Longevidade: o segredo para viver mais anos pode estar no seu cão

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E se o melhor aliado para compreender o envelhecimento humano estiver junto de nós? Um estudo publicado na revista científica The Journals of Gerontology conclui que cães e humanos partilham biomarcadores associados ao risco de mortalidade, reforçando o potencial dos cães como modelo para acelerar a investigação sobre envelhecimento saudável e doenças relacionadas com a idade.A descoberta poderá ajudar os investigadores a identificar mais rapidamente os mecanismos biológicos associados ao envelhecimento e a desenvolver estratégias para prolongar não apenas a esperança de vida, mas sobretudo os anos vividos com saúde. Porque podem os cães ajudar a compreender o envelhecimento humano?Durante décadas, a investigação sobre o envelhecimento humano enfrentou um obstáculo significativo: os estudos exigem acompanhar milhares de pessoas durante muitos anos para perceber como determinadas alterações biológicas influenciam a saúde e a longevidade.Os cães oferecem uma vantagem única. Além de partilharem o ambiente, muitos hábitos e várias doenças associadas ao envelhecimento com os humanos, vivem muito menos tempo, permitindo observar estes processos biológicos num período bastante mais curto.Foi precisamente esta característica que levou os investigadores do Dog Aging Project, nos Estados Unidos, a analisar a relação entre determinados metabolitos presentes no sangue e o risco de mortalidade. Os biomarcadores são surpreendentemente semelhantesA principal conclusão foi clara: os biomarcadores associados ao risco de mortalidade nos cães apresentam uma forte correspondência com aqueles já identificados em humanos.Segundo os autores, existe uma assinatura biológica comum no metaboloma — o conjunto de metabolitos presentes no sangue — que parece estar associada ao envelhecimento e ao risco de morte em ambas as espécies.Esta semelhança sugere que os cães podem funcionar como um modelo de investigação extremamente relevante para compreender o processo de envelhecimento humano. O seu cão poderá viver mais – e os donos tambémO interesse científico pela longevidade dos cães está também a impulsionar uma nova indústria. Como afirma um artigo do The New York Times, várias empresas de biotecnologia estão a desenvolver medicamentos, suplementos e testes destinados a prolongar a vida dos animais de companhia.Um dos exemplos mais mediáticos é a norte-americana Loyal, que está a testar um fármaco para retardar o envelhecimento em cães. Mais de 1.300 animais participam atualmente num ensaio clínico com um comprimido diário e, caso os resultados sejam positivos, este poderá tornar-se o primeiro medicamento aprovado pela FDA para prolongar a esperança de vida de uma espécie.Outra das conclusões importantes da publicação do The Journals of Gerontology prende-se com o tempo necessário para obter resultados. Enquanto muitos estudos realizados em humanos exigem acompanhamentos durante uma ou duas décadas, os biomarcadores identificados nos cães foram encontrados após um período médio de acompanhamento de apenas 2,6 anos, graças ao ciclo de vida mais curto destes animais. O que estes biomarcadores revelamEntre os metabolitos identificados encontram-se moléculas já associadas, em estudos anteriores, ao funcionamento dos rins e ao envelhecimento do organismo.Os investigadores sugerem que o declínio progressivo da função renal poderá constituir um dos mecanismos biológicos comuns que explicam a associação entre estes biomarcadores e o aumento do risco de mortalidade em cães e humanos.Embora sejam necessários novos estudos para confirmar estes mecanismos, os resultados reforçam a ideia de que diferentes espécies podem partilhar processos biológicos fundamentais ligados ao envelhecimento.O conteúdo Longevidade: o segredo para viver mais anos pode estar no seu cão aparece primeiro em Revista Líder.