De acordo com uma análise do Portal da Queixa, desde 2019 foram registadas mais de 200 reclamações relativas a aplicações e serviços de encontros online. Nesse ano contabilizaram-se 22 ocorrências, número que evoluiu de forma irregular até atingir 33 reclamações em 2025, o valor mais elevado da série. Só no primeiro semestre de 2026 já foram registados 20 casos, o que poderá antecipar um novo aumento até ao final do ano.As reclamações apresentadas este ano dizem sobretudo respeito a questões financeiras. Mais de 40% dos casos referem cobranças indevidas, dificuldades na obtenção de reembolsos ou pagamentos considerados injustificados pelos utilizadores.Além dos problemas financeiros, os consumidores denunciam falhas relacionadas com segurança e privacidade, incluindo suspeitas de fraude, utilização indevida de dados pessoais, dificuldades técnicas, incumprimento dos serviços contratados e problemas na qualidade das plataformas. Usurpação de identidade, fraudes e promessas que não são cumpridasOs relatos reunidos pelo Portal da Queixa evidenciam situações que vão desde a criação de perfis falsos com fotografias utilizadas sem autorização até alegadas interações simuladas por sistemas automatizados para incentivar os utilizadores a adquirir serviços pagos.«Foi criada uma conta com a minha fotografia, sem o meu conhecimento. Solicito a remoção imediata», relata um consumidor. Outro denuncia um «aplicativo fraudulento» que, alegadamente, utiliza perfis falsos para obter pagamentos. Há ainda queixas relacionadas com serviços premium de matchmaking que ultrapassam os três mil euros e que, segundo os clientes, ficaram muito aquém do prometido.Ao contrário da ideia de que estas plataformas são utilizadas maioritariamente por públicos mais jovens, são os consumidores entre os 45 e os 64 anos que mais apresentam reclamações. Mais de metade das queixas provém desta faixa etária, que também concentra a idade média mais elevada entre os utilizadores de serviços premium de matchmaking. Em algumas plataformas consideradas mais exclusivas, a média de idades ultrapassa os 50 anos.Quem reclama mais?Quanto ao género dos reclamantes, verifica-se um equilíbrio global entre homens e mulheres ao longo dos últimos anos. No entanto, a distribuição tem variado significativamente. Em 2019 e 2024 foram as mulheres quem mais reclamou, enquanto em 2023 e, sobretudo, no primeiro semestre de 2026, foram os homens a liderar as participações, representando atualmente cerca de 85% das reclamações registadas.Para Pedro Lourenço, fundador do Portal da Queixa by Consumers Trust, estes dados demonstram que o crescimento deste mercado deve ser acompanhado por um reforço das garantias oferecidas aos consumidores.«Estes indicadores reforçam a necessidade de maior transparência, controlo e proteção do consumidor num setor em crescimento, mas ainda marcado por desafios significativos ao nível da confiança. Com o crescimento contínuo deste tipo de plataformas, a monitorização e resposta eficaz às reclamações tornam-se essenciais para garantir a proteção do consumidor e a credibilidade do setor», afirma.O conteúdo Quem mais reclama das apps de encontros? Perfis falsos e cobranças indevidas estão no topo das queixas aparece primeiro em Revista Líder.