O espelho d’água do Lincoln Memorial, um dos monumentos mais conhecidos de Washington, virou alvo de uma disputa política e judicial após apresentar problemas poucas semanas depois de uma reforma de quase US$ 15 milhões promovida durante o governo do presidente dos EUA, Donald Trump.O assunto ganhou força após Trump afirmar que o local foi alvo de vandalismo e defender punições severas aos responsáveis, enquanto críticos apontam possíveis falhas na própria obra de revitalização.O que aconteceu?O espelho d’água foi reaberto no início de junho após uma reforma avaliada em US$ 14,7 milhões. Poucas semanas depois, surgiram problemas como proliferação de algas e o desprendimento de uma camada azul instalada no fundo da piscina.Durante o fim de semana, diversas pessoas observaram ou tocar o material que estava se soltando. Segundo o Departamento do Interior, cinco pessoas foram presas por vandalismo, outras cinco receberam notificações federais e 14 boletins de ocorrência foram registrados.Entre os detidos está o ex-canoísta olímpico americano David Hearn. Ele afirmou à CNN que apenas tocou em um pedaço do revestimento que já havia se desprendido e negou qualquer ato de vandalismo.O que diz Trump?Trump afirmou que o espelho d’água foi deliberadamente vandalizado.Em publicação na rede Truth Social, o presidente lembrou que a destruição de patrimônio federal pode resultar em penas de até 10 anos de prisão.Posteriormente, em conversa com jornalistas no Salão Oval, ele afirmou que o revestimento da piscina apresentava um corte de cerca de 90 metros, número que depois elevou para mais de 100 metros.Segundo Trump, o dano teria sido causado por alguém usando uma faca ou estilete.“Foi cortado de forma muito violenta”, declarou o presidente, acrescentando que imagens do suposto dano seriam divulgadas “no momento certo”.Pressionado sobre se tinha provas disso, Trump disse: “Vamos colocar desta forma: quando você tem um, acho que são mais de 100 metros, um corte de mais de 100 metros de uma ponta à outra, você acha que isso é prova?”.Trump também sugeriu, sem apresentar comprovações, que alguém poderia ter colocado substâncias na água para provocar a proliferação de algas.Fotos tiradas em 12, 16 e 18 de junho mostram evolução de algas em espelho d’água do Lincoln Memorial • ReutersQuais acusações podem ser aplicadas?Até o momento, as infrações registradas envolvem acusações menores relacionadas a vandalismo, conduta desordeira e danos à propriedade pública.No entanto, Trump defendeu a aplicação de acusações mais graves.A procuradora federal para o Distrito de Columbia, Jeanine Pirro, afirmou que os casos serão analisados e que acusações mais severas podem ser consideradas caso sejam encontradas evidências de danos intencionais mais significativos.Nos Estados Unidos, a destruição de propriedade federal pode ser enquadrada como crime federal quando provoca prejuízos relevantes, com penas que podem chegar a 10 anos de prisão e multas de até US$ 250 mil.Por que o caso virou disputa política?O episódio se transformou em mais um tema de confronto entre aliados e críticos de Trump.Apoiadores do presidente afirmam que o suposto vandalismo demonstra uma tentativa de sabotar projetos de revitalização apoiados pela Casa Branca.Já opositores argumentam que os problemas decorrem da própria execução da obra e criticam Trump por concentrar atenção no espelho d’água enquanto os Estados Unidos enfrentam desafios relacionados à guerra envolvendo o Irã e à alta dos preços de combustíveis e alimentos.Além disso, grupos ambientalistas e organizações que questionam judicialmente a reforma afirmam que o surgimento de algas e o descascamento do revestimento reforçam suspeitas de que o projeto foi executado de forma acelerada para cumprir prazos políticos.Críticos também apontam uma aparente contradição entre a posição atual de Trump sobre danos ao patrimônio público e a decisão de conceder indulto a mais de mil participantes dos atos de 6 de janeiro de 2021, incluindo pessoas condenadas por vandalizar o Capitólio dos Estados Unidos.A comparação tem sido usada por opositores para questionar a defesa de punições severas no caso do espelho d’água.O que acontece agora?As autoridades já aprovaram uma nova drenagem do espelho d’água para reparos. A empresa responsável pela obra afirmou que corrigirá os problemas sob garantia.Enquanto isso, o Departamento de Justiça e a Procuradoria do Distrito de Columbia analisam os registros feitos pela polícia para decidir se apresentarão acusações formais contra os envolvidos.O caso segue em investigação e ainda não foram divulgadas provas públicas que confirmem as alegações de Trump sobre cortes intencionais no revestimento ou sabotagem da água.(Com informações de Michael Williams, Katelyn Polantz e Betsy Klein, da CNN)