O Comitê Executivo de Gestão da Câmara de Comércio Exterior (Gecex) decidiu na terça-feira (23) renovar a autorização de importação, sem cobrança de impostos, para kits de veículos elétricos e híbridos desmontados e semidesmontados. A medida envolve os modelos conhecidos como CKD e SKD e integra a estratégia de incentivo à entrada de veículos eletrificados no país.O modelo CKD corresponde a veículos que chegam em partes para montagem local, enquanto o SKD envolve unidades mais próximas do produto final, exigindo menos etapas de fabricação e menor uso de mão de obra no Brasil. Já os carros totalmente prontos, classificados como CBU, não entram nessa regra de incentivo discutida pelo governo.A decisão provocou reação imediata de entidades do setor automotivo, que apontam risco à indústria nacional. O governo, por meio do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, defende a medida como parte do processo de descarbonização e afirma que veículos totalmente montados não terão limite de cotas para importação.Disputa em torno da política para veículos elétricos no BrasilBYD é uma das montadoras de carros elétricos que podem se beneficiar do imposto zerado – (Foto: Divulgação-BYD)A renovação das cotas ocorre em um cenário de transição da indústria automotiva, no qual o país busca ampliar a presença de veículos elétricos e ao mesmo tempo atrair investimentos para produção local. A medida foi definida pelo Gecex em meio a debates sobre como equilibrar importações e instalação de fábricas no território nacional.Segundo a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores, a decisão gera impacto negativo sobre trabalhadores e empresas instaladas no Brasil. Em posicionamento oficial, a entidade afirmou: “A medida é contrária aos interesses dos trabalhadores, das fabricantes nacionais de veículos e das empresas brasileiras de autopeças.”A entidade também criticou a falta de consulta prévia ao setor produtivo e afirmou que mudanças no cronograma podem afetar investimentos já planejados. Em outro trecho da manifestação, declarou: “A decisão, tomada sem consulta ao setor produtivo, altera de forma intempestiva uma política definida pelo próprio governo federal.” Crédito: sasirin pamai/ShutterstockNa avaliação do governo federal, representado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, a medida integra uma estratégia mais ampla de modernização do setor automotivo. Conforme o ministério, a iniciativa busca estimular inovação e reduzir emissões, ao afirmar que a política está alinhada à “renovação da frota e ao fortalecimento da inovação e da descarbonização no ecossistema automotivo brasileiro.”Dentro desse debate, os formatos de importação ganham papel central. O SKD, por exigir menos etapas de montagem local, é visto por parte da indústria como um modelo que reduz a geração de empregos industriais no país, enquanto o CKD é associado a maior envolvimento de produção interna. Já os veículos totalmente montados seguem fora do escopo de restrição de cotas para esse tipo de incentivo.O post Governo zera imposto sobre carros elétricos desmontados e acirra embate com montadoras nacionais apareceu primeiro em Olhar Digital.