Kew digitaliza herbário com 7,4 milhões de amostras

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O Jardim Botânico Real de Kew, no Reino Unido, digitalizou 7,4 milhões de amostras de plantas e fungos de seu herbário em um projeto internacional de conservação que combina inteligência artificial e ciência de dados para ampliar o acesso ao conhecimento e apoiar pesquisas ambientais em escala global. O trabalho, concluído após um esforço de digitalização em larga escala, tem como objetivo “democratizar o conhecimento” e fortalecer estratégias de preservação da biodiversidade. O novo arquivo integra uma iniciativa internacional de digitalização de herbários que busca reunir e analisar o maior número possível de espécies de plantas e fungos em escala global. Segundo os pesquisadores, a proposta já começa a revelar padrões relevantes, como o fato de que flores em diversas regiões do mundo estão desabrochando semanas antes do que ocorria nas últimas décadas. O Jardim Botânico Real de Kew abriga uma das maiores coleções de plantas e fungos do planeta, formada ao longo de séculos, com amostras coletadas desde a época de Charles Darwin. Nesse acervo, até mesmo um caule prensado de 180 anos com poucas folhas pode ser difícil de identificar a olho nu, mas esse desafio muda completamente quando aplicado a modelos de inteligência artificial treinados para analisar detalhes microscópicos. Com o avanço dessas tecnologias, a instituição passou a digitalizar cada espécime em detalhe, incluindo caule, folha, cápsula de sementes e botão floral. O processo se mostrou especialmente útil para grupos como musgos e ervas, nos quais diferenças entre espécies podem ser praticamente imperceptíveis apenas pela observação tradicional.Foto: Louis Harb | Pexels“Podemos usar recursos digitais, inteligência artificial e outras tecnologias para realmente aproveitar as informações contidas em muitos desses espécimes que estão aqui há séculos e usá-las para promover a ciência e a conservação em nível global”, disse Alexandre Antonelli, diretor executivo de ciência de Kew. “Podemos usar essas informações digitalizadas para descobrir novas espécies e também para revelar espécies que foram extintas.” As possibilidades abertas por esse tipo de acervo são amplas. Embora milhares de espécies de plantas e fungos sejam identificadas todos os anos, ainda há lacunas importantes: pelo menos 300.000 plantas já descritas seguem pouco estudadas. Além disso, estima-se que existam cerca de 100.000 plantas e 2 milhões de espécies de fungos ainda desconhecidas. Cada uma dessas espécies pode conter segredos genômicos com potencial para transformar áreas como agricultura, medicina e ciência dos materiais. Substâncias como a penicilina e as estatinas, por exemplo, foram originalmente isoladas de fungos. Com um arquivo digital mais amplo e de acesso instantâneo, pesquisadores também esperam impulsionar o uso do DNA ambiental, técnica que identifica espécies a partir de material biológico presente no ambiente. Esse método é considerado especialmente valioso para estimar populações de organismos difíceis de observar, como fungos que podem frutificar apenas algumas vezes por ano.  Leia também: 1.Como cuidar das plantas no frio: 4 dicas de um paisagista 2.Plantas “conversam” com insetos O acervo de 145 milhões de amostras de plantas, animais e fungos está disponível gratuitamente para qualquer pessoa com conexão à internet em qualquer lugar do mundo, ampliando o acesso global a dados fundamentais para a pesquisa científica e a conservação: https://www.gbif.org/The post Kew digitaliza herbário com 7,4 milhões de amostras appeared first on CicloVivo.