Mais de metade da Geração Z ainda vive com os pais e 93% considera os salários injustos

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A Geração Z está a mudar as regras do mercado de trabalho em Portugal. Mas, ao contrário do que muitas empresas ainda assumem, o salário já não é o único fator decisivo para atrair e reter talento. A falta de progressão na carreira, a dificuldade em aceder à habitação e a procura por maior flexibilidade estão a moldar as escolhas profissionais dos jovens.É esta a principal conclusão do relatório A Geração Z no Mercado de Trabalho: Uma Redefinição do Sucesso Profissional, da Randstad Research. O estudo revela que 56,2% dos jovens continua a viver com os pais ou familiares, enquanto 93,4% considera que os salários praticados em Portugal não são justos face ao custo de vida. Habitação continua a atrasar a independência dos jovensO acesso à habitação surge como um dos maiores desafios para a geração nascida entre 1997 e 2012. Segundo o estudo, 55,8% dos jovens gasta mais de 40% do salário líquido mensal em despesas relacionadas com habitação, incluindo renda, prestação da casa e despesas associadas.Este peso significativo no orçamento ajuda a explicar porque mais de metade da Geração Z ainda vive com os pais, adiando projetos como a compra de casa, a constituição de família ou uma maior autonomia financeira.A pressão financeira é tal que 24,5% dos jovens já acumula duas ou mais fontes de rendimento, procurando compensar a perda de poder de compra. Progressão na carreira pesa mais do que o salárioApesar do descontentamento com os rendimentos, o estudo revela uma mudança relevante nas motivações para mudar de emprego. Nos últimos 12 meses, 37,5% dos jovens mudou de empregador, mas o principal motivo não foi o salário.Pelo contrário, 55% afirma que decidiu mudar por falta de oportunidades de progressão na carreira, enquanto apenas 15% aponta diretamente a remuneração como principal razão para sair da empresa.Os dados mostram que a Geração Z procura mais do que um aumento salarial: quer perspetivas claras de crescimento, desenvolvimento de competências e oportunidades para assumir novas responsabilidades. Jovens sentem que podem dar mais às empresasOutro dado que merece destaque é a perceção de subaproveitamento do talento. 58,7% dos inquiridos acredita que tem competências para desempenhar funções mais exigentes do que aquelas que exerce atualmente, sinalizando uma crescente frustração com a falta de desafios profissionais.Ao mesmo tempo, 40,4% considera que as chefias diretas não demonstram preocupação genuína com o seu desenvolvimento profissional, um fator que poderá contribuir para o aumento da rotatividade nas organizações.Também a ligação entre educação e mercado de trabalho continua a gerar críticas. 73% dos jovens considera que o sistema de ensino não os preparou adequadamente para os desafios práticos da vida profissional. Teletrabalho já vale mais do que um aumento salarialA flexibilidade consolidou-se como um benefício praticamente indispensável para esta geração. O relatório revela que 27,2% dos profissionais da Geração Z recusaria uma proposta de emprego com um salário superior se isso implicasse perder o acesso ao teletrabalho.Este dado demonstra que os modelos híbridos e remotos deixaram de ser apenas uma vantagem competitiva para passarem a integrar a proposta de valor das empresas junto dos profissionais mais jovens. Inteligência artificial já faz parte da rotinaA adoção da inteligência artificial também distingue esta geração. Segundo a Randstad Research, 72,8% dos jovens utiliza ferramentas de IA generativa no dia a dia, sendo que 69,9% considera que estas tecnologias aumentam significativamente a sua produtividade.Apesar disso, a preparação oferecida pelas empresas continua aquém das expectativas. 44,1% afirma nunca ter recebido formação em inteligência artificial por parte do empregador, enquanto 21,3% desenvolveu estas competências de forma totalmente autodidata. Empresas terão de repensar a proposta de valorPara Isabel Roseiro, diretora de Marketing da Randstad Portugal, os resultados demonstram que o mercado está a atravessar uma transformação estrutural.«A remuneração isolada deixa de ser o único indicador competitivo. Para garantir a estabilidade das equipas e mitigar a rotatividade, as organizações precisam de integrar planos claros de progressão interna, modelos flexíveis de trabalho e investimento contínuo na capacitação digital, nomeadamente em Inteligência Artificial.»Num contexto de escassez de talento qualificado, o estudo deixa uma mensagem clara: reter a Geração Z exigirá muito mais do que aumentos salariais. As empresas que conseguirem combinar oportunidades de crescimento, flexibilidade, desenvolvimento de competências e uma cultura de aprendizagem contínua estarão mais bem posicionadas para conquistar os profissionais que irão moldar o mercado de trabalho da próxima década.O conteúdo Mais de metade da Geração Z ainda vive com os pais e 93% considera os salários injustos aparece primeiro em Revista Líder.