O Secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, respondeu à carta enviada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre as tarifas americanas impostas ao Brasil. A informação foi noticiada pelo jornal O Globo e confirmada pela coluna.Na resposta, datada de 23 de junho de 2026, Rubio demonstra abertura para cooperar com o senador caso ele vença as eleições de outubro.Na carta, o chanceler americano agradece o apoio de Flávio à decisão dos EUA de designar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas estrangeiras. Rubio destaca que essas facções criminosas representam uma grave ameaça à segurança de cidadãos brasileiros e americanos.“Agradeço profundamente o seu apoio à nossa decisão de designar o Comando Vermelho e o Primeiro Comando da Capital como Terroristas Globais Especialmente Designados e Organizações Terroristas Estrangeiras sob a lei dos EUA”, escreveu Rubio.‘Tarifaço’Sobre o tema das tarifas, Rubio reforça o caminho legítimo e institucional para tratar da questão. Ele menciona que o Embaixador Jamieson Greer, Representante de Comércio dos Estados Unidos, anunciou em 1º de junho de 2026 sua determinação de que certos atos, políticas e práticas do Brasil são “irrazoáveis ou discriminatórios” e que “sobrecarregam ou restringem o comércio dos EUA”.Greer propôs uma ação responsiva que está aberta para consulta pública. O prazo para comentários vai até 1º de julho de 2026, e haverá uma audiência pública no dia 6 de julho de 2026. Qualquer parte interessada no Brasil pode participar apresentando suas posições.Rubio lembra ainda que essa determinação e a ação proposta decorrem de uma investigação iniciada em julho de 2025, por determinação específica do Presidente Trump.O secretário de Estado destaca que persistem “diferenças substanciais” entre os dois países na resolução dos problemas identificados nessa investigação.Esses pontos incluem: comércio digital, serviços de pagamento eletrônico, tarifas preferenciais injustas, aplicação de medidas anticorrupção, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol e desmatamento ilegal.Essa via institucional é apresentada como o canal adequado para avançar nas discussões, em contraste com a postura atual do governo Lula, que tem sido criticada por não utilizá-la.Eleições e parceriaUm dos pontos mais relevantes da carta é a menção direta às eleições de outubro no Brasil. Rubio reconhece o otimismo de Flávio e a oferta de uma equipe de transição caso o senador seja eleito:“Notamos o seu otimismo em relação às eleições de outubro que se aproximam e a sua generosa oferta de colocar uma equipe de transição à nossa disposição caso seja eleito. Os Estados Unidos estão prontos para trabalhar de forma cooperativa com os líderes escolhidos pelo povo brasileiro…”O secretário de Estado ainda afirma que os Estados Unidos desejam ver “um Brasil próspero, seguro e economicamente estável” e se mostra disposto a aprofundar a parceria estratégica entre os dois países, baseada em “valores compartilhados, respeito mútuo e uma visão comum para a segurança e prosperidade do Hemisfério Ocidental”.A carta termina com: “Aguardo com expectativa o nosso diálogo contínuo e o aprofundamento da parceria estratégica entre as nossas duas grandes nações. Que Deus abençoe os Estados Unidos e o Brasil.”Carta de Flávio Flávio Bolsonaro enviou carta anterior ao governo americano tratando das tarifas e oferecendo cooperação em caso de vitória da oposição.A resposta de Rubio é vista por aliados do senador como um forte sinal de que Washington está preparada para retomar uma relação mais alinhada e construtiva caso o quadro político brasileiro mude em outubro de 2026.A imagem da carta oficial, com o timbre do Departamento de Estado, circula intensamente nas redes sociais e já é considerada um importante movimento diplomático às vésperas do calendário eleitoral.