Planalto teme desgaste eleitoral com novo programa de Lula contra roubo de celulares

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Integrantes de ministérios com assento no Palácio do Planalto avaliam com cautela o impacto da nova fase do programa de combate ao furto e roubo de celulares, diante do risco de que a medida tenha reflexos negativos para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no período pré-eleitoral. A iniciativa elaborada pelo Ministério da Justiça prevê que pessoas que tenham comprado aparelhos roubados ou furtados recebam um alerta para a devolução espontânea do equipamento. Apesar da preocupação de auxiliares, a iniciativa foi lançada nesta terça por Lula na Base Aérea de Guarulhos, em São Paulo.O programa foi elaborado pelo Ministério da Justiça e passou as últimas semanas em análise no Palácio do Planalto. A Casa Civil e a Secretaria de Comunicação Social (Secom) têm feito alertas sobre eventuais efeitos negativos da iniciativa. Em uma discussão recente na Casa Civil, foi levantado o temor de que pessoas que compram celular roubado de boa fé se sintam lesadas ao ter que devolver o aparelho e culpem o governo por “retirar” o celular que elas pagaram para ter.Integrantes do governo também apontam a possibilidade de ocorrerem erros e serem disparados mensagens para quem não comprou o celular roubado ou furtado, o que poderia alimentar discurso de que governo quer retirar o aparelho das pessoas. Com esse argumentos, o programa é considerado um provável “flanco de desgaste” por auxiliares de Lula que também apontaram necessidade de um período de teste antes do lançamento.Leia tambémLula anuncia Serasa dos celulares roubados e pede para a população devolver aparelhos3 milhões de equipamentos sem procedência receberão notificações e passam a ser inutilizados gradualmente, diz governoLula: Vamos punir quem rouba e vende mas é importante cidadão ter cuidado com celularPresidente assinou nesta terça-feira (23) um decreto sobre o programa Celular Seguro, que endurece a receptação e venda de aparelhos roubadosMesmo diante da ponderação sobre o risco de lançar a medida neste momento, a pouco mais de três meses do primeiro turno, Lula optou por acelerar a iniciativa, especialmente depois de ter falado publicamente sobre ela.Durante reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico, Social e Sustentável, o Conselhão, em 10 de junho, o presidente afirmou que o governo tem dados de cerca de 2,5 milhões de celulares roubados e estuda uma forma de notificar os atuais usuários para que os aparelhos sejam devolvidos. Lula disse ainda que quem permanecer utilizando o equipamento poderá estar sujeito à responsabilização por receptação:— Eu ia apertar um botãozinho e passava a mensagem dizendo que as 2,5 milhões de pessoas que estão com o celular roubado têm que devolver. Precisa devolver, porque pode estar cometendo um delito e, se for pego, pode sofrer uma punição desnecessária.Ao tratar da estratégia do programa, no mesmo discurso, Lula cometeu uma gafe e afirmou que rico não compra celular roubado, mas que os pobres gostam de uma “coisinha mais barata”:— Eu sei que rico não compra telefone roubado. Mas eu sei que os pobres compram. Quem é que não gosta de comprar uma coisinha barata? Todo mundo gosta.Por ser candidato à reeleição, Lula pode participar de lançamento de iniciativas do governo até 4 de julho, por isso decidiu acelerar a medida. Auxiliares, no entanto, vinham defendendo que os próximos dias fossem usados para dar visibilidade a programas que não tenham margem para desgastes e que o governo não pode “cavar” uma notícia negativa para si. Também há dúvidas se o programa pode trazer efeitos positivos a tempo da campanha eleitoral.Modelo inspirado no PiauíConcluída pelo Ministério da Justiça há mais de um mês, a iniciativa é inspirada na experiência do Piauí, que obteve redução expressiva desse tipo de crime com um programa que utiliza banco de dados com o IMEI dos celulares integrado atuação investigativa da Polícia Civil. O governador do estado, Rafael Fonteles, afirmou em maio deste ano que a a queda no roubo de celulares foi de 80%, comparando os mesmos períodos de 2026 e 2022, antes de ele assumir a gestão.Nas vésperas do início da campanha eleitoral, o programa representa a tentativa de buscar uma bandeira na área de segurança pública em um dos pontos que mais preocupa a população quando questionada sobre violência urbana, segundo levantamentos feitos pelo próprio Palácio do Planalto. Os estudos mostram que o temor atinge todas as camadas sociais e envolve um bem indispensável para o dia a dia, seja para trabalho ou lazer, e que muitas pessoas já foram vítimas do crime mais de uma vez.Integrantes do Ministério da Justiça, por outro lado, apontam que a iniciativa já foi experimentada em outros estados, como Piauí, e será lançada com aperfeiçoamentos. Eles também afirmam que há “risco zero” de gerar desgaste para o governo, porque o programa atacará um problema crônico das grandes cidades cortando o último ciclo da cadeia desse crime, que é a venda do celular roubado. Para integrantes da pasta, a iniciativa terá efeito, pois afeta o elo mais vulnerável do ciclo criminal e muda a lógica do roubo: se não tem quem compre, não vale a mais pena praticar esse crime, o que pode impactar na dinâmica do delito.Os defensores da medida pontuam ainda que o programa vai desestimular a compra de aparelhos sem procedência. Um argumento que vem sendo levantado é que não há efetivo policial suficiente disponível para combater esse crime, e que operações de agentes de segurança, por exemplo, apenas “enxugariam gelo”.The post Planalto teme desgaste eleitoral com novo programa de Lula contra roubo de celulares appeared first on InfoMoney.