O Brasil enfrenta, nesta segunda-feira (29), o Japão, pela fase de 16 avos de final da Copa do Mundo de 2026, em busca de uma vaga nas oitavas. Segundo colocado do forte Grupo F, atrás da Holanda, o adversário da Seleção chega ao mata-mata com um estilo de jogo bem definido na organização tática, na troca de passes e nas transições rápidas, marcas do trabalho do técnico Hajime Moriyasu, que está no comando da equipe desde julho 2018.A seleção asiática apresentou até agora nesta Copa um futebol de posse quando encontra espaços, mas também mostrou capacidade para atuar de forma reativa diante de adversários mais fortes. Contra equipes de maior nível técnico, o Japão costuma baixar suas linhas, marcar a partir do meio-campo e acelerar rapidamente após recuperar a bola, explorando a movimentação dos homens de frente e a qualidade dos passes. Foi dessa forma que conquistou vitórias recentes sobre Brasil e Inglaterra durante o ciclo para a Copa do Mundo.Os “Samurais Azuis” não perdem uma partida desde o dia 9 de setembro de 2025, quando foram derrotados por 2 a 0 pelos Estados Unidos, em um amistoso. No mês seguinte, protagonizaram uma das derrotas mais marcantes da era Carlo Ancelotti ao virar um 2 a 0 para um triunfo por 3 a 2 sobre a Seleção Brasileira.A classificação para a Copa do Mundo também confirmou a evolução japonesa nos últimos anos. Depois da eliminação nas quartas de final da Copa da Ásia de 2023 para o Irã, a equipe dominou as Eliminatórias Asiáticas. Em 16 partidas, venceu 13, empatou duas e perdeu apenas uma, para a Austrália. Ao todo, no ciclo para o Mundial, disputou 42 jogos, com 33 vitórias, cinco empates, quatro derrotas e 83% de aproveitamento. Além da vitória sobre o Brasil, também venceu Inglaterra e Alemanha em amistosos de preparação.Na Copa do Mundo, o Japão avançou em segundo lugar no Grupo F, liderado pela Holanda. Suécia e Tunísia terminaram em terceiro e quarto lugares, respectivamente.Organização tática é a principal marcaTécnico do Japão, Hajime MoriyasuMoriyasu montou uma seleção que atua, na maior parte do tempo, no esquema 3-4-3. Na fase defensiva, porém, a formação costuma se transformar em um 5-4-1, com linhas compactas e poucos espaços entre os setores. Diferentemente da maioria das equipes que utilizam esse sistema, os lados do campo são ocupados por jogadores de perfil ofensivo, e não por laterais de origem.A equipe raramente pressiona a saída de bola desde os primeiros minutos. A marcação normalmente começa na intermediária defensiva, buscando fechar os espaços próximos da área. Quando recupera a posse, o Japão acelera as jogadas pelo corredor central, utilizando passes rápidos e movimentação constante para desmontar a defesa adversária.Foi assim que marcou gols diante da Tunísia e da Suécia. Contra os suecos, por exemplo, o gol nasceu de uma troca de passes envolvendo Ritsu Doan, Daizen Maeda e Ayase Ueda, combinação que resume o modelo de jogo implantado por Moriyasu.Outra característica da equipe é a versatilidade dos jogadores. Ao longo da fase de grupos, Moriyasu promoveu mudanças constantes na escalação sem alterar o funcionamento coletivo. Daichi Kamada atuou como volante em algumas partidas e mais avançado em outras, enquanto Doan alternou entre a ala direita e o ataque. O treinador também não repetiu a formação titular em nenhum dos três primeiros jogos.Ataque móvel e meio-campo técnicoMesmo com mudanças frequentes, alguns jogadores se consolidaram como referências da equipe. O ataque costuma ser formado por Ritsu Doan, do Eintracht Frankfurt, Daizen Maeda, do Celtic, e Ayase Ueda, do Feyenoord, que atua mais centralizado.Ueda vive um dos melhores momentos da carreira. Antes da Copa, marcou 26 gols em 40 partidas pelo Feyenoord e já balançou as redes no Mundial. Além da capacidade de finalização, participa da construção das jogadas, atuando como pivô e abrindo espaços para os companheiros.Doan exerce papel importante tanto como ala quanto como atacante, enquanto Maeda oferece velocidade e profundidade. No meio-campo, Daichi Kamada, do Crystal Palace, aparece com frequência no setor ofensivo e já marcou gols nesta Copa. Também se destacam os volantes Ao Tanaka e Sano, responsáveis por dar qualidade à circulação da bola.Pelos lados, Shunsuke Nakamura e Junya Ito ampliam as opções ofensivas com dribles e movimentação.Defesa sólida mesmo com desfalquesNa defesa, Hiroki Ito voltou a ganhar espaço após se recuperar de lesão sofrida durante sua passagem pelo Bayern de Munique e se tornou uma das referências do sistema defensivo japonês.Apesar da boa campanha, o Japão disputa a Copa do Mundo com baixas importantes. O volante Wataru Endo, do Liverpool, e os atacantes Kaoru Mitoma, do Brighton, e Takumi Minamino, do Monaco, ficaram fora da convocação por problemas físicos.Durante o torneio, o técnico ainda perdeu Takefusa Kubo, da Real Sociedad, que sofreu uma entorse no joelho direito na estreia diante da Holanda. O zagueiro Itakura, que assumia a braçadeira de capitão, também passou a ser desfalque por questões médicas.Mesmo com as ausências, a equipe manteve o padrão de atuação graças à profundidade do elenco e à organização coletiva construída por Moriyasu ao longo de oito anos de trabalho.A consistência do projeto também aparece nas últimas Copas. Em 2018, o Japão foi eliminado nas oitavas de final após sofrer uma virada para a Bélgica nos minutos finais. Quatro anos depois, surpreendeu ao liderar um grupo que reunia Alemanha, Espanha e Costa Rica, vencendo as duas seleções europeias.