O Paraguai sedia, nesta terça-feira (30/6), a 68ª Cúpula de Chefes de Estado do Mercosul, com a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e outros líderes sul-americanos. O encontro terá como foco ações de integração e desenvolvimento regional, além da ampliação de parcerias comerciais.A reunião também ocorre dias após os terremotos que atingiram a Venezuela e deixaram ao menos 1.450 mortos até esse domingo (28/6). A expectativa é que os líderes se mobilizem para prestar apoio ao país vizinho.MercosulO Mercosul é composto por cinco países-membros: Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia — que ingressou no bloco em 2024.Juntas, as nações concentram 73% do território da América do Sul e 70,2% do Produto Interno Bruto (PIB) da região (US$ 2,97 trilhões).Além dos membros fixos, o grupo conta com outros sete Estados associados, que participam das reuniões e discussões acerca de temas de interesse em comum.São eles: Chile, Colômbia, Equador, Guiana, Peru, Suriname e Panamá.Ao todo, sete presidentes confirmaram presença na cúpula: Lula (Brasil), Javier Milei (Argentina), Santiago Peña (Paraguai), Yamandú Orsi (Uruguai), Rodrigo Paz (Bolívia), José Antonio Kast (Chile) e Daniel Noboa (Equador).A reunião marca o fim da presidência pro tempore do Paraguai e a passagem de bastão ao Uruguai, que assume o comando do bloco pelos próximos seis meses.Situação da VenezuelaA Venezuela aderiu ao Mercosul em 2012, mas está suspensa do bloco 2016 por descumprir o protocolo de adesão. Em 2017, os membros aprovaram uma nova suspensão em razão da ruptura com a ordem democrática no país.Após a mudança de comando, com a captura de Nicolás Maduro, a presidência paraguaia fez movimentos para reaproximar a Venezuela do bloco, e chegou a consultar o Brasil sobre a possibilidade de convidar representantes da nação vizinha para as reuniões do grupo.Desde a operação dos Estados Unidos que prendeu Maduro, o país é chefiado por Delcy Rodriguez, sob o aval da administração de Donald Trump.O governo brasileiro avalia que a discussão sobre a reintegração da Venezuela ao bloco é positiva e pode contribuir com a estabilização da democracia no país. No entanto, é pouco provável que o tema seja trazido já nesta cúpula. O debate deve girar em torno do apoio às vítimas da tragédia causada pelos terremotos.Segundo autoridades venezuelanas, os tremores deixaram 1.450 mortos e 3.238 feridos. No sábado, um novo terremoto, que magnitude 4,8, foi registrado.O governo brasileiro tem mobilizado esforços para enviar ajuda emergencial às vítimas da tragédia. Desde sexta-feira (26/6), quatro aviões da Força Área Brasileira (FAB) foram deslocados para transportar suprimentos, medicamentos, e equipes de resgate para auxiliar nas buscas.8 imagensFechar modal.1 de 8Número de mortos após terremotos na Venezuela sobe para 1.430Jesus Vargas/Getty Images2 de 8Número de mortos na Venezuela após terremotos sobe para 1.450Jesus Vargas/Getty Images3 de 8A missão brasileira reúne bombeiros militares de diferentes estados, profissionais da Defesa Civil e especialistas em telecomunicações.Divulgação / FAB4 de 8Registro de estragos após terremoto em La Guaira, VenezuelaStringer/picture alliance via Getty Images5 de 8Venezuela: desaparecidos após terremotos passam de 50 mil, diz ONUEdilzon Gamez/Getty Images6 de 8Quase 40 mil pessoas estão desaparecidas na Venezuela Diko Betancourt/Anadolu via Getty Images7 de 8Pessoas e equipes de resgate trabalham nos escombros do edifício Moises, na Avenida Anauco, após um terremoto de magnitude 7,2 atingir a VenezuelaEdilzon Gamez/Getty Images8 de 8Edilzon Gamez/Getty ImagesParcerias comerciaisAlém da crise humanitária que afeta a Venezuela, a reunião deve ser marcada pela discussão sobre a ampliação de parcerias comerciais. Esta é a primeira cúpula desde a ratificação do acordo de livre comércio entre Mercosul e a União Europeia. O tratado entrou em vigor de forma provisória em 1º de maio, após mais de 20 anos em negociação.O bloco também tem avançado nas tratativas com outros países. Na reunião de terça, deve ocorrer o lançamento oficial das negociações do acordo com o Japão. O tema foi discutido em uma reunião entre Lula e a primeira-ministra do Japão, Takaichi Sanae, às margens da cúpula do G7.Há também expectativa de avanço nas conversas com o Panamá e a Índia. Além disso, o bloco busca aprofundar as tratativas com República Dominicana, Guiana, Suriname e Trinidad e Tobago.Outras temasDurante a reunião, ocorrerá a assinatura de um acordo que permitirá o reconhecimento da nova Carteira de Identidade Nacional (CIN) como documento válido para entrada nos países do Mercosul e Estados associados.Disponibilizada em formato físico e digital, a CIN substitui gradualmente o antigo RG e utiliza o CPF como número único de identificação. Saiba como emitir.Também deve ser fechado um protocolo de reconhecimento mútuo de meios de identificação e autenticação eletrônica. A partir do tratado, os membros do Mercosul passam, por exemplo, a reconhecer as assinaturas e autenticações feitas via gov.br.Além disso, o Brasil vai propor aos países um pacto de enfrentamento ao feminicídio e à violência contra a mulher. Por fim, é esperado anúncio da contribuição brasileira ao Fundo para a Convergência Estrutural do Mercosul (Focem), criado para reduzir desigualdades entre os países.Os recursos são voltados para o financiamento de obras de infraestrutura, saneamento, habitação, energia e projetos sociais na região.