O avanço recorde da inadimplência no País, que atinge 83,5 milhões de brasileiros, já começa a aparecer em uma das despesas mais essenciais do orçamento das famílias como a moradia. Após atingir em abril o menor nível dos últimos 12 meses, o Índice de Inadimplência Locatária da Superlógica mostra que em maio a inadimplência dos aluguéis voltou a subir e chegou a 3,22%, atingindo especialmente imóveis de até R$ 1 mil, onde os atrasos alcançam 6,31% nos contratos residenciais e 7,6% nos comerciais.A combinação de juros elevados, crédito restrito e orçamento pressionado continua afetando a capacidade de pagamento de famílias e empresas. “O aumento é considerado pequeno e ainda é cedo para determinar uma tendência de alta, principalmente porque abril registrou o menor índice em um ano, mas já é um sinal importante”, afirma Manoel Gonçalves, diretor de negócios para imobiliárias do Grupo Superlógica. Apesar da alta mensal, a inadimplência continua abaixo do patamar observado em maio de 2025, quando atingia 3,33%.Imóveis populares lideram atrasosOs maiores índices de inadimplência continuam concentrados nos imóveis de menor valor, justamente aqueles ocupados por famílias mais vulneráveis às oscilações da renda. Nos contratos residenciais de até R$ 1 mil mensais, o índice saltou de 5,56% para 6,31% em maio. Nos imóveis comerciais da mesma faixa de preço, a taxa chegou a 7,6%, ante 7% registrados em abril.Os números reforçam a dificuldade enfrentada pelas camadas de menor renda para absorver a alta do custo de vida e manter em dia despesas consideradas prioritárias, segundo a Superlógica. O comportamento acompanha o cenário nacional de endividamento, marcado pela pressão dos juros elevados e pelo encarecimento do crédito ao consumidor.Leia Mais: Aluguel sobe acima da inflação e reforça pressão no mercado residencialFaixa altas também preocupaSe a alta entre os imóveis populares já era esperada, outro movimento chamou a atenção do mercado: o avanço da inadimplência nos contratos de maior valor. Nos imóveis residenciais com aluguel superior a R$ 13 mil mensais, o índice saltou de 4,52% para 6,16% em apenas um mês. Nos imóveis comerciais dessa mesma faixa, a taxa passou de 4,43% para 4,9%, conforme estudo.Segundo a Superlógica, esse grupo costuma concentrar empresários, comerciantes, executivos e profissionais liberais, perfis que enfrentam os efeitos da desaceleração econômica e do custo elevado do crédito. “Quem aluga um imóvel acima de R$ 13 mil geralmente tem renda familiar superior a R$ 40 mil. Mas esse perfil é formado, em grande parte, por empreendedores e empresários que hoje enfrentam carga tributária crescente, menor atividade econômica e crédito mais caro”, explica Gonçalves.O dado sugere que as dificuldades financeiras estão se espalhando por diferentes faixas de renda e não se limitam apenas às famílias de menor poder aquisitivo.Casas e imóveis comerciais registram pioraNa análise por tipo de imóvel, todos os segmentos apresentaram aumento da inadimplência em maio, mas as casas registraram a maior elevação, passando de 3,31% para 3,69%. Nos apartamentos, a taxa subiu de 2,11% para 2,35%. Já os imóveis comerciais seguem liderando o ranking nacional de atrasos, com inadimplência de 4,39%, acima dos 4,21% observados em abril.O desempenho do segmento comercial é acompanhado de perto pelo mercado, uma vez que isso costuma refletir a saúde financeira de pequenos negócios, prestadores de serviços e comerciantes.Nordeste lidera rankingRegionalmente, o Nordeste manteve a liderança da inadimplência locatícia no país. A taxa chegou a 5,39% em maio, avanço de 0,41 ponto percentual em relação ao mês anterior. Em seguida aparecem Norte (4,38%) e Sudeste (3,15%).Na outra ponta, o Sul permaneceu com o menor índice nacional, registrando 2,67%, apesar da leve alta observada no período.Sinal de atençãoEmbora o mercado ainda não veja uma deterioração significativa da capacidade de pagamento dos inquilinos, especialistas avaliam que os próximos meses exigem cautela. A trajetória dos juros, da inflação e da atividade econômica continuará sendo determinante para a evolução da inadimplência.O fato de os atrasos terem avançado simultaneamente entre imóveis populares e contratos de alto padrão sugere que a pressão financeira está atingindo diferentes perfis de locatários, de acordo com a Superlógica. Se o cenário de crédito caro e crescimento econômico moderado persistir, o aluguel pode se tornar mais um termômetro da dificuldade dos brasileiros para equilibrar as contas.The post Avanço da inadimplência no Brasil já começa a refletir no mercado de aluguel appeared first on InfoMoney.