Itaú BBA abandona visão otimista e recalcula aposta para juros

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O Itaú BBA revisou sua projeção para a taxa Selic e passou a ver os juros encerrando o ciclo em 14%, acima da estimativa anterior de 13,75%, com último corte esperado em agosto.A mudança chama atenção porque ocorre logo após o banco ter adotado uma leitura mais construtiva da última decisão do Copom. Na ocasião, o BBA foi enfático ao enxergar espaço para mais cortes de juros, interpretando a comunicação do Banco Central como ainda compatível com uma flexibilização mais prolongada da política monetária.Agora, o tom muda. Segundo o novo cenário macro, após a coletiva do Relatório de Política Monetária, na qual o Banco Central tentou reduzir ruídos da comunicação anterior, o discurso foi lido como mais cauteloso, com manutenção de um balanço de riscos assimétrico para a inflação, ainda inclinado para cima.“O comitê seguiu ressaltando que a magnitude do ciclo de calibração será ajustada a depender da evolução dos dados. Mas, ao caracterizar o balanço de riscos como tendo assimetria altista, sinaliza que qualquer espaço que ainda exista para a flexibilização está se esgotando rapidamente”, ressalta. Câmbio também entra na lista de revisõesAlém da Selic, o Itaú BBA também revisou suas projeções para o câmbio, passando a enxergar um real mais depreciado à frente, em meio a um cenário externo mais adverso.Agora, o banco projeta o dólar em R$ 5,30 em 2026 (ante R$ 5,15) e R$ 5,50 em 2027 (ante R$ 5,35). A revisão reflete principalmente a expectativa de juros mais altos nos Estados Unidos, com fortalecimento global do dólar, além da piora dos termos de troca, influenciada pela queda do petróleo.No cenário doméstico, o aumento do prêmio de risco também entra na conta, especialmente em um contexto de maior sensibilidade fiscal e sazonalidade típica de anos eleitorais.Demais projeções inalteradasApesar das mudanças em juros e câmbio, o Itaú BBA manteve inalteradas as principais projeções macro:PIB: 2,1% em 2026 e 1,7% em 2027A manutenção reflete a avaliação de que a economia segue sustentada por impulsos fiscais e parafiscais em 2026, que compensam o aperto da política monetária. Já em 2027, a desaceleração é vista como consequência natural da perda de fôlego desses estímulos, sem mudanças relevantes no cenário base.IPCA: 5,4% em 2026 e 4,5% em 2027A projeção foi mantida, mas com mudanças na composição. O banco reduziu a pressão esperada para combustíveis, diante da queda do petróleo, ao mesmo tempo em que elevou a estimativa para alimentos, incorporando possíveis efeitos climáticos do El Niño. No agregado, os movimentos se compensam, mantendo o número final estável — embora com balanço de riscos mais sensível em cada direção dependendo do ano.Resultado primário: -0,5% do PIB em 2026 e -0,6% em 2027A estabilidade decorre de um cenário em que, apesar da piora recente dos termos de troca com o petróleo mais baixo, há compensações vindas de receitas extraordinárias e dinâmica de arrecadação ainda resiliente no curto prazo. Por outro lado, o banco reforça que o quadro fiscal segue fragilizado pela expansão de gastos fora das regras, o que mantém o déficit estrutural praticamente inalterado no horizonte projetado.