Reajuste da energia elétrica pressiona custos de produção no agronegócio

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Os reajustes nas tarifas de energia elétrica aprovados pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) em 2026 devem impactar os custos de produção do agronegócio.Em diferentes Estados, produtores rurais devem enfrentar aumentos que variam de pouco mais de 3% a quase 23% para consumidores rurais atendidos em baixa tensão, elevando os custos de produção em atividades altamente dependentes de energia, como irrigação, armazenagem de grãos, avicultura, suinocultura, pecuária leiteira, piscicultura e agroindústrias.O reajuste aprovado para a Copel no estado do Paraná foi de 20,51%, índice superior inclusive ao inicialmente proposto pela agência reguladora.O caso mais emblemático é o do Paraná, onde o Sistema FAEP (Federação da Agricultura do Estado do Paraná) classificou como “abusivo” o reajuste autorizado para a Copel e iniciou uma mobilização política para tentar reverter a decisão. Leia Mais Conta de luz sobe e deve atingir quase 40% dos consumidores até junho Super quarta de reajuste eleva conta de luz de 29 milhões de consumidores Aneel aprova alta de 11,27% em taxa para consumidores da Energisa Minas Rio A entidade afirma que o aumento acontece justamente em um momento em que produtores convivem há anos com interrupções frequentes no fornecimento de energia e prejuízos milionários provocados por apagões no meio rural.Segundo o presidente do Sistema FAEP, Ágide Eduardo Meneguette, o reajuste aprovado supera inclusive a inflação registrada em 2025, de 4,26%, sem que tenha havido melhora na qualidade do serviço.“O índice de reajuste que a Aneel está aprovando é ainda maior que a proposta inicial, que já era absurda. Vamos trabalhar para reverter essa decisão”, afirmou.A entidade também informou que irá oficiar o senador Sergio Moro para buscar, junto à Aneel, alternativas que permitam reverter ou ao menos reduzir o impacto do aumento.O posicionamento da FAEP ocorre após uma série de audiências públicas realizadas em Curitiba e em Brasília, nas quais representantes do setor agropecuário apresentaram dados sobre os prejuízos provocados pelas constantes oscilações e interrupções no fornecimento de energia elétrica nas propriedades rurais.Segundo a entidade, produtores convivem há anos com perdas de produção, danos em equipamentos, interrupções na ordenha, paralisação de sistemas de irrigação e prejuízos em granjas e aviários devido à instabilidade da rede elétrica.Enquanto isso, destaca a FAEP, a Copel registrou lucro líquido de R$ 2,66 bilhões em 2025.“Não podemos aceitar que o produtor rural passe a pagar ainda mais por uma luz que muitas vezes não chega. A Aneel acaba premiando um serviço que continua apresentando graves problemas”, afirma Meneguette.Paraná registra um dos maiores reajustes do paísPara o setor produtivo, o aumento agrava um cenário de perda de competitividade, principalmente para atividades que operam praticamente de forma contínua e possuem grande consumo energético.Entre elas estão:sistemas de irrigação;secagem e armazenagem de grãos;confinamentos;produção de leite;aviários;granjas de suínos;piscicultura;agroindústrias instaladas no meio rural.A FAEP defende que qualquer reajuste tarifário deveria estar condicionado à melhoria da qualidade do fornecimento, algo que, segundo a entidade, não ocorreu.São Paulo terá aumento próximo de 9% para consumidores rurais da EnelOs produtores rurais paulistas atendidos pelas distribuidoras de energia terão aumento nas contas de luz a partir dos reajustes tarifários aprovados pela Aneel. Na área de concessão da Enel São Paulo, que atende a capital e parte da Região Metropolitana, o reajuste médio aprovado foi de 10,18%. Para os consumidores rurais enquadrados na baixa tensão (grupo B2 Rural), o aumento será de 8,85%.Segundo a agência, o reajuste da Enel foi influenciado principalmente pelo aumento dos encargos setoriais, pela elevação dos custos de transmissão, pelos gastos com compra de energia e pela atualização dos componentes financeiros do setor elétrico.A agência ressalta que grande parte desses custos não permanece com a distribuidora, sendo destinada ao financiamento de políticas públicas e ao pagamento de encargos e serviços do sistema elétrico nacional.No interior paulista, os produtores atendidos pela CPFL Santa Cruz enfrentarão um aumento ainda mais expressivo. A distribuidora, responsável pelo fornecimento de energia para cerca de 528 mil unidades consumidoras, teve reajuste médio de 18,89%.Para os consumidores rurais de baixa tensão, o aumento aprovado chegou a 22,85%, um dos maiores índices registrados entre as distribuidoras analisadas pela Aneel.Mato Grosso do Sul também registra reajuste de dois dígitosNa área de concessão da Energisa Mato Grosso do Sul, a Agência aprovou um reajuste tarifário médio de 12,11%. O índice foi reduzido após a distribuidora solicitar um diferimento tarifário, mecanismo que suavizou parte do aumento. Sem essa medida, o reajuste médio teria alcançado 12,61%.Para os consumidores de baixa tensão, grupo no qual está inserida a maior parte dos produtores rurais, o aumento médio aprovado foi de 11,98%.Segundo a Aneel, o reajuste foi impulsionado principalmente pelo aumento dos custos da CDE (Conta de Desenvolvimento Energético), dos encargos setoriais, dos componentes financeiros acumulados dos ciclos tarifários anteriores e das despesas com transmissão de energia.Mato Grosso terá reajuste de 6,86% nas tarifas de energiaEm Mato Grosso, maior produtor de soja, milho, algodão e carne bovina do Brasil, a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou um reajuste tarifário médio de 6,86% para os consumidores atendidos pela Energisa Mato Grosso.Embora o percentual aprovado seja inferior aos registrados em estados como Paraná, Mato Grosso do Sul e parte de São Paulo, o impacto para o agronegócio mato-grossense tende a ser significativo.O estado concentra a maior produção agrícola do país e possui uma estrutura altamente dependente de energia elétrica para irrigação, secagem e armazenagem de grãos, beneficiamento de sementes, algodoeiras, frigoríficos, confinamentos bovinos, granjas, sistemas de bombeamento de água e agroindústrias.Bahia tem menor reajuste entre os casos analisadosNa Neoenergia Coelba, que atende cerca de 6,9 milhões de unidades consumidoras na Bahia, o reajuste médio aprovado foi de 5,18%.Para consumidores em baixa tensão, onde está enquadrada boa parte das propriedades rurais, o reajuste médio ficou em 3,42%.Segundo a Aneel, o percentual só não foi maior porque a distribuidora antecipou recursos relacionados ao UBP (Uso de Bem Público), mecanismo que reduziu significativamente o efeito tarifário. Sem essa medida, o reajuste médio poderia alcançar cerca de 12,43%.Agricultura de baixo carbono ganha espaço no Brasil