Israel não sairá da zona de segurança no Líbano, diz autoridade

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O ministro das Finanças de Israel, Bezalel Smotrich, de ultradireita, insistiu que não haverá “nenhuma retirada israelense da zona de segurança” no Líbano, antes das negociações entre os dois países previstas para começar em Washington nesta terça-feira (23).“Não haverá retirada israelense da zona de segurança — incluindo a fortaleza de Beaufort — no Líbano, enquanto o Hezbollah existir no Líbano”, disse Smotrich à Rádio do Exército de Israel.A CNN havia noticiado anteriormente que Israel estuda a possibilidade de anunciar uma retirada “simbólica” de parte do território no Líbano.As declarações de Smotrich ecoam as do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, que afirmou na segunda-feira (22) estar “firme quanto à nossa permanência na zona de segurança no sul do Líbano pelo tempo que for necessário”. Israel e Líbano retomam negociações nesta terça (23) após acordo EUA-Irã Ataques de Israel no Líbano matam uma criança e dois idosos, afirma agência Cessar-fogo no Líbano se mantém em meio a temores de colapso Negociações nos EUAO Líbano inicia nesta terça-feira, em Washington, uma nova rodada de conversas com Israel e está determinado a prosseguir com as negociações diretas, mesmo que elas pareçam ofuscadas pela decisão do Irã de incluir o Líbano em suas negociações com os Estados Unidos.Autoridades libanesas têm insistido que negociações presenciais com Israel são a única maneira de garantir o fim da guerra em curso desde 2 de março — quando o grupo radical Hezbollah disparou contra o território israelense em apoio ao Irã.Com isso, ataques aéreos e terrestres israelenses foram desencadeados e já mataram mais de quatro mil pessoas no Líbano.No entanto, quatro rodadas de negociações entre os países realizadas desde abril não conseguiram resultar em um cessar-fogo duradouro.Em vez disso, a mais longa trégua nos combates ocorreu nesta semana, após Teerã e Washington firmarem um acordo provisório que estabelece a suspensão das hostilidades em todas as frentes, inclusive no Líbano.O documento fortaleceu o Hezbollah — grupo apoiado pelo Irã — e desferiu um golpe contra o Estado libanês, cujos líderes, incluindo o presidente Joseph Aoun, haviam alertado repetidamente de que Teerã não pode negociar em nome do Líbano.A autoridade libanesa mostrou-se cética quanto à possibilidade de qualquer progresso concreto resultar das negociações, previstas para durar três dias.“Persiste um problema fundamental de confiança entre nós e os israelenses nestas conversas. Não podemos atender às exigências deles, e eles rejeitam todas as nossas”, declarou a autoridade.Beirute buscará cronograma para a retirada israelenseO Líbano afirmou que um de seus principais objetivos nas negociações seria garantir a retirada militar de Israel, mas autoridades israelenses de alto escalão declararam que as tropas permaneceriam no sul do Líbano por tempo indeterminado.A autoridade libanesa disse que Beirute exigiria que Israel apresentasse um cronograma “razoável” para sua retirada durante as negociações.“Essa é a única chance que temos de gerar impulso nessas negociações e nessa disputa de forças com o Irã”, afirmou a autoridade.Israel, por sua vez, vê o objetivo das próximas conversas como o de “desarmar o Hezbollah e alcançar um acordo de paz genuíno” com o Líbano, segundo uma declaração do porta-voz do governo israelense, David Mencer, na véspera das novas negociações.Mencer afirmou que o único obstáculo para um acordo com o Líbano era o Hezbollah, “razão pela qual acreditamos que o grupo deve ser desarmado e desmantelado”.O governo libanês tem agido com cautela desde 2025 para desarmar o grupo radical sem confrontá-lo diretamente, temendo desencadear um conflito civil.O Hezbollah rejeitou o desarmamento completo e instou o governo a retirar-se das negociações diretas com Israel.Entenda o que é o Hezbollah e como surgiu o grupo libanês