SUZB3: Suzano pode subir 76%, mas analista vê ação sem grandes gatilhos no curto prazoA Suzano (SUZB3) segue como a principal escolha do BTG Pactual no setor de papel e celulose, mesmo em um cenário mais difícil para os preços da celulose. Após encontro com a alta administração da companhia, o banco manteve recomendação de compra para os papéis, com preço-alvo de R$ 72 em 12 meses.Considerando o preço de R$ 42,20 usado no relatório, o potencial de valorização estimado é de 70,6%. Somado ao dividend yield projetado de 5,5%, o retorno total esperado chega a 76,2%.O que o BTG viu no encontro com a companhia?Segundo o BTG, a administração da Suzano segue focada no que consegue controlar: execução, fortalecimento do balanço e disciplina na alocação de capital. O banco destacou que a empresa não demonstra interesse em grandes aquisições ou novos projetos greenfield de celulose neste momento.A prioridade, de acordo com o relatório, é reduzir a alavancagem para cerca de 2,5 vezes dívida líquida sobre Ebitda até o fim de 2027 ou meados de 2028. Hoje, esse indicador está ligeiramente acima de 3 vezes.O BTG também avalia que uma nova política de dividendos parece mais uma questão de “quando” do que de “se”. A leitura é que, depois de atingir a meta de desalavancagem, a companhia pode passar a oferecer maior retorno em caixa aos acionistas.No curto prazo, porém, o cenário para a celulose continua desafiador. O banco avalia que o mercado chinês está próximo de um pico de curto prazo, com estoques elevados, sentimento fraco na cadeia e condições difíceis para a celulose de fibra longa. O BTG não descarta uma correção de 5% a 10% nos preços da celulose na China, hoje em torno de US$ 600 por tonelada.Apesar disso, a administração busca reduzir a dependência da China por meio de iniciativas de substituição de fibras e desverticalização, principalmente na Europa e na América do Norte. Para o banco, esses movimentos podem se tornar vetores estruturais de crescimento.Na frente operacional, a companhia reiterou a meta de custo caixa, excluindo paradas, de R$ 830 a R$ 840 por tonelada no segundo trimestre de 2026 e de cerca de R$ 800 por tonelada no ano. O BTG vê esse ponto como positivo, especialmente diante da pressão de custos e câmbio.Ainda assim, o banco reconhece que faltam catalisadores de curto prazo. A ação negocia a cerca de 5,3 vezes EV/Ebitda estimado para 2026, nível considerado descontado pelo BTG, mas o setor segue pressionado pela piora nos fundamentos da celulose e pela baixa tração entre investidores.“Continuamos vendo a Suzano (SUZB3) como uma vencedora estrutural da indústria, apoiada por vantagens competitivas, liderança em volume e custo e uma equipe de gestão forte”, afirma o BTG.