Segundo relatório de meio de ano da gestora 21Shares, o Bitcoin ainda pode se recuperar e atingir US$ 100 mil até o fim de 2026, mesmo após perder o nível de US$ 60 mil nesta quarta-feira (24), caindo para uma mínima diária de US$ 59.423 por volta das 14h15.A empresa, sediada em Zurique, revisou suas projeções para o mercado cripto e afirmou que o comportamento recente da maior criptomoeda ainda se parece com padrões observados em ciclos anteriores após o halving.O relatório foi publicado nesta quarta-feira e mantém US$ 100 mil como cenário-base para o Bitcoin no fim do ano. A projeção vem depois de o ativo ter atingido uma máxima próxima de US$ 126 mil em outubro de 2025 e recuado para US$ 59 mil. Hoje, o BTC está cerca de 52% abaixo da máxima histórica.Segundo a 21Shares, a queda atual ainda “parece familiar” quando comparada a ciclos anteriores do Bitcoin após eventos de halving, mecanismo que reduz pela metade a emissão de novos BTCs aproximadamente a cada quatro anos. Historicamente, esses períodos foram marcados por fortes altas seguidas de correções relevantes.A diferença, segundo a gestora, é que o recuo atual segue bem menos severo do que as quedas superiores a 80% vistas em ciclos anteriores. Outro ponto considerado positivo é que o Bitcoin ainda não perdeu seu custo médio agregado dos investidores, estimado em US$ 54 mil.“Notavelmente, o Bitcoin também evitou, até agora, a capitulação aberta que definiu quedas anteriores — ele ainda não negociou abaixo de seu custo médio agregado de US$ 54 mil”, afirmou a 21Shares no relatório. Para a gestora, esse comportamento indica um mercado mais maduro, com fluxos de capital mais resilientes.A leitura sugere que, embora o sentimento de curto prazo continue pressionado, a estrutura do mercado mudou em relação a ciclos passados. A presença de produtos regulados, investidores institucionais e veículos listados em bolsa pode ter ajudado a reduzir a intensidade da correção.ETFs seguram exposição apesar da quedaAlém da projeção para o preço do Bitcoin, a 21Shares analisou o comportamento dos produtos cripto negociados em bolsa. Segundo a gestora, os ETPs globais de cripto tinham cerca de US$ 140 bilhões em ativos sob gestão até maio de 2026, queda de aproximadamente 15% no ano.A redução, no entanto, foi atribuída principalmente à queda dos preços, e não a uma liquidação generalizada por parte dos investidores. As posições totais desses produtos chegaram a 1,25 milhão de BTC, apenas 8% abaixo dos picos anteriores.Nos Estados Unidos, os ETFs de Bitcoin à vista registraram cerca de US$ 3 bilhões em saídas líquidas, mas a 21Shares afirmou que as alocações subjacentes em BTC continuaram próximas das máximas do ciclo. Para a gestora, isso reforça a tese de que investidores institucionais ainda mantêm exposição relevante, mesmo em meio à volatilidade.O relatório também destacou a expansão de produtos além do Bitcoin. ETFs ligados à Hyperliquid, por exemplo, atraíram cerca de US$ 150 milhões no primeiro mês de negociação, sinalizando interesse por novas teses dentro do mercado cripto.Tokenização, DeFi e mercados de previsão avançamA 21Shares também revisitou suas projeções para outras áreas do setor. Em mercados de previsão, o volume negociado chegou a US$ 57,5 bilhões até o fim de maio, mais da metade da estimativa da gestora para o ano inteiro. No ritmo atual, o segmento pode alcançar US$ 100 bilhões em 2026 e até se aproximar de US$ 200 bilhões, dependendo da atividade no segundo semestre.A gestora cita eventos como a Copa do Mundo e as eleições legislativas de meio de mandato nos Estados Unidos como possíveis catalisadores para esse crescimento. Esses mercados permitem que usuários negociem probabilidades sobre eventos futuros, como resultados esportivos, eleições e indicadores econômicos.Em DeFi, o valor total travado segue perto de US$ 140 bilhões, praticamente estável em relação ao início do ano e ainda distante da previsão de US$ 300 bilhões feita pela 21Shares. A gestora apontou incidentes de segurança como um dos principais obstáculos para novas entradas de capital no setor.Nas redes de segunda camada do Ethereum, a concentração de liquidez também chamou atenção. Base, Arbitrum e Optimism respondem por cerca de 83% do valor total travado em DeFi entre as L2s, mostrando que o mercado de escalabilidade vem se consolidando em poucas plataformas.A tokenização de ativos do mundo real foi outro destaque. Segundo o relatório, ativos tokenizados em blockchains públicas somam US$ 31 bilhões, com US$ 15 bilhões concentrados em títulos do Tesouro dos Estados Unidos. Já ativos espelhados em redes institucionais permissionadas, como a Canton, chegaram a aproximadamente US$ 350 bilhões.Para a 21Shares, esses dados mostram que, por baixo da volatilidade dos preços, a infraestrutura do mercado cripto continua avançando. A recuperação do Bitcoin para US$ 100 mil dependerá do retorno do apetite por risco, mas a gestora vê sinais de que o ciclo atual é mais maduro do que os anteriores e ainda pode ganhar força até o fim do ano.Invista na Renda Fixa Digital no MB, com ganhos previsíveis, e receba até 3% de cashback em Bitcoin + 1% extra a cada gol do Brasil no jogo de quarta (24). Participe antes do apito inicial aqui!O post Bitcoin cai para US$ 59 mil, mas ainda pode conquistar US$ 100 mil neste ciclo: 21Shares apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.