes no mercado, o que ampliou a concorrência e pressionou os preços para baixo.O novo pleito também traz mudanças no público-alvo. A farmacêutica afirma que a estratégia passou a priorizar pacientes com obesidade que já sofreram infarto, concentrando o tratamento em um grupo considerado de maior risco cardiovascular.Além disso, a Novo Nordisk avalia que a medida pode contribuir para reduzir a ocorrência de novos eventos graves e aliviar a demanda por atendimentos de alta complexidade no sistema público.PesquisaPara embasar a proposta, a Novo Nordisk cita resultados do estudo SELECT, que avaliou mais de 17 mil participantes em 41 países. Segundo a companhia, a pesquisa apontou redução de 20% no risco combinado de morte cardiovascular, infarto e acidente vascular cerebral (AVC) entre pessoas com sobrepeso ou obesidade, sem diabetes, mas com doença cardiovascular já estabelecida.Em comunicado, Leonardo Bia, vice-presidente de Assuntos Corporativos da Novo Nordisk no Brasil, afirmou que a iniciativa foi desenhada para pacientes com maior risco de complicações.“Estamos propondo mais uma solução para a saúde pública, com potencial de ampliar o acesso, gerar eficiência e contribuir para a sustentabilidade do sistema. Essa intervenção médica é crucial para evitar que o paciente infartado volte a ocupar um leito de UTI”, disse.Tratamento no SUSDados citados pela Novo Nordisk indicam que cerca de 60 milhões de brasileiros convivem com obesidade. A semaglutida é usada no tratamento da condição, assim como do diabetes, por atuar em regiões do cérebro relacionadas ao apetite, além de retardar o esvaziamento gástrico. O resultado é uma menor ingestão calórica e, consequentemente, perda de peso.Hoje, o SUS não disponibiliza medicamentos específicos para obesidade, e a principal alternativa é a cirurgia bariátrica, procedimento que enfrenta longas filas em diferentes regiões do país.Leia tambémLula: “Não me candidatei para fazer coisa para rico, rico não precisa do governo”Presidente defendeu que presidentes olhem para “as pessoas mais humildes, a classe média e os trabalhadores” que precisam de incentivos políticosAlém dos impactos à saúde, o debate também envolve os custos para o sistema público. O g1 destaca que o relatório da Conitec referente à análise anterior apontou gastos elevados associados a doenças relacionadas à obesidade.Segundo os dados, um episódio de AVC custa R$ 57.910,20 ao sistema, enquanto uma cirurgia de revascularização do miocárdio tem custo de R$ 41.185,34. O tratamento por diálise, necessário em casos de falência renal, supera R$ 72 mil no primeiro ano, de acordo com o relatório.Enquanto a nova avaliação da Conitec não ocorre, o Ministério da Saúde prepara uma experiência prática para medir os efeitos da semaglutida no sistema público. O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, disse à GloboNews que pacientes com obesidade que aguardam cirurgia bariátrica participarão ainda neste ano de um estudo conduzido no Grupo Hospitalar Conceição, em Porto Alegre.“Temos situações de obesidade mórbida em que a pessoa nem consegue fazer a bariátrica. Vamos analisar se conseguimos colocar o paciente em um patamar em que ele consiga fazer a cirurgia ou até que não precise mais dela, o que representa uma redução de gastos para o próprio sistema de saúde. A ideia é entender melhor as condições para a incorporação”, afirmou Padilha, em entrevista à GloboNews.A Novo Nordisk afirma que já desenvolve projetos de acesso em parceria com o SUS, incluindo iniciativas no Grupo Hospitalar Conceição e na Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro. Segundo a companhia, essas ações buscam gerar evidências sobre o tratamento da obesidade e seus fatores de risco. Um dos projetos citados pela empresa é justamente o realizado no Grupo Hospitalar Conceição, onde o Ministério da Saúde pretende avaliar os efeitos do uso da semaglutida em pacientes que aguardam cirurgia bariátrica.The post Novo Nordisk propõe desconto de 59% para levar semaglutida ao SUS appeared first on InfoMoney.